Ao olhar 25 anos para o passado pudemos acompanhar uma variedade de estilos gerenciais temperados pela cultura e pela personalidade individual e que formam hoje uma pequena coleção de modelos que permitem visualizar e relacionar algumas causas e efeitos sobre o tema Liderança.

Encontra-se nela, entre outros, personagens reais como um alemão pragmático, um argentino perfeccionista, um americano que valoriza “o bom e velho” caminho da simplicidade e um francês que prefere os misteriosos caminhos da complexidade e sofisticação, um japonês com sua escala de hierarquias, um chinês que não se parece com um empresário e alguns brasileiros que amam o “status quo” e incorporam a figura do acionista.

Examinando esta prateleira de modelos, à esquerda, se vê uma chefia baseada em autoridade, e que formou seus discípulos. Aquela que obtém a verdade pelo conflito e se caracteriza pelo medo, pela prática contínua de assédio moral implantando na empresa uma “cultura de penitenciária” em torno de seu líder absoluto, aquele que tem o poder “da vida e da morte” sobre seus infelizes comandados. Houve uma boa colheita para os donos da terra, mas também o horror estampado no rosto de suas vítimas e os estragos que se fizeram sobre a personalidade destes líderes de suas famílias que trouxeram o pão da amargura para suas casas.

Vê-se também “o gerente que se apossou da empresa” e sua marca é uma gravata bem passada dentro de um terno ajustado, uma sala ampla e uma secretária eficiente. Ele porém dispensa feedbacks e não gasta seu tempo com idéias novas, porque é necessário conservar o que foi adquirido ao longo do tempo. Ele sabe tudo sobre seus subordinados porque houve o que deles se diz através de seus amigos. Afinal, a boa empresa não é aquela em que os funcionários são remanescentes de um longo processo de “seleção natural” onde sobram os amigos? Processos de seleção ou RH podem ser substituídos por pessoas confiáveis que estão ha muito tempo conosco, assim eles pensam… . Tem opiniões formadas e sólidas e todos o seguem sem nada questionarem, não há espaço para questões porque “tudo vai muito bem, obrigado”. Neste caso, um benchmarking não mostrou bons resultados (quando o mercado ia bem a empresa o seguia e vice-versa, diferentemente de outras empresas similares) e aqui se vê que muitos e bons talentos entraram e saíram dela, inicialmente com esperança, mas ao final, desanimados, uma empresa que não reteve seu capital intelectual.

Vê-se o vaidoso que aprecia a competência, mas se cerca dos que o admiram. O narcisista, intelectualizado, moderno, arrojado. Formado nas boas práticas, nos melhores cursos, nas melhores faculdades. Ele chega como um meteoro e está pronto para revolucionar a empresa rapidamente, porque é eficiente e precisa chegar ao topo, o que busca avidamente. Não perde oportunidades de se fazer conhecido e dar suas opiniões. Aos poucos, porém, revela que seu interesse pelos aprendizes está limitado ao quanto é valorizado e reconhecido por eles. Por alguma razão, ele não ficou muito tempo por lá, talvez porque o seu Sou estava acima do nosso Sol…

Vê-se também o gerente que possui valores e os cultiva; que os traz para seu dia a dia e os passa para seus liderados como a águia traz alimento ao seu ninho. E espera com paciência até que cresçam, tolerando às vezes erros que muitos julgaram como “justa causa”, exortando e aconselhando como o mestre que modela sua obra, até que um dia, de repente, os lançam para além da borda, do limite que os separam do conforto, para então conhecerem o desafio, para aprenderem a voar sozinhos sem deles esperar que retornem para agradecer ou mesmo dele se lembrem algum dia. Vimos até que alguns deles “passaram à sua frente” nos caminhos da empresa, mas por alguma misteriosa razão ele ainda continua lá sorrindo… .

É um caçador de talentos, desenvolvedor de habilidades, um artesão de personalidades. Uma vez o vimos reservadamente lançar sobre alguém, como uma flecha certeira que se dispara contra o centro do alvo, a seguinte observação:

“Porque você está tentando se suicidar profissionalmente?” O silêncio pairou sobre o ambiente, viu-se que por um momento o tempo parou para seu ouvinte que ficou perplexo… ,paralisado como se não tivesse entendido. Mas depois por um tempo ficou a pensar: “Como aquele homem pôde alcançar o meu íntimo desta forma? Como me conhece a ponto de perceber que minhas ações profissionais estão sendo guiadas por uma crise pessoal? O que posso fazer para reverter isso?”.

Hoje se reconhece, entre tantas habilidades, que ele também foi de algum modo capaz de enxergar o caminho que permite resgatar pessoas para que novamente possam vir a Ser e a brilhar, diamantes brutos que ele encontrou pelo caminho e pacientemente trabalhou.

De lá saíram os grandes, profissionais completos, seres humanos no que melhor os caracteriza: sua inteligência para fazer o bom, o bem e o belo, e assim construíram outras empresas que por suas ações valorizaram…

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