fotografia da galáxia M81, similar à Via Láctea, a 11,8 milhões de anos-luz, na constelação de Ursa Maior

Existe uma fórmula matemática, conhecida como “equação de Drake” (Frank Drake – 1961) que incorpora sete condições indispensáveis para que um planeta abrigue seres inteligentes e com comunicação avançada.

Uma possível solução entre muitas seria:

N = 7 x 0,5 x 2 x 0,33 x 0,01 x 0,01 x 10.000 = 2,31 ou cerca de 2 civilizações inteligentes por galáxia.

O conhecido astrônomo (já falecido) Carl Sagan da série de televisão Cosmos, sugeriu em 1966 um N igual a 1 milhão (!!!). Cientistas mais pessimistas, porém, encontraram um número menor do que 1. Isto mostra que a equação é muito imprecisa mas que pode ser entendida, conforme afirmado pelo próprio Drake, como uma primeira tentativa de pensar sobre o assunto.

Observe que a variável menos conhecida é o percentual de planetas com vida nos quais a inteligência evoluiu (Fi). Para termos uma ideia, o nosso planeta possui cerca de 100.000 espécies sendo que em somente uma a inteligência evoluiu significativamente.

Se assumirmos que Fi = 1/100.000, um valor muito baixo, que significa que a cada 100.000 planetas com vida em apenas um haverá evolução de vida inteligente (assumindo que precisaríamos de 100.000 planetas com vida para formar 100.000 espécies e dentre elas somente uma com inteligência). Nesse caso, refazendo novamente a conta acima, o valor de N seria igual a 0,2% (uma civilização inteligente para cada 500 galáxias).

Sendo porém que uma galáxia possui cerca de 100 bilhões de estrelas e considerando que existem mais de 100 bilhões de galáxias em nosso Universo visível (ele é muito maior do que conseguimos ver!) não precisamos mais fazer contas sobre a possibilidade de existir vida inteligente além de nós, ela é muito alta, mesmo considerando que N seja muito menor do que 1!. Para uma comparação, a Via Láctea possui 300 bilhões e Andrômeda, a vizinha mais próxima a 2,6 milhões de anos-luz possui 1 trilhão de estrelas!

Apesar de não haver como determinar corretamente os valores de cada variável para fazer uma boa estimativa é possível observar pela equação de Drake que existe uma grande probabilidade de não estamos sozinhos no Universo !. A equação mostra também que é possível haver alguma civilização dentro de nossa própria galáxia. A questão a saber, é se em função da elevada distância e da aparente impossibilidade de viajar-se acima da velocidade da luz, elas podem estabelecer contato conosco ou virem até aqui.

Sendo que até o momento ainda não foi obtida uma informação consistente e uma prova incontestável sobre a existência de vida extraterrestre, surge então o chamado “Paradoxo de Fermi” que estabelece que pelo tamanho e idade do universo muitas civilizações tecnológicas extraterrestres devem existir, entretanto, essa hipótese parece inconsistente com a falta de evidências observacionais, levando a crer que pode existir algum fator limitante para o número N que não estamos levando em consideração, como por exemplo a elevada distância entre as civilizações.

Outro fator que passa despercebido pela maioria das pessoas é que as galáxias estão se afastando uma das outras a uma velocidade impressionante dificultando cada vez mais sua visualização, a comunicação entre as civilizações e as viagens intergalácticas.

Nós somos os únicos seres inteligentes do universo?

Provavelmente não. Do ponto de vista lógico, é mais coerente aceitarmos que é possível existir vida inteligente em nossa galáxia e possivelmente mais de 100 bilhões de planetas com vida inteligente em todo o Universo… (>100.000.000.000 !).

Temos então três possibilidades lógicas mais prováveis para explicar o Paradoxo de Fermi: Ou as mais próximas civilizações estão muito longe de nós e não conseguem fazer contato (ex: Galáxia M81 há 12 milhões de anos luz!) ou elas tem um nível tecnológico insuficiente para vencer a distância envolvida ou, por algum motivo, não querem faze-lo.

