Depois de muitos estudos sobre o clima do planeta, durante muitos anos, surgiu recentemente um grupo de cientistas que tem contestado os fundamentos dos modelos e as previsões efetuadas por institutos de pesquisas e universidades de todo o mundo. Ao ler este artigo você irá, passo a passo, entender o que há de certo e errado, de conhecimento ou ignorância nas discussões sobre o Aquecimento Global.

O Início

Hoje sabemos que desde 1750, com o início da Revolução Industrial, tem havido um acúmulo de gás carbônico progressivo no ar e que ele é um “gás estufa”, isto é, um gás que é importante para manter o planeta aquecido retendo o calor gerado pela radiação solar. O assunto começou, entretanto, a ser estudado em 1827 quando, o físico e matemático, Jean-Baptiste Fourier calculou que a Terra seria muito mais fria se não tivesse uma atmosfera. Em 1860 John Tyndall introduziu a idéia que as variações climáticas quentes e frias (as idades do gelo) poderiam ser devido às variações de gás carbônico na atmosfera. Em 1896 Svante Arrhenius observou que a queima de combustíveis fósseis, como o carvão mineral, gerava dióxido de carbono e então calculou que a temperatura da terra aumentaria em 5 ºC a 6 ºC se a quantidade existente na atmosfera dobrasse. Coincidentemente, este cálculo concorda com algumas previsões atuais mais pessimistas.

1-O Aquecimento Global e o Efeito Estufa não são assuntos novos. Este é o primeiro ponto a ser observado por quem quiser contribuir com seus comentários para o entendimento do assunto, estudando o tema em sua amplitude e complexidade antes de emitir opiniões.

O Efeito Estufa


Se não fosse o efeito estufa, a Terra seria um planeta inabitável por causa do frio. Observe por exemplo Vênus, sua atmosfera é composta principalmente por gás carbônico (96%) e sua temperatura atinge 460 ºC sem grandes variações. Mercúrio, que é mais próximo do Sol do que Vênus, não possui gás carbônico e apresenta uma temperatura igual a 427 ºC, porém com uma temperatura mínima igual a -173 ºC, porque sua atmosfera não consegue reter o calor.

2-Em termos científicos, não há qualquer dúvida sobre a importância do gás carbônico no efeito estufa e sua relação com o aquecimento global.


O metano (CH4) é 20 vezes mais potente que o gás carbônico para causar o efeito estufa e variou de 700 ppb (partes por bilhão) para 1797 ppb (2007) devido à atividade pecuária e a rizicultura (regiões alagadas), entre outros, e o óxido nitroso (N2O) variou de 270 ppb para 322 ppb (2007). Estes gases são também contribuintes e sua emissão provocada pelo homem está aumentando com o tempo.

O que se encontra no momento em uma discussão “globalmente aquecida” é até que ponto a atividade humana (antropogenismo ou efeito antrópico) é responsável pelo aquecimento do planeta.

Não há dúvida que o aumento da concentração de gases estufa causa um aumento de temperatura do planeta, conhecido como Aquecimento Global. O que se discute é se este aumento é ou não significativo, se em 2100 será 0,5 ºC a mais do que atualmente ou se será de até 5 ºC como previsto por alguns modelos. Há uma discordância no momento quanto ao termo “Aquecimento Global Antropogênico”, dado que, segundo o grupo dos céticos, este aquecimento não pode ser atribuído à influência da atividade humana.

A partir de 1750, com o início da Revolução Industrial, a quantidade de gás carbônico no ar variou de 280 ppm (partes por milhão) para 393 ppm em 2012 enquanto a temperatura média do planeta aumentou cerca de 1 ºC. Supondo que o gás carbônico esteja relacionado diretamente ao aquecimento global observado, o que é o ponto central da discussão, e se assumirmos, como um exemplo ilustrativo, a curva que eu apresentei no post “A Curva de Keeling”, teremos cerca de 1 ºC de aumento de temperatura para cada 113 ppm CO2 a mais na atmosfera. Isto significa que em 2100 (650 ppm previsto) teríamos um aumento médio de temperatura igual a 3,3 ºC em relação à 1750.

Esta previsão, apesar de ilustrativa e não ser baseada em um modelo de predição (portanto especulativa e sem validade preditiva), concorda com a faixa predita pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU) que é constituído por mais de 3000 estudiosos e representa a maioria da comunidade científica internacional e que estima um aumento entre 1,4 ºC e 5,8 ºC.

O Aquecimento Global

Um estudo feito pela Universidade de São Paulo, na estação do IAG –USP mostrou um aumento de 2 ºC desde 1933 na temperatura média da cidade e uma tendência de subida igual a 0,3 ºC por década. Esse valor está bem acima da média mundial.

