Na revista Scientific American Brasil deste mês (setembro 2011) a matéria de capa que leva o título deste post me chamou a atenção, porque havia recentemente postado o “O Limite da Ciência: יהוה” e o “Princípio da Incerteza no Multiverso” e então comprei a revista.
Achei a matéria muito bem escrita, com clareza, objetividade e uma boa tradução.

Outro ponto que me chamou a atenção foi relativo à franqueza, seriedade e humildade do cosmólogo George F. R. Ellis da University of Cape Town, especialista em Relatividade Geral e co-autor com Stephen Hawking do livro “The Large Scale Structure of Space Time” (1975).

Retomando a definição de Multiverso do post “O Vácuo Quântico” temos um conjunto de Universos formados em seu interior, como bolhas que “aparecem” em função das interações existentes, que tem um determinado tempo de duração. Importante dizer que essa teoria é aceita na Cosmologia de modo geral, e que existem muitas variações sobre esse tema como por exemplo a idéia que cada universo tem sua própria composição e distribuição de matéria (ou anti-matéria) e partículas atômicas próprias de modo que as leis da física de uns não se apliquem necessariamente aos outros. Há quem afirme também que a quantidade desses universos tende ao infinito, que podem existir junto ao nosso mas em ondas quânticas diferentes e que em muitos deles existem condições possíveis para a formação de vida e em outros, devido à uma alta concentração de energia, a vida não é possível.

Como afirma porém Ellis, existe um princípio de incerteza que impede de imediato o amadurecimento de algumas teorias, que ele expressa nas seguintes frases ao longo do texto:

“O problema é que nenhuma observação astronômica será, jamais, capaz de enxerga-los”.
“Não acredito que a existência desses universos tenha sido provada, ou mesmo que venha a ser”.
“Não sabemos o que realmente acontece porque não temos informação sobre essas regiões…. e jamais teremos”.

Essas observações concordam com as nossas, no caso, aplicadas à uma comparação entre a ciência e a metafísica:
“O Multiverso proposto pela ciência, ao ser modelado, descreverá parte daquilo que é יהוה e, ao mesmo tempo, nunca poderá ser inteiramente conhecido, porque é inobservável”.

Outro ponto interessante do texto:
“Um fato notável sobre nosso universo é que as constantes físicas tem exatamente os valores necessários para permitir estruturas complexas incluindo seres vivos”;
”Se o universo é apenas um de uma espécie, aquelas propriedades parecem inexplicáveis. Como podemos entender por exemplo, o fato de que a física tem precisamente aquelas propriedades altamente restritas que permitem a vida existir ?”.

No caso, a teoria do Multiverso foi criada justamente para justificar essa enorme improbabilidade, sem ter que se admitir a existência de um Criador, porque quanto maior a existência de universos, especialmente se forem em número infinito, mais simples é assumir a nossa própria existência. Ellis porém estabelece uma crítica contundente quanto a isto “No caso do Multiverso, estamos supondo a existência de um número enorme, talvez até infinito, de entidades inobserváveis para explicar apenas um universo existente” (o nosso !!). “Não passa nem perto da crítica do filósofo inglês do século XIV, William de Ockham que “entidades não devem ser multiplicadas além do necessário”.

Essa observação é concordante com a nossa no post citado: “O simples fato de ainda faltar massa a ser descoberta para justificar uma nova contração com os modelos existentes e ter que se assumir um Universo que se expande indefinidamente até a morte leva alguns cientistas ao desespero de buscar a todo preço explicações ……. para a ciência torna-se obrigatório encontrar um modelo “auto-suficiente” que não dependa de um aparecimento e de um desaparecimento !!!”.

Outro ponto que chama a atenção quanto ao “desespero científico” em tentar explicar o que pode ser inexplicável pode ser resumido por Ellis conforme abaixo:

“Pelo fato de as teorias envolvendo um Multiverso poderem explicar quase tudo, qualquer observação pode ser acomodada por alguma variante da teoria. As provas propõem que devemos aceitar a explicação teórica em vez de insistir em testes observacionais. Mas testes como estes tem sido, até hoje, a exigência central do empreendimento científico e abandona-los é um grande risco. Se afrouxarmos a exigência de dados sólidos, enfraqueceremos a razão central do sucesso da ciência nos últimos séculos”.

Finalmente, ele acrescenta que há outras explicações, como de que nosso universo é um puro acaso, ou que ele tenha sido criado por um propósito ou intenção de alguma existência adjacente. “Se o Multiverso existe ele veio à luz por necessidade, acaso ou propósito ?”. Isto é exatamente o ponto central de nosso post “O Limite da Ciência: יהוה” onde entendemos que não somente postular a existência de Deus é possível como também coerente e tão inobservável quanto muitas das teorias científicas atuais, mas que deve ser tratada no campo filosófico, caracterizando então “o limite da ciência”.

Ellis arremata que os testes empíricos são o ponto central da ciência e, assim, voltamos ao princípio da incerteza, acaso isso não possa ser feito e chegamos à conclusão de Marcelo Gleiser de que a ciência jamais será capaz de explicar a realidade por completo.