Um ensaio preliminar sobre os desafios à preservação da espécie humana

Rocha Acasta, datada de 4,05 bilhões de anos encontrada no Canadá.

O nosso pequeno planeta azul que costumamos chamar de “terra” tem cerca de 4,5 bilhões de anos. Trata-se de questão científica, irrefutável, baseada em medições. Por isso, eu não tenho muitas palavras a dizer às pessoas místicas que acreditam em idéias falsas ou fazem uma interpretação errônea das escrituras. Só posso dizer que, se alguém acredita que Deus criou o nosso Universo, é muito simples ver que Ele fez todas as coisas em uma base sólida que chamamos de “leis” as quais estamos sempre tentando compreender para sermos guiados por elas, como por uma “luz” que liberta do medo e da ignorância.

As rochas são formadas por minerais e cada um deles tem um “cronômetro” do tempo geológico dentro de si. Quando um mineral foi formado (o que aconteceu quando a terra foi formada), neste exato momento se iniciou um decaimento nuclear transformando progressivamente cada elemento de seus componentes em um outro. Por exemplo, o urânio (isótopo 235) leva 4,5 bilhões de anos para transformar-se naturalmente em chumbo. Este decaimento é chamado de “meia vida” do elemento. Através de medidas da proporção entre os elementos formados e os elementos originais dentro de amostras de rochas e meteoritos do espaço exterior, a idade da Terra pode ser estimada.

Agora imagine uma linha do tempo, um eixo em linha reta que vai de zero a 4.500 dividido em partes iguais e em seguida, pegue a última parte. Ela representa aproximadamente a quantidade de tempo que a espécie humana está vivendo na terra (1 milhão de anos). O momento exato que começamos a ser “humanos” não sabemos exatamente. Este é um assunto polêmico, mas qualquer que seja o tempo correto, isto não muda o raciocínio e o resultado de nossa análise.

Coloque nesta linha de tempo algumas espécies que já não vivem mais entre nós e foram eliminadas pelas mudanças climáticas ocorridas durante a acomodação da crosta terrestre, entre outros fenômenos.

São os pré-históricos invertebrados e os animais vertebrados como os répteis, incluindo mais de 1.000 espécies de dinossauros (o formidável Tiranosaurus Rex por exemplo) e ainda outras categorias de répteis como os plesiossauros, pterossauros, mosassauros, ictiossauros e crurotarsans. Muitas espécies de peixes, inúmeras aves, anfíbios, mamíferos como os tigres dente de sabre e mastodontes como o mamute, os pelicosauros e muitos outros que foram totalmente extintos.

Divida agora esta última parte em 1.000 outras partes e tome novamente a última parte. Ela representa as espécies modernas estão sendo extintas pelas mudanças climáticas causadas pela atividade humana e o crescimento populacional. Você pode colocar como exemplo aí os pássaros. Desde o ano 1500, 190 espécies de aves foram extintas como, por exemplo, o pássaro Dodô. Existem hoje cerca de 10.000 espécies de pássaros e cerca de 1.200 delas estão consideradas sob ameaça de extinção.

As catástrofes ou variações climáticas naturais do passado foram responsáveis pelo fim de muitas espécies, como vimos, porém, após a estabilização da crosta terrestre e do clima houve o surgimento dos mamíferos que culminaram com a espécie humana e desde então, o principal fator do desaparecimento das espécies está associado ao impacto da atividade humana, sentido ha não mais do que 2000 anos e intensificado a partir do século XVIII.

Num mundo conturbado como o de nosso século, onde falsos conceitos proliferam e há carência de valores concretos existem três eixos de pensamento que caminham para o mesmo lado: o da destruição e decadência da espécie humana.

São eles o fundamentalismo religioso, o agnosticismo social e uma filosofia econômica dominante que determina a separação entre a riqueza do homem (simbolizada pelo dinheiro) e a natureza, tratando-a como um bem ilimitado e cuja perda nada significa.

“O modo pelo qual pensamos irá dirigir os nossos caminhos”

Olhando para essa linha do tempo por alguns minutos, você certamente vai formular uma pergunta: no ponto seguinte, daqui a mil anos marcado em nosso relógio de pedra, ainda vamos estar por aqui?

As respostas a essa questão serão analisadas mais profundamente nos próximos posts.
Aproveite para pensar um pouco nas ações que você pode fazer para aumentar nossas chances de permanecer na linha de tempo e, se você tem uma crença, poderá orar pela nossa continuidade na Terra como espécie.