Ao pensar no Universo em que vivemos, podemos tentar imaginar de onde ele veio e para onde ele vai. Ao consultar a ciência que dispomos, encontramos evidências que o nosso Universo provém de uma explosão, chamada de “Big-Bang”, que ainda hoje se pode “ouvir” pela medida da radiação de fundo, que é captada e interfere continuamente nos sistemas de telecomunicação, medida em 2,7 graus Kelvin e equivalente a 280 gigahertz na faixa de microondas. Essa radiação está presente em todos os pontos do Universo.

Outra importante evidência do Big Bang é a expansão do Universo, observando-se que as galáxias afastam-se contínua e progressivamente, indicando, na direção oposta, que estavam juntas em algum momento, chamado de instante inicial ou tempo igual a zero.

Tudo indica que tivemos um início, mas a próxima pergunta é a seguinte : teremos um fim ?
Infelizmente, a Segunda Lei da Termodinâmica informa que sim. Todo o Universo tende a se dispersar até que não haja mais transferência de energia, nem de massa, nem de movimento, nem luz.

A teoria da relatividade geral de Albert Einstein produz equações que, conforme as hipóteses que são feitas, determinam um diferente modelo do Universo e como ele se comporta. As possíveis soluções para a teoria da relatividade geral encontrada por Friedmann e Lemaître descrevem um Universo em expansão, e eles são chamados de pais da Cosmologia. As soluções possíveis das equações da relatividade geral incluem expansão eterna ou recolapso. O Universo colapsará novamente somente se a atração gravitacional da matéria (e energia) contida nele for grande o suficiente para parar sua expansão, e um novo “Big Bang” ocorrerá.

Indefinidamente ? Não. Novamente a segunda Lei da Termodinâmica volta a atuar, implacavelmente. Por mais que estes ciclos possam se repetir, por bilhões de bilhões de anos, um dia, o ciclo de nosso Universo terminará.

Temos então algo surpreendente !

Um Universo que tem um início, um ciclo de vida e um fim, uma morte. Que modelos poderíamos conceber para um fato tão estranho e bizarro ?

Os cientistas tem tentado criar modelos que não levem à necessidade de quebrar as leis da ciência, que é válida para este Universo, porém não tem conseguido grandes progressos no que se refere ao “tempo menor que zero” e há quem afirme que a Teoria da Relatividade Geral falha no tempo igual a zero, e que nossa ciência não se aplicaria a ele e até mesmo a tempos muitíssimo perto dele (quando o tempo tende a zero). O tempo zero é chamdo de “singularidade” que, em termos científicos significa “fase desconhecida”.

O simples fato de ainda faltar massa a ser descoberta para justificar uma nova contração com os modelos existentes e ter que se assumir um Universo que se expande indefinidamente até a morte leva alguns cientistas ao desespero de buscar a todo preço explicações que levem à uma contração, porque isto implica num desconfortável e inexorável fato : como explicar o “aparecimento” do Universo “do nada”? Para a ciência torna-se obrigatório encontrar um modelo “auto-suficiente” que não dependa de um aparecimento e de um desaparecimento !!!

Uma tentativa é a Teoria do Estado Estacionário ou Quasi Estacionário. A primeira já é comprovadamente falha, e a segunda foi proposta em 1993 para tentar cobrir as falhas da primeira e prevê que no nosso próprio universo cria sua própria matéria continuamente em “buracos brancos” e ela não foi toda formada no momento inicial, e que nosso próprio Universo é eterno e infinito, alternando expansões e contrações indefinidamente. Nesse caso, a segunda lei da termodinâmica, de algum modo, deverá ser respeitada.

Qualquer que seja o modelo proposto para nosso Universo ele só passará a ser “bom” quando explicar adequadamente aquilo que vemos e medimos, e não desafiar nenhuma das Leis da Ciência. Muito curiosa é a situação de que poderão se passar infindáveis anos procurando uma solução que, simplesmente, pode não existir !

O que propomos abaixo é justamente aquilo que a ciência mais teme: assumir que nosso Universo terá um fim a partir de um começo e então cruzar a linha do tempo “para trás” do instante inicial que gerou o “Big Bang”.

Imagine um universo vazio. Imagine muitos universos vazios em quantas dimensões conseguir. Imagine infinitos universos vazios de infinitas dimensões! Todas essas figuras compõe um só quadro: um contínuo infinito, imaterial, estéril, atemporal (dado que o Tempo está associado à matéria-energia, o tempo não existe em si mesmo e não é absoluto). Aqui, neste modelo, o zero e o infinito se igualam ocorrendo uma indefinição matemática chamada de singularidade.

Imagine agora que surge uma descontinuidade nesse vazio e forma-se um elemento dentro dele capaz de gerar o “tempo zero” de nosso Universo, que então nasce ou é criado, “do nada” e então sofre um ciclo e ao final re-integra-se ao vazio.

