Category: Responsabilidade Social


anarquismo

No dicionário Aurélio a palavra Anarquia significa “Sistema político e social segundo o qual o indivíduo deve ser emancipado de qualquer tutela governamental. Estado de um povo que, virtual ou realmente, não tem mais governo”.

Os acontecimentos que vimos através dos movimentos sociais que agitaram o Brasil neste mês de junho, um mês festivo, das festas de São João e São Pedro, colorido pela Copa das Confederações da FIFA, e mês decisivo para a maioria dos estudantes do país, concentrados em provas e trabalhos para conclusão do semestre é algo atípico em todos os sentidos.

Longe de significar “desordem”, que é na verdade um falso significado atribuído propositalmente à palavra anarquia (do grego anarkhos, que significa “sem governantes”) no início do século XX pelos meios de comunicação controlados pela classe dominante, observamos neste mês passeatas e manifestações expontâneas por todo o Brasil reivindicando dignidade, transparência e desejo da participação popular nas decisões governamentais, por trás de pretextos objetivos como o aumento das tarifas de ônibus, a PEC 37 e a corrupção.

Que cidadão esclarecido ainda não percebeu que o atual governo pseudo socialista se tornou na verdade um representante dos benefícios de uma nova Oligarquia empresarial e utiliza a máquina estatal para seus propósitos propagandísticos e o dinheiro público para uma disfaçada compra de votos?

Podemos traçar um paralelo no Brasil com as diversas revoltas de jovens oficiais militares de baixa e média patente no início do século XX, o chamado Tenentismo e que resultaram na revolução de 1930, depondo um presidente (Washington Luiz), impedindo a posse de um presidente eleito (Júlio Prestes) e pondo fim à República Velha pelo governo provisório de Getúlio Vargas.

Semelhantemente, vemos agora movimentos perfeitamente coordenados e sem liderança definida, como se cada elemento que dele participou fosse um neurônio interligado a outros e reagindo individualmente e livremente para expressar a sua opinião, influenciar e ser influenciado e assim propagar rapidamente ideias aos outros membros, porém agora através da comunicação digital em tempo real, formando uma “rede social”, ao invés dos “18 do Forte de Copacabana” em 1922, que reivindicavam o fim das oligarquias de poder.

Não vamos falar aqui das iniciativas de depredação, apenas lembrando que uma parcela dessa população não tem muito a perder com isso, ou porque se apartou há muito da lei e da ordem social no plano individual, ou porque foram excluídas pela avassaladora pressão do funil capitalista. Cabe ainda mencionar que a maioria das pessoas que possuem uma filosofia anarquista (consciente ou não de seu significado), se opõe a todas as formas de agressão, enquanto outros, contudo, apoiam as manifestações violentas.

Resulta dessas distintas motivações portanto, uma minoria fragmentada, mas ativa, e que pode ser dominante e assumir controle em determinados momentos pela simples aplicação da força bruta. Neste pequeno parágrafo podemos concluir que, paradoxalmente, essas práticas violentas tendem a coexistir com esses movimentos pacíficos, porquanto estão intrinsecamente ligados pelo mesmo objetivo, que é causar a mudança através da expressão coletiva. Este é um assunto à parte e que pode ser amplamente explorado para a melhor compreensão do fenômeno.

Iremos nos concentrar no processo em si mesmo e na percepção da força coletiva formando um novo caminho de decisão, já ensaiado tantas vezes no passado nas correntes por “e-mails”, em ondas de protestos pelo “Twitter” que levaram ao constrangimento de diversas personalidades públicas e agora tomando força crescente pelo “Facebook” e “WhatsApp” e outros tantos aplicativos de sucesso, como o “Foursquare”, onde se pode, por exemplo, reclamar do atendimento de um restaurante ou elogiar algo que se considerou importante.

Constitue-se portanto a mídia eletrônica um suporte eficiente para a formação e guarda de novos conceitos sociais os quais geram ações, dentre as quais as manifestações que vimos propagados velozmente pelos smartphones, tablets, notebooks e celulares, não obstante a pífia rede de dados no Brasil a preços extorsivos.

Vivemos o século XX observando a força da liderança apoiada no individualismo. A liderança política cega do Nazismo, Facismo, Leninismo e Maoísmo, a liderança religiosa representada pelo papa e pelos grandes líderes evangélicos americanos e islâmicos, a determinação dos líderes sociais como Martin Luther King e Nelson Mandela, a liderança dos presidentes das grandes empresas multinacionais considerados “gurus” do mercado e recebendo salários astronômicos por sua capacidade de atrair dinheiro para a organização, a liderança militar representada pelos generais e comandantes dos regimes totalitários, entre tantos exemplos que poderíamos citar.