Surge então uma nova pergunta: Qual a provável diferença de idade entre nós e outras civilizações? Somos os primeiros e mais desenvolvidos ou os últimos e menos desenvolvidos?

Não é difícil supor que a evolução de cada civilização obedeça à uma distribuição, como em uma curva de Gauss por exemplo, onde existe uma maioria que representa uma média, existem civilizações na fase preliminar de sua existência e existe uma minoria de civilizações extremamente avançadas e poderosas. Nesse caso, onde nós estaríamos posicionados?

Considerando o início do universo no “Big-Bang” há cerca de 13,7 bilhões de anos atrás supõem-se que a vida ocorreu por aqui a apenas 1 bilhão de anos após a formação da Terra no período Arqueano através de células procariontes (células simples, de bactérias por exemplo), enquanto as células eucariontes (mais complexas) foram estimadas em ter ocorrido após 3 bilhões de anos e os organismos multicelulares depois de 4,0 bilhões de anos.

O ser humano tem no máximo 1 milhão de anos de existência dos quais chegou ao Homo Sapiens há apenas 200.000 anos mas se desenvolveu significativamente a partir da invenção da escrita somente há 4 mil anos atrás. Vemos que este tempo é desprezível relativamente ao tempo de existência da Terra. Desse modo, podemos dizer que nosso planeta levou cerca de 4,6 bilhões de anos para nos produzir do modo que somos hoje.

Assim, certamente, não estamos no começo da vida no Universo, que iniciou 9,2 bilhões de anos antes que a Terra fosse formada. Estamos no último terço do tempo decorrido até agora…..

Sabemos que as primeiras galáxias foram formadas apenas 1 bilhão de anos após o início do Big-Bang, mas vamos fazer uma conta simples e conservativa considerando que não ocorreu vida inteligente no primeiro terço após o Big-Bang (nos primeiros 4,6 bilhões de anos) e que, a exemplo da Terra, depois disso, a existência de vida inteligente ocorreu após mais 4,6 bilhões de anos.

Então: 13,7 bilhões (nós) – 9,2 (eles) = 4,5 bilhões de anos a nossa frente!

Existirão assim muitas civilizações com muito tempo há nossa frente, mas fica uma pergunta: quanto tempo elas levam para se extinguir? Uma civilização, por melhor que seja consegue ficar em um mesmo planeta sem se dizimada por vulcões e mudanças climáticas por mais de 1 milhão de anos? Se estamos enxergando ao telescópio civilizações com mais de 1 milhão de anos luz de distância e estamos vendo sua imagem no passado elas estarão vivas hoje?

O Paradoxo de Fermi pode ser assim enunciado:

Quanto mais longe realizarmos uma varredura mais provável é que encontremos civilizações, maior é a probabilidade de terem alta tecnologia em relação à nossa e menor é a probabilidade de contato por possíveis limites físicos e técnicos devido à distância”. Ou ainda: “Quanto mais perto realizarmos uma varredura menos provável é que encontremos civilizações, menor é a probabilidade de terem uma alta tecnologia em relação à nossa e a probabilidade de contato não aumenta além de um certo limite, considerando que as distâncias continuam ainda muito grandes frente à expectativa de vida de nossa espécie e de nossa sociedade”.

Com esse enunciado, estatisticamente eu posso afirmar (sem fazer conta nenhuma) o seguinte:

De todas as prováveis civilizações existentes no universo, haverão diversas que poderão ter contato mútuo porque os fatores de Drake lhes são favoráveis (elevado tempo de duração de sua civilização por exemplo) e devido às menores proximidades envolvidas enquanto haverão outras que estarão para sempre sozinhas.

Em qual situação estaremos? Das três hipóteses levantadas para explicar o Paradoxo de Fermi, eu poderia dizer que as três são possíveis e qualquer uma delas pode explicar individualmente ou em conjunto o porquê não há contato até o momento.

