Está claro para mim que a argumentação realizada sobre as bases do materialismo nos 5 posts anteriores, leva a paradoxos que colocam em dúvida suas hipóteses iniciais e induzem a orientar nosso raciocínio à escolha de melhores premissas, ou seja, que Deus sempre existiu e é semelhante aos modelos que a ciência está postulando, onde se deverá considerar a propriedade intensiva denominada Inteligência e assim, caracterizar esse Multiverso, ou parte dele, como “Vivo”.

O que se poderá argumentar contra as idéias aqui apresentadas é que Deus não pode ser definido e, portanto, não há sentido em cogitar sobre ele. Por esse motivo os nomes “Deus” e “deus” foram propositalmente diferenciados. Não podemos afirmar com certeza que esse deus formado pelo nosso universo possa criar outros Universos ou possa ser transportado para eles (se existirem) em outras dimensões mas podemos afirmar, se as premissas iniciais forem válidas, que esse deus tem o potencial de criar vida e poderá se perpetuar indefinidamente, individualmente ou como espécie unificada por valores comuns, produzindo o paradoxo que apresentamos.

O que fizemos aqui foi aproximar progressivamente as duas entidades, deus e Deus e assim obter paradoxos que levam a situações tão improváveis que permitem concluir que é perfeitamente possível acreditar na existência de Deus como uma hipótese inicial, sem maiores provas, como foi apresentado por alguns filósofos, entre eles René Descartes. Einstein acreditava que se poderia chegar a Deus através da razão, ponto que concordamos parcialmente; acreditamos que através da razão nós podemos nos aproximar de Deus e entender somente parte daquilo que Ele é. A idéia de Marcelo Gleiser de que a ciência não conseguirá obter uma teoria unificada de tudo é, na nossa opinião, válida porque para que isso pudesse ocorrer seria necessário inserir nela “a dimensão que falta”, que é a dimensão espiritual e a ciência não fará isso, não porque não quer, mas sim porque não tem como observar os resultados de suas formulações.

Não sendo possível demonstrar a inexistência de Deus e concluindo que se ele não existe o Universo pode criar um deus ou deuses, entendemos como melhor explicação que a associação de um Multiverso ou Universo Primal em N dimensões com a propriedade intensiva “Inteligência” forma uma entidade que podemos chamar Princípio, ou יהוה, capaz de criar sua imagem e semelhança: a matéria-energia-tempo inteligente que chamamos de ser humano, que juntamente aos animais e toda forma de vida, certamente possui “algo mais” do que simples macro-moléculas e estruturas funcionais.

Não descartamos que o Universo tenha criado o homem. O que entendemos é que isto, se ocorreu probabilisticamente, “por acaso”, ocorreu em um ambiente controlado, tendo Deus previamente estabelecido no tempo zero todas as condições iniciais necessárias ao seu desenvolvimento, como é característico de um ser vivo inteligente. Concordamos assim com Gleiser que as imperfeições do Universo são determinantes da diversidade existente e, dentre elas, miríades de criações expontâneas admiráveis e com o pensamento de Einstein de que Deus não tem necessidade de intervir no Universo da matéria.

Do ponto de vista filosófico, acreditamos que o homem, que é material, também possui uma dimensão “extra” onde se encontra sua alma, ou espírito, vinculada à dimensão onde Deus se encontra e a ela retornará após a sua morte físico-química, conclusão esta que não pode ser confirmada e nem negada pela Ciência, é objeto da filosofia e ponto de partida da Teologia e da Religião.

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