Extrapolando a fórmula contida no gráfico, o aumento de temperatura previsto para o ano 2100 será de 4,5 ºC em relação a 1933 e cerca de 4,7 ºC em relação à era pré-industrial, concordante portanto com as previsões do IPCC. Como dissemos, porém, a extrapolação dos dados não é um recurso rigoroso e aceitável para previsões. Para que possa haver uma previsão legítima é necessário criar um modelo matemático que incorpore as principais variáveis que afetam o clima, conforme apresentado pelo IPCC entre outros.

Uma destas variáveis, é que no caso de São Paulo houve uma completa modificação no solo da cidade pela quase eliminação da vegetação e sua substituição pelo concreto e o asfalto, fatores que não podem ser desconsiderados nas medições de temperatura pelas estações de superfície e que formam “ilhas de calor” locais. Assim, a avaliação do aquecimento global não pode ser feita localmente e é necessária uma rede mundial de medições, incluindo o mar e os pólos, para que seja válida.

Cada estação meteorológica terrestre irá apresentar elevações de temperatura diferentes, por isso, no caso de São Paulo, não é possível dizer que a média de temperatura no mundo irá seguir a mesma elevação. De fato, o aquecimento registrado no hemisfério norte foi mais que o dobro do sul, 0,65 ºC contra 0,26 ºC. No ártico, onde o gelo está derretendo, foi de 1,75º C e na Antárdida ocorreu um resfriamento de 0,16 ºC. Os extremos registrados foram o Estreito de Davis, entre a Ilha de Baffin e a Groenlândia, com +2,89 ºC (coitados dos ursos polares !), e a Baía Mackenzie com -2,36 ºC.

 Na figura ao lado, apresenta-se uma medição de temperatura baseada em mais de 1000 estações de medição, compilada pela NASA / GISS (Goddard Institute for Space Studies) e se pode observar a ocorrência de um aquecimento global.

Um dos argumentos dos céticos é que as medições de superfície formam uma complexa malha de resultados onde há dificuldade de compilação e que podem ser afetadas por erros e por “ilhas de calor” sendo preferível a medição por satélite feita na troposfera, também chamada de atmosfera inferior, a camada de ar acima da superfície até 15 km e onde ocorre a maioria dos eventos meteorológicos variando de 15°C (média na superfície) a –56°C. Neste ponto podemos concordar com eles.

As instituições mais importantes que monitoram as temperaturas no mundo são o GISS da NASA, o CRU (Climatic Research Unit) da Universidade de East Aglia na Inglaterra em cooperação com o “Hadley Centre of the UK Met Office” UKMET (Instituto de Meteorologia do Reino Unido) obtendo o chamado Hadley/CRU data ou simplesmente HadCrut, que é a referência para os estudos do IPCC, ambos (GISS e Hadcrut) através de medidas de superfície através de termômetros, o UAH (Universidade do Alabama em Hunstville) e o RSS (Rotating Shadowband Spectrometer), ambos usando o satélite NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) que possui um radiômetro de muito alta resolução (AVHRR) para medições na troposfera.

Este instrumento tem sensores de micro-ondas que medem a radiação infravermelha emitida pelo oxigênio da atmosfera, que é proporcional à temperatura.

Para avaliar a diferença entre as medições apresentamos abaixo uma comparação entre os dados obtidos pelas 4 instituições.
Todos os gráficos mostram um aquecimento global, o que pode ser visto pelas 4 retas de tendência correspondentes.

3- Não existem diferenças significativas entre as medições das estações meteorológicas de superfície e as medições de satélite e todas elas mostram que está ocorrendo um Aquecimento Global.

Observar que há uma diferença (chamada de off-set) entre os gráficos por causa do zero estabelecido para cada um. Escolhe-se um período de tempo e toma-se a média deste período, então cada medida é subtraída desta média para obter uma temperatura relativa. Nas 4 curvas os períodos e as datas de tempo da média são diferentes ocorrendo um desvio entre elas. Isto não significa que uma medida está diferente da outra, porque a diferença entre duas datas quaisquer em cada curva é praticamente a mesma.

Para eliminar qualquer dúvida sobre a veracidade e compatibilidade dos dados a NASA lançou em 28/10/2011 um novo satélite de clima e tempo posicionado a 824 kms de altitude, o NPOESS Preparatory Project (NPP) que utiliza um novo sistema denominado VIIRS (Visible Infrared Imager Radiometer Suite) e irá fornecer uma visão completa do clima todos os dias.

A Argumentação dos Céticos

Agora, vejamos uma ampliação dos dados UAH e RSS utilizados pelos céticos.

Está caracterizado nele o aquecimento global !.

