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“Quanto aos homens, não é o que eles são que me interessa, mas o que eles podem se tornar” Jean-Paul Sartre


Tendo em vista o post “Por que Existe Algo e não o Nada?”, agora entendemos que o nada absoluto estável e eterno é tão improvável que poderíamos considera-lo impossível, não obstante diversos pensadores argumentem o oposto.

Não por acaso, o título deste post é o mesmo da obra existencialista do filósofo Jean Paul Sartre, “O Ser e o Nada” (1943), que postula que nossa existência precede a nossa essência, para então surgir no mundo, se descobrir e fazer suas escolhas pautados no livre arbítrio, definindo então um propósito para nossas vidas (uma consequência do princípio da incerteza? …para pensar…) nos libertando de maneiras padronizadas de pensar e evitando recair em padrões de comportamento, encarando as escolhas de nossas ações e o impacto delas sobre e nós e a humanidade. Em sua visão “somos condenados a sermos livres” (algo similar ao nosso universo que combina as Leis e o Caos, aqui entendida como a liberdade responsável).

Seguem algumas considerações e afirmações para pensar e ponderar.

  • Se existe o “Algo” e não o “Nada” estável então existe a eternidade;

  • Nosso Universo não proveio do “Nada” porque o “Nada” eterno não existe, mas veio (segundo a física atual) de flutuações no vácuo quântico onde o “Nada” temporário pode levar, segundo uma teoria dita “Inflacionária” a um espaço crescente e muito rápido, necessário para dar materialização às partículas virtuais em seu interior.

    O primeiro modelo inflacionário havia sido proposto pelo físico americano Alan Guth, e nos anos seguintes vários físicos como Stephen Hawking, Paul Steinhardt e Andrei Linde participaram de seu desenvolvimento e modificação.

    O modelo inflacionário é aceito pelos cosmologistas, principalmente por estar de acordo com os dados experimentais da radiação cósmica de fundo. O trabalho dos físicos da Academia Chinesa de Ciências Dongshan He, Dongfeng Gao e Qing-yu Cai é o mais recente aperfeiçoamento, através de um artigo publicado na revista científica “Physical Review D”, mas que o intitularam (provavelmente forçados pelo regime comunista Chinês) como “Criação Expontânea do Universo a partir do Nada”.

    Há uma correção importante a ser feita: O “Nada Absoluto” inflacionário do momento da criação ou “Big Bang” é um estado intermediário ínfimo, de frações de segundo. Assim, não é o “Nada” que intermediou a criação do Universo mas as flutuações do vácuo quântico, o que é muito diferente do “Nada Absoluto e Estável”;

  • Nosso Universo teve um início e terá um final, e muito provavelmente não é o único a existir;

  • Existem possivelmente infinitos Universos formando algo que se denomina “Multiverso”;

  • Se existe o “Algo” ele precisa ter obrigatoriamente alguma organização, seguir algumas leis, porque, se não houvesse, um dos estados possiveis seria a sua aniquilação formando o “Nada” estável e isto é improvável;

  • Se existe o “Algo Organizado Eterno” pode-se presumir que, conforme o grau de “organização”, este “Algo” possa, ao longo da eternidade, se tornar complexo o suficiente para intermediar a criação de um ser pensante que tenha consciência de si mesmo: O Homem.

  • A eternindade pressupõe um período de tempo infinito, de modo que a organização do “Algo” pode se tornar tão complexa que, além de criar o Homem, pode, em tese, criar seres que passem a dominar a imortalidade e controlar e modificar o seu meio;

  • Esse “Algo Evoluído Organizado Eterno” pode ser chamado de deus ? Esse “deus” pode transpor as leis pelas quais foi formado? Pode fazer novas leis e formar um sistema próprio e independente, pode transpor seu Universo, dominar o Multiverso e se tornar Deus?

  • O Multiverso criado através da formação dos universos bebês, levou à nossa existência e, pela sua eterninade, à existência de um Ser Supremo Evoluído que passou a controla-lo?

  • Quem veio primeiro “Algo” ou “Deus”; o “Multiverso ou Deus” ?

    Uma vez que existe a Eternindade, então essa pergunta perde o sentido, porque não houve um princípio e não haverá um final para o Multiverso e podemos dizer que esse “Algo” e “Deus” são igualmente eternos.

    Na verdade, não se pode determinar se o Multiverso ou Deus vieram primeiro, porque não há princípio e nem fim..… a questão permanece em aberto e metafísicamente pode tomar perfeitamente uma rota Deísta.

    Se quisermos tomar uma rota Deísta, ela está permitida pela análise que fizemos e então podemos responder a algumas perguntas sobre Deus, analisando pelo ponto de vista Teológico a partir da física quântica e da metafísica:

  • Deus existe? Sim.

  • Quem criou Deus? Deus não foi criado porque não existe um princípio e nem existirá um final. E isso pode ser provado pela física para o ”vácuo quântico” e poderia ser aplicado a qualquer entidade, inclusive pode-se postular que o vácuo quântico emana de Deus que é “Alfa e Ômega”, o princípio e o fim em si mesmo;

  • A equação estabelecida no “Princípio da Incerteza de Heisenberg”, se for interpretada pela Teologia indica que “Deus não reside no Multiverso”, Ele não é uma consequência desta regra como nós somos, uma vez que, se entendermos Deus como a perfeição, a equação não pode ser aplicada a Ele;

  • O que é o Homem? O homem é uma evolução do “Algo” assistida ou permitida ou criada por Deus;

  • O que é Vida? Vida é a essência dada por Deus que nos constitui em caráter especial e nos torna “semelhante” a Ele em certa dimensão;

  • O Homem tem “alma” (ou espírito)? Sim, sua alma é a sua consciência que é fruto da ação de Deus sobre o “Algo”;

  • O Homem é imortal?

    Sua matéria se decompõe e sua inteligência e memória se apagam, porém existe um princípio da física (que falaremos depois) que estabalece que nenhuma informação no universo é perdida, e a alma do homem pode ser resgatada pelo criador. Deus, em princípio, não teria motivos para permitir a longa evolução do “Algo” para que, ao fim, ele se reduzisse ao “Nada”. O modo como isto é feito divide as Teologias.

  • O Homem evoluí após a morte? Tudo indica que sim, pelo que foi exposto acima, como ocorre esta evolução e em que sentido, divide as diversas Teologias.

    O caminho que escolhermos não mudará a realidade, nem a verdade nem acrescentará qualquer elemento ao Multiverso, que será sempre um reflexo e uma consequência da miríade de possibilidades que reside na sabedoria eterna e criadora de יהוה.

    Conclusão

    Não precisamos de Deus para explicar o Universo em que vivemos, o que não significa que ele não possa existir, ao mesmo tempo que não conseguimos dissociar o Multiverso da possibilidade da existência de Deus.

    A aplicação da lógica, da metafísica e da ciência demonstram que nosso Universo, o Homem, as partículas e as ondas estão intimamente relacionados a um conceito válido de deus e cabe a cada um buscar o seu caminho, teológico ou não, fazendo a distinção que mais lhe convier, inclusive abrindo caminho para a aceitação de um Deus Único, que não pode ser confirmado e nem refutado pela Ciência.