O que se viu nos movimentos de rua foi algo muito diferente. Partidos políticos foram intimados a se retirar das passeatas e em muitos casos tiveram suas bandeiras e faixas quebradas. Nenhum líder se apresentou e ao mesmo tempo muitos foram ouvidos em reportagem, pessoas que tomavam para si a responsabilidade do que estavam fazendo, como se elas próprias guiassem o movimento, mas conscientes de que faziam parte de um todo que simplesmente se movimentava e reivindicava mudanças, uma “organização libertária baseada na livre associação”, isto é, uma organização tipicamente anarquista. Um organismo vivo pluricelular impelido pelo auxílio mútuo.

Em maio de 1968 na França, ocorreu uma greve geral que superou barreiras éticas, culturais profissionais, de classe e idade, iniciada a partir de movimentos estudantis. A tentativa de conter pela força policial estes movimentos fez com que eles se alastrassem por outras categorias sociais a ponto do general de Gaulle criar um quartel general para conter a insurreição, dissolver a Assembléia Nacional e marcar novas eleições parlamentares, criando a atmosfera do filme de Bernardo Bertolucci, Os Sonhadores (2003). Hoje se entende que este fenômeno teve suas raízes inspiradas em ideais socialistas e no anarquismo.

Qualquer semelhança entre o ocorrido aqui e na França não é certamente mera coincidência.

Estarão se desenvolvimento os pilares da Anarquia na sociedade humana? A mídia digital poderia ser um instrumento de catálise deste processo?

Seria este processo um prenúncio do estabelecimento de um regime anárquico a ser implantado no planeta Terra futuramente unificado? Até que ponto essa hipótese, formulada por esta pergunta tem fundamento e o que ela poderia trazer de positivo para a humanidade? Isso pode ser considerado como uma das soluções para a permanência da espécie humana na terra e no universo, como objetiva analisar este blog?

Poderíamos imaginar em um futuro não muito distante um Congresso Nacional formado de deputados e senadores “não eleitos”. Líderes voluntários que se aproximaram da casa e foram selecionados pelas redes sociais pela sua legítima vocação em defender os interesses da comunidade. Pessoas que entram e saem de seus cargos sem um prazo definido, dando lugar a outros que igualmente estarão presentes para o desenvolvimento do bem comum, aperfeiçoando os mecanismos da sociedade através do poder executivo.

Poderíamos imaginar que já não existe um presidente, nem um primeiro ministro, que a população é informada sobre tudo a todo o tempo e influencia esses governantes temporários em tempo real. Uma sociedade que já não mais precisará de passeatas, nem de utilizar a violência, posto que será ouvida por todo o tempo e em todos os lugares, representada em cada uma de suas minorias.

Poderíamos imaginar que daqui a umas poucas décadas, em função da falência de todos os sistemas políticos do mundo, do caos econômico e da imensa poluição resultante do abuso e do excesso de consumo (de poucos), não haverá outra solução que cada habitante deste planeta marche para as sedes de seus governos ao mesmo tempo e os tomem, e se unam em um mesmo e único propósito: o de sermos um só povo, uma só nação e termos um único e eterno objetivo que é ver o ser humano conscientizado de sua responsabilidade no elo biológico em esfera global.

Neste dia estaremos preparados para iniciar uma verdadeira e prolongada nova era, sem que tenhamos que ser comunistas ou capitalistas, simplesmente pelo profundo respeito às diferenças que nos enriquecem e fortalecem, fazendo de cada um uma pessoa livre e única e ao mesmo tempo de todos nós um só povo.

Será então o fim do Homo Sapiens (o homem sábio) que dará seu lugar ao Homo Conscious – o homem consciente.

Reforma Política Já!

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Dando continuidade ao post “A Evolução do Pensamento”, lá descobrimos um dos pilares que fundamentam a nossa sociedade, baseado nas soluções paralelas que foram propostas e desenvolvidas pelos dois hemisférios de nosso cérebro e que fundamentaram a nossa caminhada terrestre e permitiram a sua percepção através da vivência e experimentação.

