Vamos supor que Deus não exista, ou seja, não existe uma inteligência transformadora que possa ser entendida como Vida e que foi responsável pela nossa criação e de nosso Universo (segunda premissa).

Nesse caso, podemos supor que em breve haverá um consenso sobre uma das teorias propostas pela Ciência como a do “Vácuo Quântico” em um “Multiverso”, eterno e imutável, de onde surgem bolhas, descontinuidades formadas em seu interior que fazem surgir matéria-energia-tempo, criando uma “sopa de universos-bebês”. Veja o post: “O Vácuo Quântico”.

Nosso Universo poderia ser explicado, por exemplo, pela Teoria M, baseada na linha de pesquisa chamada “supercordas”, que postula haver 11 dimensões, sendo as 3 que conhecemos relativas ao espaço, o tempo, e outras 7 que estão sendo estudadas através de testes no colisor de partículas LHC – Large Hadron Collider, o maior do mundo na atualidade.

Eu existo, mas Deus não existe (primeira e segunda premissas).

Se eu existo, mas Deus não existe, então eu concluo que eu sou um ser formado por partes como cabeça, tronco e membros, órgãos internos, células, neurônios, moléculas, átomos, e muitas outras que realizam funções e processos interligados.

Se eu sou um ser material então eu não tenho uma alma, nem espírito, nem qualquer propriedade extra-material como uma “energia inteligente” que possa prevalecer após minha morte e a morte para mim será o fim de tudo, do meu passado, dos meus feitos, de minha memória. Estou vivo e tenho inteligência, mas a inteligência é mera conseqüência da matéria e não uma propriedade intensiva e independente, que exista por si mesma ou que esteja associada a outra dimensão fora da matéria.

Nos últimos 400 anos a física tem se desenvolvido a ponto de investigar as partículas elementares e conhecer as suas propriedades. Na engenharia genética surgem as células-tronco e os clones, na bio-engenharia temos próteses que utilizam materiais leves de grande resistência mecânica, quimicamente inertes e estruturas mecânicas multiplicadores da força e velocidade humana para utilização em portadores de necessidades especiais, na química novos polímeros que diminuem a possibilidade de rejeição no corpo humano para a construção de órgãos artificiais como o pulmão e o coração, na eletrônica, dispositivos comandados pelo pensamento, na cosmologia tem-se examinado planetas e galáxias observando estrelas até 13 bilhões de anos luz estabelendo teorias da criação do Universo. Tudo isso em apenas 400 anos !!!

Investiga-se hoje a origem da vida e alguns modelos tem sido propostos para tentar criar a vida em laboratório do mesmo modo que o Universo a teria criado. Recentemente, uma molécula de DNA sintético foi introduzida em uma bactéria e ela se reproduziu normalmente abrindo caminho para produzir micro-organismos sintéticos capazes de realizar tarefas como despoluição de água por exemplo ou a produção de produtos químicos.

A ciência continuará a se desenvolver até o limite de alcançar todo o conhecimento possível (terceira premissa).

Conclui-se que o conhecimento se ampliará até que o ser humano domine o Universo o suficiente para desenvolver e perpetuar sua espécie, colonizar outros planetas, criar novas formas de vida, viajar no espaço a ponto de não se limitar à sua morada na Terra e possivelmente irá conseguir transformar a atmosfera de certos planetas para adequa-los à vida humana.

Se sobrevivermos a nós mesmos e pudermos fugir dos cataclismas nos próximos 100 mil anos (o que é isso perto da idade do Universo, igual a 14 bilhões de anos?) – quarta premissa – conseguiremos reproduzir o corpo humano de um modo mais nobre, sem fome, nem dor; um corpo material superior, mais forte e com partes substituíveis após o envelhecimento.

O ser humano transforma-se então em uma espécie de deus que poderá evoluir por tempo indeterminado.
As conseqüências disto e um pouco de ficção científica veremos no próximo post.

“Um pouco de Ficção Científica”