Este exercício, que é um “modelo mágico”, foi feito para demonstrar diversos absurdos, completamente incompatíveis com a ciência como a conhecemos. Primeiro porque o vazio absoluto ou “vácuo absoluto” não pode criar matéria-energia-tempo (uma coisa está necessariamente associada a outra), segundo porque ao final esta criação não pode voltar a ser vácuo ou simplesmente “desaparecer” novamente, e se não desaparecer acarretará uma diminuição de sua própria entropia, o que desafia a segunda lei de termodinâmica.

Ser ou Não Ser?

Há entretanto uma possibilidade bizarra: que este espaço não seja realmente vazio e partículas virtuais se formem dentro dele e se aniquilem o tempo todo sem, no entanto, jamais chegarem à existência por si próprias…. e é exatamente isso que a física hoje comprova e se poderia chegar a concluir pela aplicação do “princípio da incerteza” da mecânica quântica.

Observe agora que chegamos a uma nova entidade, a da existência de um “vácuo quântico” eterno e que compõe a base de nosso universo e de todo o Multiverso…. Já podemos notar assim que uma das barreiras filosóficas para a existência de Deus acaba de cair: já sabemos que a existência eterna de algo, que não teve um começo e nem terá um fim, é possível…

Isto pode parecer estranho, mas é o que os cientistas pensam hoje quando falam em Multiverso ou Megaverso e este “vazio” em seu interior é denominado “Vácuo Quântico”. Nele existem “partículas virtuais” que se formam e se aniquilam o tempo todo e, de fato, estas partículas já foram comprovadas experimentalmente bem como seus efeitos.

Ocorrem porém que para que estas partículas virtuais venham efetivamente a existir é necessária a aplicação de uma energia espetacular sobre o vácuo quântico, como ocorre perto do “horizonte de eventos” de um buraco negro e ainda mais energia seria necessária para sua organização como a conhecemos para a formação da massa pesada existente em nosso universo.

Vamos voltar para o vazio e deixar a mecânica quântica para ver a questão do ponto de vista filosófico introduzindo no Universo anterior formado de “vazios” elementos (não importa quais) que em conjunto formarão um Universo contínuo , estável e eterno, que denominaremos Primal, e capaz de formar em seu interior Universo(s) descontínuo(s) e instável(eis), associado(s) ao tempo, e também capaz de absorve-lo(s) como se fosse um “útero”. Usando um pouco mais a imaginação poderíamos dizer que esse “útero” cria Universos e os lança em outra dimensão, ou ainda, ele cria instabilidades e as resolve em seu próprio interior permitindo contrações e expansões internas que não lhe afetam energeticamente.

Na nossa opinião, usando então a Filosofia para completar este modelo, é necessário postular a existência de um conjunto de elementos internos que possuem propriedades capazes de gerar universos em seu interior e organizar a matéria para gerar os fatos que hoje observamos. A esta essência que se manifesta no Multiverso, e que apresenta inteligência criadora e organizadora, denominaremos: יהוה, uma entidade não observável, não explicável e portanto não tratável pela nossa ciência.

A criação de nosso Universo, que é regido por leis físicas bem definidas e mensuráveis implica na aplicação de uma organização inteligente sobre ele, capaz de formar estruturas complexas como átomos, moléculas e seres vivos, que pensam e interagem entre si mesmos considerando-se “seres viventes”. Seres inteligentes que, nascem de um útero, tem um ciclo de vida e são absorvidos pelo meio que os circunda.

Curiosamente, os escritos religiosos na bíblia nos dizem que “Deus chama a existência as coisas que ainda não existem”, isto é, que a manifestação de יהוה sobre as partículas virtuais no vácuo quântico é o que as torna “reais” e as organiza e que ele formou nosso universo como está descrito em Gênesis.

Aí está portanto um paradoxo da ciência: Ou ela encontra um modelo auto-suficiente materialista, baseado em causa e efeito para explicar as coisas, e que se pode medir e observar, ou ela terá que “jogar a toalha” assumindo entidades não observáveis inexplicáveis, como a existência de infinitos universos paralelos no Multiverso, na tentativa de explicar porque existimos. Há cientistas na atualidade que, baseados em estudos da Mecânica Quântica, estão fazendo exatamente isto, e esta é uma interessante análise que fazemos mais detalhadamente no post “A Ciência está perdendo a Objetividade?”

Esta abordagem científica ao final, do ponto de vista filosófico, pouco se diferencia da que propusemos, exceto que ela apresenta uma descrição matemática, mas suas bases são na verdade axiomas, hipóteses não comprovadas, não mensuráveis e não observáveis e pode ser que jamais venham a ser. Se estabelecemos cientificamente a existência de uma essência criadora e organizadora יהוה que cria e interage com as partículas virtuais no vácuo quântico podemos então parar por aqui porque passar a conjecturar sobre a sua natureza passa então a ser um assunto teológico em um campo que não mais pertence à Ciência como a conhecemos.

Até que se prove o contrário, é mais lógico assumir que a organização e a inteligência de um Universo Primal formado por יהוה, em última análise, seja o responsável por nossa existência e transformação. Muito em breve, comparativamente à sua eternidade, irá nos absorver novamente; ele é o “Alpha” e “Ômega”, o princípio e o fim de todas as coisas que conhecemos.