O homem encontrou soluções para sua sobrevivência e que levaram ao desenvolvimento simultâneo do conhecimento formal objetivo e a exploração do espaço metafísico, e que geraram então duas grandes áreas, a ciência e a religião.

O que mostramos até aqui, é que ambas estão entrelaçadas e são importantes e necessárias à sobrevivência em nossa caminhada terrestre e foram capazes de gerar civilizações com grande avanço social, como os Sumérios, que inventaram a escrita cuneiforme, os Babilônios, que criaram o famoso “Código de Hamurabi” que tinha por objetivo defender a honra, a família e sua dignidade e prosperidade e criaram um dos grandes centros da antiguidade. Os egípcios, que souberam integrar a matemática, a astronomia e a arquitetura a serviço de sua interpretação do universo e finalmente a Grécia, onde surgiram os principais filósofos representados por Pitágoras (571 A.C), Platão (427 A.C) e Aristóteles (384 A.C).

Os gregos não acreditavam que a natureza humana era fundamentalmente selvagem por sua capacidade em reconhecer o bom e o verdadeiro e então decidir-se por buscar o bem comum como seres políticos, e não simplesmente gregários como os animais, e assim reconhecer o direito universal e a justiça estabelecendo a comunhão com o mundo natural.

A escola grega chamada Estóica dizia que “o objetivo do homem é viver em harmonia com a natureza. Viver em harmonia com a natureza é viver virtuosamente, e viver virtuosamente é viver feliz”.

Os antigos entendiam que a sociedade humana era um microcosmo pertencente a um macrocosmo, seres finitos contidos no infinito da eternidade e não poderia haver a separação entre o homem natural e Deus. A religião e a ciência, a mente e a matéria, faziam parte de um todo vivo e consciente e todas as partes do mundo vivo compunham a totalidade do universo.

Agora faço uma pergunta: Qual a importância da harmonia entre as propostas científicas e religiosas? Como esta harmonia pode existir? Há alguma relação entre isto e o modo como agredimos a natureza e estamos sendo conduzidos para um consumismo sem limites?

É o que veremos neste post. Como parte do objetivo deste blog, que busca a preservação da espécie humana, nos cabe reconhecer e apresentar problemas desafiadores e então buscar as soluções possíveis.

Ao se estudar a história da filosofia percebe-se que houve uma clara ruptura entre este pensamento antigo e o moderno. Mesmo com as sociedades beligerantes, as conquistas e dominações romanas, o expansionismo da igreja católica e suas guerras e o fundamentalismo islâmico e cristão, houveram pensadores que mantiveram esta conexão. Um exemplo é Tomás de Aquino, no século XIII, que não enxergava a separação entre Deus e sua criação e ensinava que devemos experimentar o mundo do interior para o exterior sendo o mundo natural uma expressão da criação de Deus e afirmou que não pode haver contradição entre a fé e a razão.

E essa visão é holística, é universal. É coerente com diversas culturas indígenas no mundo, que não sofreram a influência do cristianismo; com o Islamismo, representado pelo Alcorão, que ensina que a natureza possui organização inteligente onde se pode reconhecer a grandeza de Alá. Apresenta compatibilidade com o Taoísmo na China e a tradição védica na Índia em que a “Sanatana Dharma” (सनातन धर्म) ou “Lei sempre Viva” é semelhante à “Lei Eterna” de Tomás de Aquino.

Enquanto existem pessoas que não conhecem ciência ou religião, existem também aqueles que confundem e misturam as duas coisas criando uma mistificação ignorante, há os que acreditam que a religião é a causa de todos os males da humanidade e deveria ser extinta, aniquilando culturas e conhecimentos antigos e prendendo seus seguidores e existem aqueles que acreditam que a ciência não é necessária, porque a presença de Deus supre todas as coisas e podemos nos isolar e viver como os povos da pré-história, ou que ser religioso é obrigar as pessoas a terem os mesmos pensamentos perseguindo e matando os dissidentes.

Será que não existe um termo de harmonia entre as propostas? Não é possível que o homem entenda que a busca do conhecimento metafísico passa por uma expressão religiosa saudável que constrói princípios de convivência social em respeito à natureza e que direciona a Ciência ao bem comum?

Há um abalo nos fundamentos da sociedade moderna que estamos vivenciando intensamente e que foi predominante a partir da Revolução Industrial e encontrou seu ápice no século XX, algo que poucas pessoas atualmente sabem ou se dão conta de existir.

