O título deste post é uma homenagem ao capítulo 4 do livro do príncipe Charles – Harmony – A Revolução da Sustentabilidade, que apresentamos em um post anterior.

Qualquer pessoa pode perceber facilmente os efeitos dos impactos ambientais provocados pela ação humana no planeta. Outro dia alguém me perguntou por onde andam os vagalumes. Quando eu tinha 10 anos, em 1973, lembro que via frequentemente essas criaturas interessantes, que iluminavam as noites e eram a alegria das crianças. Onde estariam agora? Outra pergunta: elas fazem alguma diferença na vida do planeta além de alegrar as crianças? Podemos “elimina-las” sem qualquer impacto?

Outrossim, este impacto está diretamente relacionado ao aumento populacional e ao modo de pensar da sociedade, o que determina o seu meio de vida e comportamento. Dependendo da cultura dominante, esta interação pode ser mais ou menos agressiva contra a natureza. Neste ponto, lembro-me do assassinato de baleias institucionalizado no Japão…

Infelizmente, dentre as muitas culturas que apareceram, as que mais se desenvolveram dominaram violentamente e subjugaram as demais, que estavam mais adaptadas e integradas ao meio ambiente, como as populações indígenas e tribais.

Herbert George Wells no seu livro publicado em 1898, que foi transformado em filme por Steven Spielberg em 2005, estrelado por Tom Cruise “A Guerra dos Mundos” e Isaac Asimov com o livro “Eu, Robô”, também transformado em filme estrelado por Will Smith, são exemplos de escritores que questionaram a capacidade humana de cuidar de sua própria espécie, de modo que suas obras contribuem para o aumento da consciência em relação ao tema.
O enredo é uma analogia à Inglaterra e à Europa do século XIX – potências imperialistas que submetiam, colonizavam e sugavam recursos de culturas menos avançadas tecnologicamente. Com A Guerra dos Mundos, Wells procurava mostrar o que seria da Inglaterra se ela enfrentasse o mesmo tipo de extermínio social, econômico e cultural que impunha a outros povos.

Os romanos, que foram uma das civilizações que dominaram o mundo, caçavam milhares de animais para os espetáculos no Coliseu e foram responsáveis pela extinção regional de muitas espécies como elefantes e leões na África do Norte, o elefante sírio, o hipopótamo do Nilo e o urso do atlas (Ursus arctos crowtheri) para lutarem com seus gladiadores nas arenas.

Eles drenaram lagos e desviaram rios causando os primeiros grandes impactos ecológicos e criaram em nosso inconsciente coletivo o falso paradigma de que os homens podem dominar e mudar o ambiente tanto quanto quiserem. Esse pensamento foi impresso de tal maneira em nossa cultura que predomina em todas as principais teorias econômicas do século XX que não levaram em conta o valor e o custo do meio ambiente ou Eco-nomia.

A sociedade dominante atual é formada pelos países ocidentais e se fundamenta em um pensamento pragmático moldado a partir da cultura greco-romana, nas interpretações abstratas e desconectadas do mundo real dos fundamentos das religiões judaica e cristã feitas por algumas religiões, no pensamento humanista e iluminista e no mecanicismo racionalista* dos séculos XVII e XVIII que deram origem à revolução industrial e originaram não só o capitalismo exploratório, mas também a contra resposta comunista baseada no marxismo, sendo hoje o principal representante a república popular da China, o segundo país mais poluidor da terra atrás dos EUA.

Menos afetados por estas escolas de pensamento, porém envolvidos por todas as estruturas dominantes na esfera econômica mundial, estão o mundo islâmico, deteriorado pelo fundamentalismo e radicalismo, e a cultura hindú, sendo que a antiga cultura milenar chinesa foi destruída pelo Comunismo, bem como as antigas tradições orientais do leste europeu, incluindo a Rússia.

Essa nova ordem econômica imprimiu no homem moderno o falso paradigma da necessidade de crescimento econômico baseado num consumismo ilimitado, como se os recursos naturais e o espaço para o crescimento populacional fossem infinitos, e não incluiu “na conta” o valor econômico dos ciclos da natureza, como por exemplo, a polinização causada pelas espécies de abelhas que estão desaparecendo e a desertificação das florestas causadas pelo abate ilegal de madeira.

Não se trata aqui de criticar-se o iluminismo, ou o marxismo ou o fundamento da religião, trata-se de sua aplicação errônea ou tendenciosa que resulta em uma orientação voltada para o desequilíbrio psicológico, desarmonia ecológica, inversão e substituição de valores, e tudo o mais que gera a violência, a pobreza, a fome, a exploração humana (prostituição, trabalho infantil, trabalho escravo) as doenças, o consumo de drogas, a ignorância, a violência contra a mulher e a criança e a destruição de espécies e do patrimônio ambiental.

O que fazer? A percepção destes fatos é o princípio de tudo e, em seguida, considerar a sua aliança e participação ativa em um dos muitos movimentos independentes que tem se conectado como uma “rede de vida” para a salvação de nosso planeta.

Falando sobre isso, fico aborrecido, triste mesmo, em ouvir de algumas religiões ou movimentos que nossa terra “já está perdida” e que o Apocalipse está próximo. A vocês, sejam cristãos ou místicos que acreditam no final do mundo em 21 de dezembro de 2012, eu digo: estudem, meditem e cheguem às próprias conclusões sozinhos, e verão que ainda dá tempo para mudar o nosso futuro, e esse princípio, é um dos fundamentos da mecânica quântica e da bíblia, a saber: não existe a predestinação.

* A figura ao lado se chama “Les Tourbillions” e é uma ilustração de 1644 do livro de René Descartes “Principia philosophiae”