Esta semana foi noticiado que experiências transferindo partículas entre dois laboratórios de física, o CERN (na Suiça) e em Gran Sasso (na Itália), distantes 732 km, mostraram que essas partículas, os neutrinos, viajaram com velocidades superiores à da luz, cerca de 300.000 km/s.

Tal observação desafia a teoria da relatividade restrita de Einstein, formulada em 1905, que informa que a velocidade da luz é um limite universal, uma constante, e que qualquer partícula ou onda não poderá viajar além deste limite.

Cientistas brasileiros como Marcelo Gleiser, Alexandre Cherman e Ernesto Kemp não acreditam que as medições estejam corretas e que existe um erro sistemático afetando todas as 15.000 medidas efetuadas mas que, se por acaso for descoberto que essas medidas estão corretas, abre-se uma importante precedência na teoria da relatividade. Essa ruptura permite desdobramentos imprevisíveis como por exemplo, viagens no tempo e o envio de informações para o passado como no filme “Déjà Vu” estrelado por Denzel Washington em 2006.

Uma das possíveis consequências que eu pesquisei é o fortalecimento dos princípios da mecânica quântica, proposta por Niels Bohr e Heisenberg em 1925, no que se refere à teoria da não-localidade, através da qual se afirma que quando um determinado fenômeno ocorre no universo ele poderá afetar instantaneamente outros sistemas localizados em qualquer distância.

Esse é apenas um dos muitos pontos afirmados por essa teoria que desafiam a intuição e a ciência clássica e nos aproximam de temas filosóficos e espirituais.

Desde a década de 60 diversas experiências foram feitas e fornecem fortes evidências de que um evento quântico em um local pode afetar um evento em outro local, sem nenhum mecanismo óbvio para a comunicação entre os dois locais de modo que para duas partículas, parece que algo que acontece para uma delas pode se propagar instantaneamente para a outra; isso é conhecido como “não localidade”.

Para apoiar essa teoria existe o teorema de Bell (1965) baseado na teoria do físico David Bohm (1952), que fala de uma realidade na qual uma causa pode se propagar instantaneamente, que existe uma realidade física, com “variáveis ocultas”, que ninguém jamais pode observar diretamente. O teorema de Bell foi comprovado pela primeira vez em 1972 por John Clauser, de Berkeley e o físico francês Alain Aspect (1982), realizou o experimento proposto por Bell, e descobriu que sob certas circunstâncias, partículas subatômicas como os elétrons são capazes de instantaneamente se comunicar uns com os outros não importando a distância entre eles, podem ser 5 metros ou 5 milhões de kilômetros. De alguma forma uma partícula sempre sabe o que a outra está fazendo.

O problema com esta descoberta é que ela coloca em questão a afirmação de Einstein que nenhuma comunicação pode viajar mais rápido do que a velocidade da luz. E como viajar mais rápido que a velocidade da luz é o objetivo máximo para quebrar a barreira do tempo, este fato tem feito com que muitos físicos tentem encontrar explicações para mostrar que existe um erro nas demonstrações de Aspect.

A descoberta do laboratório CERN pode, entretanto, reforçar o princípio da não-localidade e aproximar ainda mais a Ciência e a Filosofia, e fortalecer diversos conceitos religiosos nos quais muitas pessoas acreditam, mesmo sem conhecer física quântica.

Um exemplo simples é uma pessoa que acredita que poderá impedir ou fazer acontecer um determinado efeito através da força do pensamento, ou da fé, ou da oração. Independentemente destas teorias se aplicarem ou não ao caso, isso mostra que o ser humano tem intuitivamente uma noção de “não localidade” ao acreditar que seu pensamento pode viajar até o objeto proposto “a tempo” de influenciar um acontecimento.