A palavra Ecossistema significa “sistema onde se vive”, formado pelas palavras gregas Oikos (casa) e sistema, representando portanto o conjunto de seres vivos que interagem entre si e também agem e sofrem a ação de fatores externos, provenientes do ambiente onde vivem.

Como tem sido discutido na série “Desafios para a Continuidade da Vida Humana”, a permanência da espécie humana sobre a terra será determinada pela sua capacidade em superar os diversos desafios existentes, sendo o propósito destes posts apontar quais são estas ameaças.

Aqui, será apresentada uma das soluções possíveis para esta complexa questão mostrando a influência do conhecimento e do desenvolvimento tecnológico em nosso ecossistema, o que é um ponto de discussão entre engenheiros, ecologistas, ambientalistas, biólogos e cientistas sob o tema “desenvolvimento sustentável”.

Durante cerca de 1 milhão de anos o homem e a natureza coexistiram dentro do equilíbrio natural e algumas sociedades naturalistas se destacaram pela sua habilidade em conviver e se integrar a este sistema, como as populações indígenas por exemplo.

Devido ao amplo espectro das necessidades humanas, conforme apontado pela análise de Abraham Maslow, entre outros, não é possível imaginar que no futuro nossa sociedade passe para uma volta integral à natureza pelo simples abandono ou destruição dos conhecimentos e tecnologias adquiridos, não obstante essa seja a proposta de alguns grupos radicais, a menos que isso ocorra forçosamente por eventos traumáticos como uma guerra nuclear ou bacteriológica, uma possibilidade apontada por Albert Einstein.

Por outro lado, não será possível sobreviver imaginando um futuro como o apresentado no filme “Blade Runner” – 1982, estrelado por Harrison Ford, onde a sociedade prossegue baseada nos mesmos vetores atuais, direcionados ao acúmulo de capital e pela competição, levando à uma ampliação progressiva de suas contradições e desigualdades sociais sustentadas pelo desenvolvimento tecnológico e científico a serviço do mercado.

No filme, são apresentados robôs orgânicos, feitos a partir de clonagens de células humanas resultando em seres artificiais geneticamente alterados e vendidos como produtos comerciais dotados de aparência e inteligência artificial tão perfeitos que se confundem com os seres humanos, ampliando nosso ecossistema social com suas crises e angústias existenciais, agora propagada para o mundo dos andróides. Veja o ensaio: “Eu, Robô ?”

Pela visualização desses dois modelos polares, conclui-se que o futuro da sociedade humana implicará em uma drástica alteração do seu comportamento passando à uma convivência integrada à natureza, com seus sete reinos*. Há uma tendência então para o uso de espaços verdes internos e externos. Possivelmente ocorrerá a ocupação do mar e a produção de alimentos em fazendas marinhas para proporcionar um retorno das áreas devastadas pela construção de cidades e cultivos otimizando assim a produção de alimentos, de modo a manter a diversidade biológica no planeta junto ao desenvolvimento humano racional. Esse estilo de vida ecológico integrado, felizmente, tem se viabilizado e mostra-se como tendência nos paises desenvolvidos.

Aqui surge a questão sobre o consumo ou não dos alimentos geneticamente modificados (OGM´s), o uso de microorganismos alterados e a produção de clones e melhoramentos genéticos, o que também tem um paralelo com o filme “Blade Runner” em relação à questão ética e à biosegurança. Este assunto tem resultado em discussões e debates intensos, além dos imensos interesses comerciais de empresas que realizam industrialmente a produção de sementes estéreis de alta produtividade e resistentes às pragas e doenças. No filme, essas empresas são representadas pela “Tyrell Corporation”, capaz de fabricar seus andróides “mais humanos que os humanos” através das clonagens “Nexus-6”.

O futuro também passará inevitavelmente pelo controle da fertilidade à medida que a expectativa de vida vá aumentando progressivamente e com a evolução de um pensamento social que valorize e respeite a diversidade cultural de seus diversos grupos ou “tribos”, produzindo um Ecossistema Social equilibrado. Essa evolução social holística somente será possível ser adquirida pela introdução de uma nova equação que compense o desequilíbrio causado pela intensidade da atividade humana, sua hierarquia de necessidades e sua “fome” de conquistas.

No próximo post apresentaremos a equação que falta para a estabelecer o equilíbrio de nosso ecossistema social integrado ao meio ambiente e mostraremos porque a aquisição de Conhecimento é essencial para sua viabilização e é a base do desenvolvimento sustentável.

* Nota: Bactéria, Protozoa, Fungi, Plantae, Chromista, Animalia e o reino mineral