Archive for agosto, 2011


Está claro para mim que a argumentação realizada sobre as bases do materialismo nos 5 posts anteriores, leva a paradoxos que colocam em dúvida suas hipóteses iniciais e induzem a orientar nosso raciocínio à escolha de melhores premissas, ou seja, que Deus sempre existiu e é semelhante aos modelos que a ciência está postulando, onde se deverá considerar a propriedade intensiva denominada Inteligência e assim, caracterizar esse Multiverso, ou parte dele, como “Vivo”.

O que se poderá argumentar contra as idéias aqui apresentadas é que Deus não pode ser definido e, portanto, não há sentido em cogitar sobre ele. Por esse motivo os nomes “Deus” e “deus” foram propositalmente diferenciados. Não podemos afirmar com certeza que esse deus formado pelo nosso universo possa criar outros Universos ou possa ser transportado para eles (se existirem) em outras dimensões mas podemos afirmar, se as premissas iniciais forem válidas, que esse deus tem o potencial de criar vida e poderá se perpetuar indefinidamente, individualmente ou como espécie unificada por valores comuns, produzindo o paradoxo que apresentamos.

O que fizemos aqui foi aproximar progressivamente as duas entidades, deus e Deus e assim obter paradoxos que levam a situações tão improváveis que permitem concluir que é perfeitamente possível acreditar na existência de Deus como uma hipótese inicial, sem maiores provas, como foi apresentado por alguns filósofos, entre eles René Descartes. Einstein acreditava que se poderia chegar a Deus através da razão, ponto que concordamos parcialmente; acreditamos que através da razão nós podemos nos aproximar de Deus e entender somente parte daquilo que Ele é. A idéia de Marcelo Gleiser de que a ciência não conseguirá obter uma teoria unificada de tudo é, na nossa opinião, válida porque para que isso pudesse ocorrer seria necessário inserir nela “a dimensão que falta”, que é a dimensão espiritual e a ciência não fará isso, não porque não quer, mas sim porque não tem como observar os resultados de suas formulações.

Não sendo possível demonstrar a inexistência de Deus e concluindo que se ele não existe o Universo pode criar um deus ou deuses, entendemos como melhor explicação que a associação de um Multiverso ou Universo Primal em N dimensões com a propriedade intensiva “Inteligência” forma uma entidade que podemos chamar Princípio, ou יהוה, capaz de criar sua imagem e semelhança: a matéria-energia-tempo inteligente que chamamos de ser humano, que juntamente aos animais e toda forma de vida, certamente possui “algo mais” do que simples macro-moléculas e estruturas funcionais.

Não descartamos que o Universo tenha criado o homem. O que entendemos é que isto, se ocorreu probabilisticamente, “por acaso”, ocorreu em um ambiente controlado, tendo Deus previamente estabelecido no tempo zero todas as condições iniciais necessárias ao seu desenvolvimento, como é característico de um ser vivo inteligente. Concordamos assim com Gleiser que as imperfeições do Universo são determinantes da diversidade existente e, dentre elas, miríades de criações expontâneas admiráveis e com o pensamento de Einstein de que Deus não tem necessidade de intervir no Universo da matéria.

Do ponto de vista filosófico, acreditamos que o homem, que é material, também possui uma dimensão “extra” onde se encontra sua alma, ou espírito, vinculada à dimensão onde Deus se encontra e a ela retornará após a sua morte físico-química, conclusão esta que não pode ser confirmada e nem negada pela Ciência, é objeto da filosofia e ponto de partida da Teologia e da Religião.

Afinal, Deus existe ? Clique aqui para o início desta série de 6 posts

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Este exercício do pensamento, formado pelos 4 posts anteriores, levou a diversas conclusões a respeito da possível criação de deus pelo Universo e do Universo por deus.

Partimos no começo do pensamento do fato de que Deus não existia e acabamos por criar um deus com diversas características semelhantes às normalmente associadas a ele pela Religião, aproximando-o da onisciência, onipotência e onipresença. Isso nos leva a deduzir que a idéia da existência de Deus não é algo sem base ou irracional.

