Imagem obtida pelo telescópio espacial de reflexão da NASA “Hubble”

No post “O Limite da Ciência” foi avaliado a origem de nosso Universo e comentado sobre a impossibilidade de que um vazio eterno possa gerar o Universo que conhecemos. Vamos falar um pouco mais sobre isto aqui para mostrar o que a ciência pensa a respeito e como ela tenta explicar o aparecimento do nosso Universo sem considerar a existência de Deus. Para a maioria das pessoas que lerem esse post ele será considerado um tanto bizarro ou “criativo”, porém procurei ser fiel ao que a física teórica está pensando neste momento, de modo que essa “criatividade” fica por conta dos cientistas.

As diversas linhas de pesquisa usam termos como “decaimento do vácuo quântico”, “supercordas”, “espaço-tempo com dimensões extra” ou “colisões de multibranas” que não podem ser considerados como misticismo ou mera especulação, dado que tem como objetivo principal obter previsões que se comparem, o melhor possível, ao que podemos medir e observar neste universo.

São modelos que usam a matemática e a física para tentar reproduzir e entender a realidade que vemos. Um exemplo seria a idéia de Demócrito (400 A.C.) que desenvolveu a teoria de que tudo seria composto por partículas indivisíveis e invisíveis a olho nu. Podemos dizer que esse modelo evoluiu muito, mas que ele também foi muito útil para o nascimento da química entre outras ciências.

Quando um modelo não se adapta ao que é observado ou então é substituído por um outro melhor, ele é simplesmente abandonado e colocado na “pilha” das muitas tentativas que tem sido feitas, por exemplo, para encontrar uma explicação que unifique a ciência, chamada de teoria da unificação ou Teoria do Tudo.

O físico brasileiro, Dr Marcelo Gleiser, através do seu livro “A Criação Imperfeita”, que vale a pena ser lido, apresenta a idéia original de que é possível que esta teoria unificadora simplesmente não exista, e que poderão se passar infindáveis anos de busca sem se obter um resultado adequado. Isto vai de encontro ao pensamento que coloquei no post anterior, somente que por razões muito diferentes das consideradas por ele. Essa teoria pode não ser encontrada, pelo motivo de que nossa simples ciência não pode explicar algo que está “acima” dela e tampouco nos é observável.

A maioria dos textos abaixo foram extraídos deste livro com a finalidade de comparar idéias muito similares ao de meu post mas que chegam por fim à conclusões diametralmente opostas no que se refere à existência de uma objetividade ou direcionamento na criação de nosso Universo e do ser humano. Segundo Gleiser, este direcionamento não existe porque somos um resultado maravilhoso e especial de fenômenos completamente aleatórios.

Para algumas teorias modernas que lidam com a origem do espaço, do tempo e da matéria, existe um “nada quântico”, uma entidade de onde “universos-bebês” podem surgir ocasionalmente chamada de “Multiverso” ou “Megaverso”. Em algumas versões, esse ele é eterno e, portanto, não foi criado. Comparando com o post anterior, esse “multiverso” seria o “Universo Primal”, com a diferença que este é sempre a “primeira causa”, ou seja, o nosso Universo deriva dele.

No interior desse Multiverso, de existência cósmica eterna ocorrem flutuações de energia aleatórias que dão origem a bolhas de espaço, os “universos-bebês”. A maioria dessas flutuações desaparece, sendo absorvidas novamente pela “sopa quântica” de onde vieram, porém algumas crescem. Nelas, um equilíbrio entre a força da gravidade e a energia armazenada no espaço permite que surjam Universos sem um gasto de energia.

Isso concorda com o post anterior onde eu disse que nenhuma teoria poderá desafiar a segunda Lei da Termodinâmica, aliás, essa idéia foi originalmente aplicada aos princípios da Cosmologia pelo astrofísico britânico Arthur Eddington. Somente que eu não acredito que este processo, sem consumo energético, possa ser feito na prática, que exista por si próprio ou que seja real, ocorrendo sem a existência de outras realidades que o suportem, porque os fenômenos observáveis pela nossa ciência são todos “irreversíveis” e em total desequilíbrio, não favorecendo na minha opinião a possibilidade que a idéia seja verdadeira.

Assim, segundo algumas linhas da ciência moderna, é possível, ao menos em tese, criar um universo “a partir do nada”, um “vácuo quântico”, produzindo uma “sopa borbulhante de universos-bebês”, porém isso não é de modo algum um vazio eterno.

Retomando a idéia de um Universo vazio, estéril, imutável, sem tempo, sem matéria, sem energia e sem movimento, foi comentada a impossibilidade lógica de ele pudesse criar as coisas que conhecemos, a partir “do nada” e nisso concordamos também. Um Universo vazio não pode gerar qualquer coisa, quebrando o princípio da “causa e efeito”, por isso o modelo proposto pela ciência é o de um sistema eterno, atemporal e imutável onde podem surgir variações no seu interior e nós somos parte dessas variações, estamos “dentro” delas.

Abordamos acima a questão dos modelos da física para o Multiverso, baseados no “vácuo quântico”, mas podemos fazer uma abordagem microscópica e também tratar a questão filosoficamente, como fizemos na continuação deste tema em “Ser ou Não Ser?”

Podemos finalizar mostrando que a formulação científica de um espaço “não vazio” eterno e criador se confunde em uma visão panteísta com a noção de “Deus”… porque surge a interessante questão se esta “origem criadora de tudo” proporcionou a criação e evolução dos seres humanos, de “deuses” ou de um grande e poderoso “Deus” ou se foi o contrário…

Uma coisa é certa: estamos aqui! Se podemos evoluir e controlar nossa evolução, porque alguém não pode ter surgido antes de nós em um dos infinitos Universos do Multiverso e se perpetuou?

Aqui surge também a principal diferença entre o post anterior e essas teorias: a este universo fundamental associamos uma nova entidade inteligente simbolizada por 4 letras hebraicas que não podem ser traduzidas, nem pronunciadas, mas que nas escrituras judaico – cristãs o texto formado é traduzido por JAVÉ, “Aquele que É”, o “Eu Sou”, “Aquele que existe eternamente”.

Assim como a ciência não se “inicia” nem se desenvolve sem princípios não demonstráveis, que são simplesmente aceitos, do mesmo modo a afirmação da existência de uma “inteligência viva” associada a este Multiverso ou Universo Primal, não é uma idéia teoricamente irrecusável.

Finalizando, considero a existência de um “princípio de tudo”, que se caracteriza por uma inteligência suprema, chamada pelos teólogos de Deus; algo que pode ser tratado cientificamente como um axioma matemático, postulado, ou hipótese, um princípio evidente por si mesmo, uma afirmação não demonstrada, aceita como verdadeira a exemplo da Lei da Conservação da Energia, na física.