Esta inconsistência ou “não conformidade” é uma das causas raiz dos problemas do mundo moderno e resulta na interferência e na modificação dos ciclos da natureza por causa da poluição, na destruição das espécies, na impotência diante da fome e das desigualdades sociais, na incapacidade em estabilizar o crescimento populacional, na incapacidade de comunicação entre sociedades “democráticas”, militarizadas e teocráticas (EUA, Coréia do Norte e Irã, por exemplo) e na desvinculação entre as novas soluções tecnológicas, estilos de vida e mesmo da arte contemporânea, que definem nosso modo e estilo de vida, ao ecossistema, sem haver uma visão holística.

Como se pode facilmente observar, e foi objeto de diversos posts até aqui, há neste século uma tendência de polarização crescente entre a ciência e a religião e nós citamos cientistas que entendem que a religião é um atraso completo para a humanidade e há religiosos que entendem que a ciência não pode ser opor ao fundamentalismo de suas escrituras.

Mas qual é o resultado em dividir as pessoas para se posicionarem em um dos dois lados ?

O primeiro efeito evidente é a oposição de pensamentos antagônicos e como consequência atitudes de agressão e violência, conforme temos acompanhado citando a perseguição dos monges budistas no Tibete pela China e dos cristãos na Arábia Saudita, e também citando as atrocidades humanas cometidas pelos Cruzados, a Santa Inquisição e suas barbaridades em nome de deus, a perseguição de Copérnico e Galileu por considerarem que a Terra não era o centro do universo e o desprezo pelas causas sociais e da preservação da natureza por muitas religiões “espiritualizadas” completamente desconectadas dos problemas “reais” da humanidade.

Mas há um efeito ainda mais perigoso. À medida que o ser humano se empobrece deixando de se questionar de onde veio e para onde vai, deixando de acreditar na imortalidade da alma e que o Universo foi formado por uma inteligência superior, sendo pura obra do acaso, conforme afirmado veementemente por cientistas ilustres, então se esvazia sua alma, sua capacidade de ver um todo eterno e harmônico, interconectado por padrões reconhecíveis provenientes de uma inteligência formadora, anulando sua capacidade de admirar a integralidade da ética e a fortaleza da virtude.

Precisamos então da Religião e por isso devemos acreditar em Deus ?

Não se trata disto, mas sim da necessidade de questionamento metafísico e filosófico à exemplo de Pitágoras e Platão para que “a alma não esqueça o verdadeiro conhecimento ao descer de sua condição imaculada e celestial para fazer parte somente do mundo material”.

Questionamento este que está sendo perdido, que não é matéria escolar, que não se encontra em igrejas que apresentam seus dogmas já prontos e indiscutíveis, e na ciência que tem por propósito perpetuar aquilo que possui valor econômico aparente. Uma ciência que elimina a vinculação e a harmonia entre o ser humano e seu universo, a natureza e sua unidade, fazendo-o senhor de si mesmo e ao mesmo tempo reduzindo-o a nada. Uma ciência aprisionada por empresas que financiam estudos que buscam resultados unicamente para alavancar suas vendas.

A ciência que se contrai, porque busca incógnitas discretas que assumem valores finitos e temporários, com restrições e condições de contorno bem definidos, dentro da rudimentar previsibilidade da limitação de interesses orientada ao utilitarismo, enquanto poderia se expandir como uma ferramenta para encontrar grandezas de fluxo e conteúdo energético que resultem em infinitos caminhos e miríades de estados definidos pelas variações particulares de seus elementos.

A desconexão entre ciência e a religião, ou se preferirem, entre a ciência e a busca da verdade metafísica, é como a separação entre o homem e a mulher, de modo que não mais precisem um do outro e andem por caminhos distintos, o que em parte temos visto em alguns movimentos sociais do século XX e pela impressionante quantidade de divórcios. É como a separação entre a onda e a partícula, como se na física atual se pudesse explicar o comportamento da luz sem assumir que ela se comporta segundo estas duas teorias. É como querer separar cargas elétricas opostas, de modo que cada uma siga seu caminho sem buscarem incessantemente uma à outra, sem que haja um elemento terra onde este fluxo possa repousar.

Observe como as dualidades fazem parte de nosso universo e como foram percebidas pelos povos do oriente originando as palavras Yin e Yang representadas pelo símbolo do Tao, e como estes povos incorporaram então este conhecimento para aplicarem em seu cotidiano, desenvolvendo, por exemplo, a acupuntura e regras de convivência harmônica com a natureza ensinada pelo Feng Shui.