Também deduzimos que assumir que o ser humano é uma integração da matéria é o mesmo que assumir que somos robôs criados pelo Universo !
A teoria sustentada pelos materialistas leva a um paradoxo que é a formação de um deus imortal no interior de um Universo material que poderá evoluir por bilhões de anos e passar então a modificar, modelar e alterar a si mesmo e ao seu ambiente, semeando a vida em outros planetas e, potencialmente, podendo criar “Universos bebês” em laboratórios, tornando-se uma espécie de deus criador. Para as suas criaturas, seremos tidos como Deus.

Podemos provar que este universo nos criou primeiro e que então criamos outros seres, ou nós viemos depois e fomos criados primeiro por eles ? !!!

Concluimos que o Universo dos materialistas tem a capacidade teórica de criar deuses que, uma vez unificados por um comando central (hierarquia, decisão, agrupamento ou simplesmente fusão) poderá passar a agir com um único Ser, mesmo que em diversas pessoas e mesmo que essas pessoas não sejam imortais, bastando que este Ser se perpetue indefinidamente.

O Paradoxo da Materialidade poderá então ser assim formulado :

Se este Universo tem a capacidade teórica de criar um Ser Unificado Inteligente com um ciclo de vida indefinido, capaz de gerar novas formas de vida e transformar ou controlar o próprio ambiente e, possivelmente, criar novos Universos, então nosso Universo foi capaz de criar uma espécie de deus. Se o Universo cria a deus e deus cria o Universo quem terá surgido primeiro ?

Uma outra forma mais simples de apresentar o Paradoxo :

Se deus pode criar outras formas de vida que podem evoluir e se transformar em deuses, de modo que a criatura e o criador possam co-existir em dimensões separadas, com formas de vida e estruturas diferentes entre si, para cada uma ficará a questão: Somos os primeiros? Somos únicos? Somos criaturas ou criadores ? Deus existe ?.

Uma consequência do segundo paradoxo seria o fato de que se criaturas inteligentes forem formadas em algum planeta elas questionarão a si mesmas, a exemplo de nós mesmos, sobre a existência de Deus, como seu criador e a Religião provavelmente nascerá pelo temor da morte, para ter uma esperança de vida eterna. Por outro lado, a salvação de um indivíduo seria teoricamente possível se selecionássemos alguns elementos daquela comunidade “que valessem a pena continuar vivos” e o retirássemos de lá para a transformação de seu corpo em um “corpo glorificado” igual ao nosso, ou ainda mesmo após sua morte, se antes fizéssemos um “back up” de sua mente e personalidade, para “sua ressurreição no último dia”.

Não estamos assim “brincando” de deus ?

continuação :“Afinal, Deus Existe ? Conclusão”

No post anterior partimos da premissa que Deus não existe e estamos avaliando então o que nós somos se não temos outra dimensão fora da matéria-energia. Vamos continuar então nosso experimento mental usando um pouco mais de imaginação.

A possibilidade, ainda que teórica, de realizar a auto-manutenção da vida em nós mesmos substituindo partes materiais gastas por outros materiais novos, implica que o ser humano, na verdade, é um robô altamente sofisticado. A comparação e similaridade entre seres humanos e robôs foi apresentada por Isaac Asimov no seu livro, transformado em filme, “Eu Robô” e também tema do filme “Inteligência Artificial” de Steven Spielberg.

O mapeamento completo do genoma humano e a identificação da parte do código genético responsável pelo envelhecimento permitirá sua alteração; hormônios e sangue poderão ser substituídos por fluidos sintéticos, ossos por próteses, olhos por sensores sensíveis à luz e ao calor nas radiações ultra-violeta e infra-vermelha, braços e pernas por próteses biônicas, pele por polímeros ultra-resistentes, ouvidos capazes de diferenciar ultra e infra sons, e assim por diante.

Nosso cérebro poderá ser expandido e aumentar de tamanho através da engenharia genética e poderá ser treinado para aumentar ao máximo seu potencial de uso. Posteriormente, podemos imaginar que todos os conhecimentos e experiências que estamos vivendo, um dia, poderão ser transferidos para um computador com eletrônica baseada em nano-tecnologia formado por uma estrutura neural artificial que poderá absorver aquilo que nós somos de fato, isto é, nossa mente e pensamento.

