No post anterior partimos da premissa que Deus não existe e estamos avaliando então o que nós somos se não temos outra dimensão fora da matéria-energia. Vamos continuar então nosso experimento mental usando um pouco mais de imaginação.

A possibilidade, ainda que teórica, de realizar a auto-manutenção da vida em nós mesmos substituindo partes materiais gastas por outros materiais novos, implica que o ser humano, na verdade, é um robô altamente sofisticado. A comparação e similaridade entre seres humanos e robôs foi apresentada por Isaac Asimov no seu livro, transformado em filme, “Eu Robô” e também tema do filme “Inteligência Artificial” de Steven Spielberg.

O mapeamento completo do genoma humano e a identificação da parte do código genético responsável pelo envelhecimento permitirá sua alteração; hormônios e sangue poderão ser substituídos por fluidos sintéticos, ossos por próteses, olhos por sensores sensíveis à luz e ao calor nas radiações ultra-violeta e infra-vermelha, braços e pernas por próteses biônicas, pele por polímeros ultra-resistentes, ouvidos capazes de diferenciar ultra e infra sons, e assim por diante.

Nosso cérebro poderá ser expandido e aumentar de tamanho através da engenharia genética e poderá ser treinado para aumentar ao máximo seu potencial de uso. Posteriormente, podemos imaginar que todos os conhecimentos e experiências que estamos vivendo, um dia, poderão ser transferidos para um computador com eletrônica baseada em nano-tecnologia formado por uma estrutura neural artificial que poderá absorver aquilo que nós somos de fato, isto é, nossa mente e pensamento.

Assim como alguns seres vivos realizam uma “metamorfose”, o ser humanho poderá também realiza-la fazendo sua “transposição” para um sistema material que o mantenha seguro. Do mesmo modo como fazemos um “back up” de memória em um computador poderemos um dia “copiar e colar” informações de nós mesmos e guarda-las para sermos ressucitados em caso de morte acidental.

Podemos também nos expandir associando o mapa “daquilo que somos”, nossa mente e nossa personalidade, com mais informações e capacidades de processamento auxiliares, para formar sistemas extremamente mais desenvolvidos e elaborados, permitindo que sejamos, além de imortais, seres praticamente ilimitados em conhecimento e capacidade de processamento.

Tal possibilidade permitirá o “desdobramento” do ser humano, bastando para isso acoplar sensores de observação ou mesmo corpos de comando remoto que transmitam informações para um cérebro guardado em segurança. O próprio cérebro poderá ser duplicado e interligado permitindo fazer clones perfeitos de si mesmo de modo a estarmos em vários lugares ao mesmo tempo.

Neste dia, o homem terá alcançado e comido “o fruto da árvore da vida” e se tornará imortal, criando formas de vida menos desenvolvidas para sua utilização “escrava”, inicialmente para sua alimentação e produção de bens e depois para sua recreação, quando não forem mais necessárias.

A Teoria da Relatividade Geral prevê a possibilidade teórica de viajarmos para pontos extremos do Universo e ainda fazer viagens no tempo tanto para o futuro quanto para o passado. Se os “buracos de minhoca” (curvaturas pronunciadas do espaço-tempo que fazem caminhos que interligam dois pontos muito distantes do Universo) previstos puderem ser feitos, poderemos não só viajar grandes distâncias rapidamente como transportar objetos do futuro para o passado e progredir rumo ao mais extremo ponto de conhecimento científico possível, sem temer a falência e o final de estrelas e planetas.

Estudos provenientes do colisor LHC do CERN, mostram a possibilidade, ainda teórica, de criar buracos negros infinitesimais, bem como a possibilidade teórica de faze-los propositalmente crescer, se eles forem criados e permanecerem estáveis por um tempo suficientemente longo. Este buraco negro poderia ser, por exemplo, formado em um asteróide no espaço e absorve-lo criando uma massa crítica que desencadeiaria a formação de um corpo estelar fabuloso. Este é um exemplo de como o deus-homem poderia transformar o Universo em que vive e afastar, por exemplo, um sistema solar de outro em uma galáxia.

Hoje já se estuda como transformar luz em matéria e matéria em energia. O domínio da matéria permitirá, por exemplo, transportar em um feixe de laser codificado, todos os conhecimentos e o “mapa cerebral” de uma pessoa e, após sua viajem na velocidade da luz, recebe-la e carrega-la em outro ponto do Universo decodificando as informações. Observe que, neste caso, não há qualquer necessidade de congelar as pessoas e transportar suas massas por centenas de anos em baixas velocidades (porque a massa não pode viajar na velocidade da luz).

Podemos assumir que diversas naves robô serão lançadas em algum momento mapeando o espaço e colocando receptores nos planetas e satélites que foram escolhidos para esta finalidade, ou que os receptores viajaram através de “buracos de minhoca” que unem os dois pontos.

Finalmente, a mais impressionante, e teoricamente possível conseqüência de tudo isto: Se a humanidade, assim transformada, unir todos os seus cérebros e experiências e personalidades em um só cérebro, mas que permita a cada um manter sua individualidade e ao mesmo tempo se unir ao todo, chegaremos em algum momento à unicidade, a formação de um único deus em muitas pessoas.

Nesse dia, estaremos imortalizados, nós, que somos somente matéria, porque “Deus não existe” (nossa hipótese preliminar), nós, que fomos um dia formados no “barro” como organismos mais simples do que os vermes pelas interações químicas entre partículas eletricamente carregadas agora somos seres supremos.

“Sou imortal, evoluí para a condição de deus, senhor de mim mesmo, da ciência e do Universo”.

No próximo post veremos que problemas esta conclusão pode trazer para as premissas do materialismo.

continuação: “O Paradoxo da Materialidade”

Artigo: Imortalidade Humana