Poucas pessoas já pararam para pensar e concluíram que a pobreza, a fome, as doenças, o misticismo, o radicalismo e o extremismo, o consumo de drogas, a violência em todas as suas formas como as guerras e as agressões contra a mulher, a mortalidade infantil, a poluição e a degradação do meio ambiente são desafios que irão determinar se a linha de tempo que apresentamos no primeiro post vai continuar para nós ou a natureza vai, simplesmente, e sem muita dificuldade, eliminar nossa existência, como tem feito com inúmeras espécies vivas desde o início da vida no planeta.

Para compreender corretamente os problemas que nos desafiam é necessário considerar o conjunto das suas causas, conjecturais ou duradouras, bem como as suas implicações que podem ser agrupadas em razões sócio-culturais, econômicas e políticas.

Segundo a teoria do sociólogo francês Raymond Boudon:

– Todo fenômeno social é produto de ações, comportamentos e crenças dos indivíduos.
– Toda ação individual pode ser compreendida.
– As ações ou crenças individuais são o produto da razão.
– A razão considera o seu efeito, a conseqüência de seus atos.
– Os indivíduos interessam-se exclusivamente ou prioritariamente por seus interesses pessoais.
– Os indivíduos avaliam as vantagens e desvantagens pessoais de suas crenças escolhendo as que lhe tragam mais benefícios.

Assim, o fator primário para a mudança está no interesse de cada indivíduo em realiza-la, o que passa necessariamente pelo conhecimento dos problemas que o cercam e então ter uma atitude real que o possibilite a atingir metas, como por exemplo, os 8 objetivos de Desenvolvimento do Milênio estabelecidos em 2000 pela Organização das Nações Unidas (ONU) em conjunto com 191 países, incluindo o Brasil (vide figura no topo do post).

Podemos dizer que a primeira e profunda causa básica que determina a existência de problemas como o consumo de drogas, a violência, a pobreza e a degradação do meio ambiente, entre outros, é o Agnosticismo Social, um termo que remete a um estado de total indiferença de algumas pessoas quanto ao meio em que vivem e seus desafios quanto à evolução dos padrões éticos e humanos e quanto ao aumento da qualidade de vida.

O resultado desse comportamento humano é uma substituição de categorias, como a do humanismo pelo individualismo, que nega a sociabilidade do homem, a do historicismo para uma pseudo-historicidade subjetivista, que transforma a história real em superficial e da razão dialética por um irracionalismo fundado num agnosticismo decorrente da limitação da racionalidade.

Reunidos no efêmero do ocasional, alguns indivíduos fragmentam a consciência coletiva na anestesia do conforto mútuo da celebração ou ainda por comportamentos morais inadequados: busca egoísta do dinheiro, sem considerar todo o processo que é seguido para consegui-lo (o “lucro a qualquer preço”), a busca do poder e das vantagens pessoais no serviço público, a perda do sentido de serviço à comunidade, em benefício exclusivo de pessoas ou de grupos; sem esquecer a corrupção, sob as mais diversas formas, a qual nenhum país se pode afirmar isento.

A correção para isto não se encontra na verdade ou na convicção pessoal ou de grupo, mas em questionarmos a própria natureza da ação individual e dos seus efeitos, e então nos alinharmos às ações coletivas em curso. Aceitando os princípios da construção social da “realidade” em que vivemos, quanto tempo resistirá nossa inteligência à “ausência” de debate? Será que estamos a aceitar definitivamente a nova ideologia dominante, o relativismo intencionalmente ignorante do agnosticismo social?”

Um exemplo simples, para início de qualquer esforço maior, são as pequenas atitudes que podemos tomar diariamente para criar um mundo melhor, como por exemplo, respeitar as demarcações de vagas preferenciais para idosos ou portadores de necessidades especiais. WeAre WhatWeDo

Assim, a causa profunda da falta de desenvolvimento, ou de um desenvolvimento social desequilibrado, levando à possibilidade de não estarmos mais aqui no próximo ponto da escala de tempo de nossa espécie, é também de ordem ética, ligada à vontade e à capacidade de imersão de cada “Eu” no oceano do “Nós”, o que pressupõe o desprendimento das próprias necessidades para adquirir uma visão holística que abrange todos os níveis da complexa realidade das estruturas, legislações e comportamentos; manifesta-se na concepção e na realização de atos cujo alcance pode ser suficiente para a libertação e perpetuação de nossa espécie.

O Equilibrista Bêbado