foto do telescópio Hubble mostrando a nebulosa de Orion. Foi a partir de uma nebulosa semelhante a esta que nasceu nosso sistema solar

No post “O Princípio da Incerteza no Multiverso” eu prometi escrever algo sobre ciência x religião. Lá foi dito que ambas usam vocabulários diferentes requerendo uma análise semântica (do real significado das palavras) para se poder comparar pensamentos similares; utilizam métodos distintos e tem objetivos diferentes. Sendo assim, não haveria porque haver confronto mútuo ou mesmo comparação entre elas.

Existem, porém, intersecções entre a ciência e a religião, assim como ocorre em qualquer campo de atividade ou conhecimento e é justamente aí que começam as questões e surge o objetivo deste post. A interseção que nos interessa comentar e se apresenta nos posts da série “Filosofia”, é a existência de Deus (vide a série de 6 posts “Afinal, Deus Existe ?”), se há vida inteligente responsável pelo nosso aparecimento na Terra (vide “O Limite da Ciência”) e sobre a existência de uma dimensão não material ligada à vida, de modo a ser o fator que a caracterize e a diferencie de estruturas meramente materiais. Apresentamos em Gênesis uma interessante ponte entre a Ciência e a Religião para mostrar que em alguns casos ambas também podem convergir ao mesmo ponto.

Na cosmologia e na biologia (particulamente na exobiologia), esses assuntos são tratados e discutidos, utilizando palavras como Multiversos, dimensões extras e a busca de vida extraterrestre, assuntos que ao serem traduzidos em palavras diferentes, como “Deus” ou “alma” ou “espírito”, ou “criação”, ou “anjos”, levam invariavelmente à polêmica. A teoria da evolução, a idade da terra, a origem da vida, a busca de extra-terrestres e de vida no universo são assuntos tratados pela ciência e pela religião, e esta é uma zona que poderia ser de debate, mas na prática é de conflito, porque a maior parte das pessoas ou não conhecem a religião, ou não conhecem a ciência, ou não estão preparadas para conviver com as duas coisas simultaneamente.

No post “A Evolução do Pensamento” mostramos que, na verdade, não se poderá separa-las, porque são fruto do pensamento humano e provenientes do lado direito e do lado esquerdo do cérebro, criados como ferramentas para a nossa sobrevivência como espécie.

Poderá a ciência um dia substituir a religião ?

Provavelmente não, há uma respeitável corrente de pensamento segundo a opinião de muitos cientistas e filósofos que diz que a ciência nunca poderá conhecer e explicar toda a verdade, uma questão interessante e que tem gerado debates. Enquanto houver mistério e o senso de algo oculto a ser revelado, provavelmente haverá a religião para explicar.

Há porém aqueles que querem alcançar isto pelo conflito de ideias, grupos que generalizam e desprezam a religião reduzindo-a a uma forma de misticismo e ignorância. Alguns, pelo fato exclusivo de se considerarem cientistas ou pensadores, entendem que devem ser ateus, ou agnósticos até que fatos mostrem o contrário. A escolha individual do ateísmo ou do agnosticismo constitui-se em si mesmo uma questão pessoal de convicção de fundo religioso, moral ou de valores, mas não de caráter científico.

O erro está em tratar os religiosos como ignorantes ou místicos e colocar sob a mesma medida aqueles que professam uma fé baseada em pensamentos e atos progressistas e aqueles que professam sua fé pregando a divergência e o confronto.

Poderá a religião substituir a ciência ?

Sim, o fundamentalismo pode aniquilar qualquer coisa, a começar pela vida humana. São grupos que afirmam que a ciência é falsa quando há conflito com seus livros sagrados, conforme sua particular interpretação. A verdadeira religião, no entanto, segue as leis científicas reconhecendo-as como provenientes do criador.

Igualmente, nada impede que se possa expressar opiniões de caráter religioso que coloquem em descrédito algumas teorias científicas ainda não consolidadas, como a existência de universos paralelos ou Multiversos, ou inteligência alienígena, porém existem grupos que se opõem ao conhecimento atrasando o desenvolvimento e impedem assim a sociedade de alcançarem a libertação que pregam, uma vez que não respeitam a liberdade de expressão, as diferenças de pensamento, e principalmente, a busca da verdade. Um triste exemplo é a história da filósofa Hipátia, morta pelos cristãos na cidade de Alexandria no ano 415 DC. Mas isto vale também para convicções políticas como ocorreu no caso do Comunismo que causou o atraso no desenvolvimento da genética na extinta URSS por desprezar a teoria de Mendel por ser “ocidental” (um austríaco que era um religioso, um monge agostiniano), perseguindo, demitindo e até prendendo cientistas que a divulgavam.

Ambas as correntes cometem um erro fundamental. Religiosos fundamentalistas “desprezam o dom de Deus revelado na essência do ser humano” que é a sua inteligência, através da ordenação para que o homem “domine sobre toda a criação” pela busca da verdade. Os pseudo-cientistas por que não entenderam que a ciência não é capaz de avaliar aquilo que não consegue observar e medir, “a ciência é impotente para medir um Deus onipotente”.