Vejamos:

– Se as distâncias são muito grandes pode não haver interesse da outra parte, inclusive econômico (ex: o custo da viagem não compensa) ou simplesmente que a duração da civilização seja pequena em comparação à distância. Por exemplo: Uma civilização está a “apenas” 100 mil anos luz de nós, isto significa que quando vemos a sua imagem ou recebemos de lá alguma transmissão de rádio este evento terá ocorrido há 100 mil anos atrás e vice versa. Se a civilização durou apenas 50.000 anos, então qualquer sonda que saísse de lá para explorar nosso planeta teria voltado para uma civilização inexistente. Este exemplo mostra como a barreira da velocidade da luz (pela teoria da relatividade nada pode ser mais rápido do que a luz) impõem sérios problemas à comunicação extraterrestre e sua associação ao fenômeno UFO.

– Se o nível tecnológico é insuficiente para cobrir as distâncias entre os planetas então não haverá contato entre eles. Observar um ponto importante: por mais avançada que seja uma civilização isso não significa que a velocidade de um objeto possa ser maior do que a da luz! Isso não muda a ciência, se de fato ela estiver correta. Não importa o quanto tempo uma civilização está a nossa frente se existir uma barreira real que impeça diminuir o tempo de viagem então a probabilidade de contato será muito baixa, isto é, Fc é muito mais baixo do que se imagina, explicando o paradoxo.

– Mesmo que haja proximidade suficiente e nível tecnológico para isso porque motivo haveria interesse em se comunicar conosco? Que vantagem uma civilização mais avançada teria com isso? Quanto maior a diferença menor a motivação e quanto menor a diferença menor a probabilidade de possuir tecnologia para vencer a distância.

Veremos posteriormente com mais profundidade porque a motivação para haver esta comunicação é muito baixa.

Da análise que fizemos podemos deduzir que existe grande possibilidade de haver diversas civilizações no universo com avanço tecnológico muito maior do que o nosso e alguma possibilidade destas civilizações estarem em nossa galáxia.

Até o momento a física mostra que não é possível fazer contato entre civilizações distantes, e isto vale inclusive para nossa própria galáxia, a Via Láctea, que tem um comprimento de cerca de 100.000 anos luz(!). Isto porque mesmo valores pequenos como 100 anos luz (quase nada em uma escala astronômica) é muita coisa em relação ao nosso próprio tempo de vida. Resumindo: Se N=2 (nós e mais uma civilização) e a distância que nos separa na Galáxia é 50.000 anos luz, será que há viabilidade em nos visitarmos mutuamente?

Caso seja descoberta futuramente uma forma de faze-lo (velocidades superiores à da luz? curvas acentuadas no espaço-tempo?) então a melhor explicação para o Paradoxo de Fermi será que eles não querem fazer contato formal até o momento.

Haverá motivo para que não queiram fazer contato? Em um próximo post demostraremos que sim, existem muitos.

Terceira conclusão de nossa viagem

Após esta análise, verificamos que o fenômeno UFO, se existir, pode não ter causa extra-terrestre de modo que não poderemos descartar essa possibilidade. Inclusive, se levarmos em conta que não temos qualquer indício científico concreto hoje que explique como vencer a barreira da distância, o melhor seria “esquecer o assunto” e dá-lo por encerrado até que a ciência “abra uma janela de possibilidade” para voltar a falar sobre o tema.

Mas porque isso não está acontecendo? Porque cada vez mais se discute vida extraterrestre e se gastam enormes recursos com essas pesquisas, construção de radiotelescópios, etc? A resposta é intrigante: Por causa das fortes evidências de existência do fenômeno UFO, o qual nós iremos apresentar em um post dessa série uma delas…

Uma vez que não podemos demonstrar a impossibilidade em percorrer distâncias astronômicas rapidamente então também não podemos descartar sua relação entre vida extraterrestre com o fenômeno UFO e igualmente, como não conseguimos explicar o fenômeno UFO até o momento então as duas questões estão no momento caminhando juntas, apesar de que ninguém provou até agora que estão relacionadas.

As primeiras Galáxias formadas