Assim como alguns seres vivos realizam uma “metamorfose”, o ser humanho poderá também realiza-la fazendo sua “transposição” para um sistema material que o mantenha seguro. Do mesmo modo como fazemos um “back up” de memória em um computador poderemos um dia “copiar e colar” informações de nós mesmos e guarda-las para sermos ressucitados em caso de morte acidental.

Podemos também nos expandir associando o mapa “daquilo que somos”, nossa mente e nossa personalidade, com mais informações e capacidades de processamento auxiliares, para formar sistemas extremamente mais desenvolvidos e elaborados, permitindo que sejamos, além de imortais, seres praticamente ilimitados em conhecimento e capacidade de processamento.

Tal possibilidade permitirá o “desdobramento” do ser humano, bastando para isso acoplar sensores de observação ou mesmo corpos de comando remoto que transmitam informações para um cérebro guardado em segurança. O próprio cérebro poderá ser duplicado e interligado permitindo fazer clones perfeitos de si mesmo de modo a estarmos em vários lugares ao mesmo tempo.

Neste dia, o homem terá alcançado e comido “o fruto da árvore da vida” e se tornará imortal, criando formas de vida menos desenvolvidas para sua utilização “escrava”, inicialmente para sua alimentação e produção de bens e depois para sua recreação, quando não forem mais necessárias.

A Teoria da Relatividade Geral prevê a possibilidade teórica de viajarmos para pontos extremos do Universo e ainda fazer viagens no tempo tanto para o futuro quanto para o passado. Se os “buracos de minhoca” (curvaturas pronunciadas do espaço-tempo que fazem caminhos que interligam dois pontos muito distantes do Universo) previstos puderem ser feitos, poderemos não só viajar grandes distâncias rapidamente como transportar objetos do futuro para o passado e progredir rumo ao mais extremo ponto de conhecimento científico possível, sem temer a falência e o final de estrelas e planetas.

Estudos provenientes do colisor LHC do CERN, mostram a possibilidade, ainda teórica, de criar buracos negros infinitesimais, bem como a possibilidade teórica de faze-los propositalmente crescer, se eles forem criados e permanecerem estáveis por um tempo suficientemente longo. Este buraco negro poderia ser, por exemplo, formado em um asteróide no espaço e absorve-lo criando uma massa crítica que desencadeiaria a formação de um corpo estelar fabuloso. Este é um exemplo de como o deus-homem poderia transformar o Universo em que vive e afastar, por exemplo, um sistema solar de outro em uma galáxia.

Hoje já se estuda como transformar luz em matéria e matéria em energia. O domínio da matéria permitirá, por exemplo, transportar em um feixe de laser codificado, todos os conhecimentos e o “mapa cerebral” de uma pessoa e, após sua viajem na velocidade da luz, recebe-la e carrega-la em outro ponto do Universo decodificando as informações. Observe que, neste caso, não há qualquer necessidade de congelar as pessoas e transportar suas massas por centenas de anos em baixas velocidades (porque a massa não pode viajar na velocidade da luz).

Podemos assumir que diversas naves robô serão lançadas em algum momento mapeando o espaço e colocando receptores nos planetas e satélites que foram escolhidos para esta finalidade, ou que os receptores viajaram através de “buracos de minhoca” que unem os dois pontos.

Finalmente, a mais impressionante, e teoricamente possível conseqüência de tudo isto: Se a humanidade, assim transformada, unir todos os seus cérebros e experiências e personalidades em um só cérebro, mas que permita a cada um manter sua individualidade e ao mesmo tempo se unir ao todo, chegaremos em algum momento à unicidade, a formação de um único deus em muitas pessoas.

Nesse dia, estaremos imortalizados, nós, que somos somente matéria, porque “Deus não existe” (nossa hipótese preliminar), nós, que fomos um dia formados no “barro” como organismos mais simples do que os vermes pelas interações químicas entre partículas eletricamente carregadas agora somos seres supremos.

“Sou imortal, evoluí para a condição de deus, senhor de mim mesmo, da ciência e do Universo”.

No próximo post veremos que problemas esta conclusão pode trazer para as premissas do materialismo.

continuação: “O Paradoxo da Materialidade”

Artigo: Imortalidade Humana