Será possível viajar no tempo?

Nesta série de posts que iniciou com “Casa de Areia” e “O Tempo” você verá se é possível viajar para o futuro e para o passado, e no caso de que isso aconteça, quais são as implicações.

No cinema, muitos filmes já abordaram o assunto e alguns incluem outros tópicos como a existência de universos paralelos. Todos eles são muito interessantes, mas sempre causam alguma confusão porque conduzem a situações completamente inimagináveis para nosso cotidiano.

São vários filmes interessantes: “Déjà Vu” (Denzel Washington – 2006), “Source Code” (“Contra o tempo”, Jake Gyllenhaal – 2011), a série “Back To The Future” (“De volta para o Futuro”, Michael J. Fox – 1990), “Planeta dos Macacos”(“Planet Of The Apes”, Mark Wahlberg – 2001), “Lost in Space” (Perdidos no Espaço, William Hurt – 1998) sem mencionar a famosa série “Star Trek” de 1966 a 2005 com centenas de filmes (“Jornada nas Estrelas”, Leonard Nimoy) cuja nave colocamos na figura ilustrativa deste post. Destaca-se entre eles “O Homem do Futuro” (Wagner Moura – 2011) um filme brasileiro muito inteligente e bem humorado, que vale a pena ser assistido.

Viagens no tempo para o futuro são possíveis e previstas pela Teoria da Relatividade como vimos no post “O Tempo” com o paradoxo dos gêmeos. A base científica disto é que o tempo passa mais devagar quando estamos com uma velocidade próxima à
da luz , a velocidade “c”, igual a aproximadamente 300.000 km/s ou perto de um grande campo gravitacional (um buraco negro, por exemplo). Isto acontece em decorrência do fato da velocidade da luz ser constante (ou não?).

É fácil entender que implicação ocorre para o Tempo ao assumir que a velocidade da luz é constante.

Você está em um foguete na velocidade da luz e seu colega está em outra nave em sentido oposto na mesma velocidade enquanto um terceiro está na Terra observando tudo. Nosso observador na Terra verá uma aproximação das naves com velocidade igual a 2c (duas vezes a velocidade da luz), enquanto nós, que estamos nas naves, iremos ver a outra nave se aproximar de nós na velocidade c, e não 2c.

Comparando os relógios, se o nosso registrou 2 minutos, o relógio da terra registrará 1 minuto para o mesmo evento (!!!). O relógio dos “apressadinhos” anda mais devagar !!!

Einstein comenta sua Teoria da Relatividade no livro “Mein Weltbild” (1953), traduzido no Brasil “Como vejo o Mundo” (Editora Nova Fronteira, 5ª edição – 1981), o seguinte:

Não há necessidade alguma de falar de ato ou ação revolucionária, pois ela marca a evolução natural de uma linha seguida há séculos. A rejeição de certas concepções sobre o espaço, o tempo e o movimento, concepções julgadas fundamentais até esse momento, não, não foi um ato arbitrário, mas simplesmente um ato exigido pelos fatos observados. A Lei da constância da velocidade da luz no espaço vazio corroborada pelo desenvolvimento da eletrodinâmica e da ótica, junto com a igualdade de direito de todos os sistemas de inércia (princípio da relatividade restrita), indiscutivelmente revelada pela célebre experiência de Michelson, inclina logo a pensar que a noção de tempo deve ser relativa, já que cada sistema de inércia deve ter seu tempo particular”.

Podemos entender isto da seguinte forma: Você está mergulhado em um oceano e seu colega já voltou à superfície. A água simboliza o Tempo e a pressão da água simboliza uma escala no tempo, de modo que perto do fundo o tempo passa mais devagar do que a superfície. Não há uma contradição quando você pensa que seu colega na superfície está no mesmo oceano submetido à uma pressão menor que você, mas há alguma dificuldade em entender que o tempo para você passa mais devagar do que ele. Na prática, na realidade, isto ocorre mesmo, de modo infinitesimal (quase zero), porque a força de gravidade que atua sobre você é maior do que ele, mas, mesmo assim, há uma diferença de tempo e se esta diferença fosse grande, ao subir à superfície ele não estaria mais lá…..

O mesmo acontece com quem mora no alto de um prédio de apartamentos comparado ao que mora no primeiro andar, ou ao piloto de avião que está sempre a uma velocidade muito maior do que a nossa, entretanto vivemos todos dentro do mesmo universo de eventos simultâneos e não em universos paralelos.

Em 1976 foi realizada uma experiência utilizando o mais preciso relógio existente. Um foguete da NASA, o Scout-D, que subiu a 10.000 km de altura e desligou seus motores de modo que seu relógio passou a flutuar na ausência de gravidade. Enquanto isso, um outro relógio na Terra, idêntico ao primeiro, havia sido sincronizado para comparação. O resultado foi uma alteração igual a 0,45 ppb (partes por bilhão), indicando que o foguete precisaria ficar 73 anos lá em cima para acarretar uma diferença de apenas 1 segundo.

A viagem para o futuro é, a meu ver, a “ilusão do tempo” que os filósofos que mencionamos no post “O Tempo” concluiram.

Não se trata propriamente de uma viagem, mas de uma passagem de tempo diferente entre dois referenciais. Creio que há uma mistificação no termo “viagem para o futuro”, pela falta de compreensão da natureza do Tempo, principalmente levando em consideração a gigantesca dificuldade de acelerar qualquer massa à velocidades próximas à da luz ou de sobreviver perto de um buraco negro.

Para descontrair, temos uma estória de ficção científica que escrevi abaixo para ilustrar a ilusão da viagem para o futuro, exagerada como toda a história desse gênero é. Após um intenso e inexplicável fenômeno gravitacional o Capitão Oak, acredita que viajou no tempo ou que está em um universo paralelo, quando na verdade ele chegou 100 anos atrasado ao retornar para o referencial de onde saiu.

Resumo do Diário de Bordo do Navio M254, força especial da Marinha em missão ambiental pela ONU sobre os eventos iniciados em 21/12/2012 – 12:21 – Triângulo das Bermudas: Os mergulhadores foram posicionados conforme plano estabelecido quando iniciou uma tempestade elétrica e os sensores do navio registraram quase que imediatamente uma imensa alteração pontual na força de gravidade, localizada há 2 km de profundidade, fenômeno que durou cerca de uma hora e depois disto passou sem que encontrássemos outra explicação que a pane em nossos instrumentos. Perdemos durante o evento contato com a batisfera NOAA-10 com a missão de colher dados de temperatura atribuindo a esta anomalia o seu desaparecimento com seus dois tripulantes liderados pelo capitão Kyle Oak…..os três são assim considerados a partir desta data como mortos após três dias de buscas.

Diário de Bordo – Batisfera Robô NOAA-10 – Capitão Oak: “Não notamos ou registramos anormalidade alguma e tampouco meus instrumentos constataram algo diferente de uma simples tempestade de superfície, mas, de algum modo, alguma alteração ocorreu que não podemos explicar no momento, iniciada após a perda da comunicação com a base. Ao retornar no tempo estabelecido para encerramento da missão, perdendo contato durante a tempestade, fomos recolhidos por uma embarcação a qual não reconhecemos sua identificação e classe e fomos recebidos por uma tripulação que falava a nossa língua de modo um pouco diferente e usava alguns termos não conhecidos. Aportamos em uma cidade flutuante similar à uma estação espacial, levantando em nós a suspeita que fomos transferidos para um universo paralelo ou que avançamos no tempo, dado que o calendário da nave mostrava a data 21/12/2112”.