Já mencionamos algumas vezes esta curva nos posts sobre meio ambiente e agora vamos falar um pouco mais sobre ela. Ela mostra a concentração de dióxido de carbono (CO2) no ar em ppm – partes por milhão (p.ex. em 2012, 393 partes de CO2 a cada 1 milhão de partes de ar) medida desde 1958 até hoje. Elaborei então, com o Excel, uma projeção até o ano 2100 usando uma equação polinominal de segundo grau que aderiu bem aos dados até 2012 (na tabela).

Dois comentários: você não vai encontrar esta projeção igual a 659 ppm de CO2 no ar no ano 2100 em lugar nenhum além deste blog e também que esta é uma projeção simplista, para fazermos algumas análises. Existem diversos fatores que contribuem para o acúmulo e para a absorção de CO2 e que não estão considerados pois é uma curva de projeção meramente matemática, baseada em dados passados, não garantindo assim que se possa com eles “prever o futuro”.

Em 1958, Charles Keeling, um jovem químico, instalou um instrumento para medir a quantidade de CO2 na atmosfera no topo do vulcão Mauna Loa, no Havaí. A partir de então, este instrumento e outros em diversas partes do mundo confirmaram que o gás carbônico está acumulando na atmosfera e através desta curva se iniciaram os debates sobre o efeito estufa e o consequente aquecimento global.

Contribui para o acúmulo a queima dos combustíveis que provém do carvão, do petróleo e do gás natural (combustíveis fósseis) e a queima ilegal de florestas. Em 2010, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), as emissões foram as mais altas da história! Mas não sabemos como estas emissões vão se comportar nos próximos anos.

Mesmo que as emissões fossem paradas agora, o planeta levará muito tempo para elimina-lo. O mar absorve cerca de 2,3 bilhões de toneladas por ano e vai se acidificando lentamente, e com isso, dissolvendo diversas espécies formadas por estruturas contendo cálcio, e afetando diretamente a saúde dos peixes. Outro ponto é que a chuva absorve também parte do gás que então cai no solo (chuvas ácidas) e o ácido carbônico formado reage formando carbonatos. Deste balanço vai resultar então o verdadeiro comportamento futuro desta curva.

A OMS (organização mundial da saúde) informou que morrem por ano cerca de 2 milhões de pessoas em decorrência da poluição atmosférica. Estas partículas, comuns em diversas áreas urbanas se originam a partir da combustão presente nos veículos junto com o lançamento de gás carbônico e em usinas de energia, principalmente a carvão, comuns na China.

O estudo da OMS conclui que a grande maioria das populações urbanas sofre uma exposição média anual maior do que o recomendado (de até 20 miligramas por metro cúbico), sendo que em algumas cidades do Irã este número passa de 200 mg/m3. O Rio de Janeiro registrou uma média anual de 64 mg/m3 e São Paulo uma média de 38 mg/m3, ou duas vezes mais do que o valor recomendado.

O que não desejamos é transformar nossa casa (ecossistema) em uma região coberta de lixo e desolada por desertos, calor e com um ar irrespirável. Se a queima de combustíveis fósseis que geram gás carbônico e partículas no ar continuar assim, após o ano 2100 precisaremos partir em uma nave para procurarmos outra casa para viver, como no filme de Walt Disney Wall*E de 2008.

Relógio Carbônico

Simulador de CO2