Em junho de 2011 publiquei o post “Cold Fusion Evidences” porque havia feito uma compilação do que avançou na pesquisa deste fenômeno desde que os cientistas Stanley Pons e Martin Fleishmann da Universidade de Utah em 1989 assombraram o mundo com sua descoberta, e foram então desacreditados por causa da pressa e da ansiedade em anunciar algo que, ainda hoje, quase 23 anos depois, não tem uma explicação convincente e sua comprovação ainda não é totalmente aceita na comunidade científica.

Naquele momento eu me convenci que este fenômeno realmente existe, tendo em vista a ampla gama de estudos que encontrei feitos por pesquisadores sérios e, ao ler alguns abstracts e conclusões vi que muitos deles conseguiram repetir o que foi encontrado por Pons e Fleischmann. Importante destacar que agora esta reação não se chama mais fusão, ela é denominada LENR -Energia Nuclear de Baixa Energia, algo que até o momento não se conhece o mecanismo e que promete abrir uma nova porta na física nuclear. Também é chamado de LARN (Lattice Assisted Nuclear Reaction), ou CMNS (Condensed Matter Nuclear State Physics).

Entre todos estes artigos o que mais me chamou a atenção foi feito pela marinha americana (SPAWAR – Navy´s Space and Naval Warfare Systems – San Diego, CA) em 2009 conduzida pela cientista Pamela Mosier-Boss que detectou e “fotografou” um nêutron emitido na reação sobre uma película de polímero especial. Nenhuma reação química produz nêutrons, somente uma reação nuclear é capaz de fazer isto.

Esta instituição tem estudado a fusão a frio nos últimos 23 anos e recentemente se associou à JWK International Corporation, uma companhia privada e que tem realizado os melhores experimentos que comprovam a existência do fenômeno LERN. Um exemplo é o paper “Further evidence of nuclear reactions in the P/D lattice: emission of charged particles” publicado on-line em fevereiro de 2007 que informa que os experimentos são reproduzíveis e produzem evidências da ocorrência de uma entalpia (calor) proveniente de uma reação nuclear.

Mas o que mudou entre o primeiro post e hoje, passados 8 meses ?.

Apesar do pouco tempo passado, realmente mudou muita coisa, bem mais do que eu imaginava.

Até aquele momento a frase “fusão a frio” era proibida e desacreditada nas principais universidades americanas, não se podia publicar qualquer artigo científico em uma revista de expressão e nenhuma patente era permitida. Depois que Andrea Rossi anunciou em janeiro de 2011, com o apoio da universidade de Bologna, que descobrira um meio comercial de produzir 6 vezes mais energia que a utilizada, e em outubro testou publicamente uma unidade comercial capaz de produzir 1 MW (ainda que tenha ligado poucas células), a fusão a frio tem ocupado uma enorme quantidade de páginas na internet e vai ganhando espaço progressivo na mídia, destacando-se o programa 60 minute que já havia ido ao ar com uma ampla reportagem sobre o assunto.

Os maiores adversários da fusão a frio são os cientistas da “fusão a quente”, porém em dezembro de 2011 o Dr Lewis Larsen publicou um paper discutindo uma possível relação entre a LENR e algumas observações sem explicação ocorridas no Large Hadron Collider do CERN, e se tem observado que eles estão agora mudando sua postura de totalmente negativa para profundamente interessada no assunto.

Ocorre que a LENR voltou a ser falada nas universidades americanas e houve recentemente um curso de 5 dias no MIT – Massachusetts Institute of Technology (Cambridge, MA) sobre o assunto, ministrado pelo Dr Halestein, que trabalha no laboratório de pesquisa Eletrônica, incluindo uma demonstração prática de um equipamento chamado Phusor da empresa Jet Energy Inc. (Wellsley Hills, Massachusetts) lembrando que a instituição criticou duramente o trabalho de Pons e Fleischmann na época. Recentemente também a LENR foi confirmada pela NASA, que informou que ela é uma realidade e que irá mudar em breve a matriz energética do mundo.

Uma curiosidade é o aparecimento de bilionários interessandos na tecnologia e querendo financiar os estudos sobre LERN em universidades (como o australiano Dick Smith, e o americano Sidney Kimmel).

Assim, para concluir, posso dizer que independentemente das questões sobre a idoneidade do Sr Andrea Rossi já existem concorrentes como a empresa Jet Energy Inc., o biofísico italiano Francesco Piantelli, a empresa grega Defkalion Green Technologies com seu produto Hyperion e se verifica que diversos institutos de pesquisa tem tentado reproduzir e explicar o fenômeno. Se há 8 meses atrás eu acreditei na fusão a frio posso dizer agora que algo de muito grande está para acontecer. Infelizmente ainda não vejo o Brasil participando desta corrida.

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