Observe agora o mesmo gráfico apresentado pelos céticos em alguns blogs. Se nós olharmos para o gráfico abaixo, que é baseado no satélite UAH com dados medidos entre 1978 e 2011 não iremos conseguir enxergar a subida de temperatura com a mesma facilidade que vimos com a curva acima, entretanto, os dois gráficos são idênticos.

O recurso que eles usaram foi desconsiderar uma reta de tendência, simplesmente eliminando-a pressupondo antecipadamente que ela não existe. Porém, usando esse mesmo recurso, eles afirmam que no ano 2100 o aumento de temperatura global não passará de alguns décimos de grau !!.

Deve-se observar que não é uma análise estatística ou avaliação de tendências que pode informar sobre a evolução das temperaturas globais, sobretudo num intervalo de tempo tão pequeno, mas sim um modelo preditivo baseado na influência de cada variável que compõem o clima, o que é uma tarefa gigantesca e evolutiva. Podemos então ver que todas as críticas ao IPCC baseadas em suas previsões feitas em 1990 são inconvenientes e sem qualquer propósito sério.

4- O uso de retas de tendência, médias móveis ou qualquer recurso estatístico para a extrapolação de dados meteorológicos não é um procedimento válido para previsões climáticas uma vez que é baseado em dados passados sem garantia de continuidade de padrões devido à influência de inúmeros fatores que afetam o clima, principalmente em pequenos intervalos de tempo.

Os céticos afirmam que não é o CO2 que é responsável pelas variações, ou pelo aumento, mas sim, a atividade solar que atua em ciclos de 9 a 12 anos e também os fenômenos “La Ninha” e “El Ninho”, que ocorrem sobre o oceano pacífico e pela atividade vulcânica. Estas afirmações não eliminam a possibilidade da ação do CO2 porque os fenômenos citados são de segunda ordem, isto é, eles reforçam tendências de curto prazo e provocam variabilidades. Utilizando-se médias móveis suficientemente longas pode-se traçar uma reta de tendência e então “enxergar” o Aquecimento, livre destas tendências secundárias como foi feito nos gráficos acima.

A explosão do vulcão Pinatubo (1993), fez as temperaturas deixarem de subir, assim como quando predomina o efeito “La Ninha” ou ocorrem ciclos solares de menor intensidade, porém, quando estes ciclos terminam fazem a temperatura voltar a subir fortemente, de modo que são necessários grandes períodos para ter-se uma análise apropriada do comportamento das médias. Assim, é impossível afirmar que não está ocorrendo aquecimento global causado pelo gás carbônico.

5- Os céticos até o momento ainda não apresentaram evidências concretas para provar que o gás carbônico não é o principal agente do aquecimento global.

Efeitos Antrópicos

As evidências do aquecimento global e os efeitos (antrópicos) da acumulação de gás carbônico, entretanto, são muito visíveis por outros efeitos, como o intenso derretimento das geleiras da Groenlândia, a acidificação dos oceanos, o desaparecimento das espécies, a intensificação da potência dos furacões e fenômenos climáticos, a elevação das marés e outros tantos fatos que mostram, incontestavelmente, que há um sério problema ocorrendo com o ecossistema e que isto é sem qualquer sombra de dúvida causado principalmente pela atividade humana.

6- Existem outras evidências de que a atividade humana é a principal causa dos distúrbios climáticos mundiais além da acumulação do gás carbônico que causa a acidificação dos oceanos. Por este motivo o termo “Aquecimento Global Antropogênico” não pode ser considerado como imaginário.

Conclusão

Pelos 6 motivos apresentados acima pode-se dizer que a contestação dos céticos e a inclusão do estudo de novas variáveis pode contribuir para ajustar os modelos computacionais existentes em diversas instituições e universidades do mundo. Por outro lado, verifica-se que estes céticos não têm fatos ou informações que possam até o momento contradizer as tendências e correlações observadas e que ainda terão muito trabalho pela frente em muitos anos de estudos, observações e medições para provar suas teorias e assim tentar quebrar um paradigma que vem se fortalecendo a cada dia desde 1827.

Não é certamente acusando de fraude pesquisadores sérios, atacando a imagem do IPCC ou criando teorias de conspiração contra os EUA (que se recusa a seguir o tratado de Kyoto) e Canadá (que se retirou recentemente) que eles conseguirão isto.

A negação dos efeitos antrópicos além de irresponsável pode significar que há um fenômeno psicológico ocorrendo no velho mundo capitalista cujas economias estão em crise em uma tentativa de tentar manter de modo irreal os privilégios adquiridos às custas de uma competição exploratória e danosa ao meio ambiente e ao próprio ser humano.

Observações do Efeito Antrópico