Uma das muitas consequências do Aquecimento Global e que é dramaticamente observável é o derretimento da Antártica, a região no entorno do pólo norte, onde imensas placas de gelo e icebergs estão desaparecendo, o que leva à possibilidade de desaparecimento do urso polar entre outras espécies.

De fato, medidas recentes mostram que o aquecimento registrado no hemisfério norte foi 0,65 ºC , na Antártica foi de 1,75º C e no estreito de Davis, entre a Ilha de Baffin e a Groenlândia chegou a +2,89 ºC !.

A dieta primária destes ursos é composta por focas, normalmente capturadas quando sobem para respirar em buracos e espaços entre os blocos de gelo flutuante no Ártico. Durante os últimos verões, no entanto, o gelo tem desaparecido completamente em algumas regiões dificultando o trabalho dos ursos e fazendo-os procurar por alternativas para se alimentarem, inclusive o canibalismo.

Agora mesmo, em fevereiro de 2012, foi constatado pela Universidade de Bremen (Alemanha) através de fotos de satélite que o inverno terminou 2 meses mais cedo do que o previsto nos mares gelados de Barents e Kara, entre a Rússia e a Finlândia. Grandes extensões que deveriam estar congeladas agora estão derretidas. A comparação de fotos de satélite desta região, entre 2004 e 2012 é tão diferente que indicam que o pólo norte estará totalmente sem gelo ainda dentro deste século.

A figura abaixo mostra um gráfico da área derretida na Groenlândia em km2, aumentando ano a ano em um efeito rápido e desastroso.

Mas isto não acontece somente no ártico, estudos recentes apresentados na COP 17 (Conference of Parties – Conferência da ONU sobre o clima) mostram o derretimento das geleiras do Himalaia, onde fica o monte Everest, medindo-se no Nepal 21% de derretimento e no Butão 22% nos últimos 30 anos, influenciando a vida de 1,3 bilhões de habitantes !. São 54.000 geleiras que alimentam os oito maiores rios da Ásia, que correm o risco de stress hídrico.

O derretimento do gelo e da neve que estão sobre a terra, alcança o mar e eleva o seu nível, o que juntamente ao efeito da dilatação térmica da água pelo aumento de sua temperatura, nos alerta quanto à uma projeção do IPCC sobre a possibilidade do nível do mar aumentar até 1,6 metros até 2100, causando o desaparecimento de ilhas e a inundação parcial de todas as cidades costeiras do mundo, incluindo o Rio de Janeiro. O gelo que está flutuando sobre a água, no entanto, não causa variação de nível apreciável (o gelo é formado de água doce que flutua sobre o mar e ao voltar para o estado líquido vai diminuir um pouco de volume, mas não muito).

Pode também alterar correntes marinhas e provocar mudanças no clima do hemisfério norte. Outro efeito é cooperar com o aquecimento global, uma vez que a superfície branca do gelo e neve reflete a luz do sol enquanto a superfície da terra absorve esta luz. Isto significa que quanto maior a temperatura, maior a exposição da terra, o que reforça o aquecimento provocando uma temperatura ainda maior e assim progressivamente.

Além disso, há uma estimativa de que até 1,6 trilhão de toneladas de carbono (quantidade que corresponde praticamente ao dobro da que se encontra atualmente na atmosfera), estão presas sob o permafrost (solo de rochas e gelo) do Ártico. Os cientistas temem que o aquecimento global passa liberar estes gases e isso possa resultar em efeitos catastróficos para o planeta.

O que estaria provocando este derretimento ? Se alguém duvida que é o aquecimento global então deverá tentar explicar porque a temperatura superficial média global em 2011 foi a nona mais quente desde 1880, em uma tendência em que nove dos 10 anos mais quentes ocorreram desde o ano 2000 segundo os registros da NASA !.