Constata-se no mundo moderno, diferentemente do mundo antigo, que não está ocorrendo uma busca de soluções respeitando os ciclos da natureza, que eram percebidos e tratados como obras da divindade e então respeitados.

Há também, como desdobramento do mesmo problema, uma crença cega nas “maravilhas da ciência” sem qualquer interesse em conhecer seus fundamentos em sem questiona-los, exemplificando a influência do consumo de alimentos geneticamente modificados. Há uma perda generalizada de interesse pelas questões fundamentais da vida, da filosofia, da ética, dos problemas sociais e dos desafios que estamos enfrentando no mundo atual.

Paralelamente, há uma busca pelo prazer, pelo benefício próprio e exclusivo, a busca de soluções imediatas que se resolvem por implantes de seios e glúteos, a necessidade do aumento do pênis, o consumo abusivo de Viagra e o uso exponencial de cosméticos e medicamentos para emagrecer. Há uma crise de inteligência criativa, uma tendência a aceitar paradigmas e um agnosticismo social marcante.

A natureza do homem é por sua vez orientada a buscar soluções reais baseadas na visão consciente e na razão, ao mesmo tempo que pode viver abstrações emotivas criando sua própria percepção da realidade e reagindo consciente e inconscientemente a ela.

A essência da natureza humana é a busca da verdade por aquilo que consegue ver com os olhos de sua mente e alma para então encontrar a Harmonia entre os dois hemisférios de seu cérebro entrelaçados através de seus processos conscientes e inconscientes. Processos que se expressam em última análise através das ferramentas da ciência e nas respostas que encontra para as perguntas fundamentais que o ser faz a si mesmo em um ato contínuo na busca do auto-conhecimento.

Perguntas e respostas que são a essência da metafísica em sua expressão religiosa mais genuína, e que definirão nossas escolhas, formarão nossa base de valores e moldarão nossa personalidade pela afirmação ética e moral diante dos estímulos que receberemos dos desafios do presente século para nossa perpetuação individual e coletiva.

Precisamos lembrar de nossas raízes, do modo como as civilizações foram formadas e como elas consideraram a aliança entre a ciência e a espiritualidade, e cuidar melhor de nossa casa para que o nosso futuro seja próspero e contínuo e mesmo eterno,

porque com nossos pensamentos criamos o mundo

Buda

O título deste post é uma homenagem ao capítulo 4 do livro do príncipe Charles – Harmony – A Revolução da Sustentabilidade, que apresentamos em um post anterior.

Qualquer pessoa pode perceber facilmente os efeitos dos impactos ambientais provocados pela ação humana no planeta. Outro dia alguém me perguntou por onde andam os vagalumes. Quando eu tinha 10 anos, em 1973, lembro que via frequentemente essas criaturas interessantes, que iluminavam as noites e eram a alegria das crianças. Onde estariam agora? Outra pergunta: elas fazem alguma diferença na vida do planeta além de alegrar as crianças? Podemos “elimina-las” sem qualquer impacto?

Outrossim, este impacto está diretamente relacionado ao aumento populacional e ao modo de pensar da sociedade, o que determina o seu meio de vida e comportamento. Dependendo da cultura dominante, esta interação pode ser mais ou menos agressiva contra a natureza. Neste ponto, lembro-me do assassinato de baleias institucionalizado no Japão…

Infelizmente, dentre as muitas culturas que apareceram, as que mais se desenvolveram dominaram violentamente e subjugaram as demais, que estavam mais adaptadas e integradas ao meio ambiente, como as populações indígenas e tribais.

Herbert George Wells no seu livro publicado em 1898, que foi transformado em filme por Steven Spielberg em 2005, estrelado por Tom Cruise “A Guerra dos Mundos” e Isaac Asimov com o livro “Eu, Robô”, também transformado em filme estrelado por Will Smith, são exemplos de escritores que questionaram a capacidade humana de cuidar de sua própria espécie, de modo que suas obras contribuem para o aumento da consciência em relação ao tema.
O enredo é uma analogia à Inglaterra e à Europa do século XIX – potências imperialistas que submetiam, colonizavam e sugavam recursos de culturas menos avançadas tecnologicamente. Com A Guerra dos Mundos, Wells procurava mostrar o que seria da Inglaterra se ela enfrentasse o mesmo tipo de extermínio social, econômico e cultural que impunha a outros povos.

Os romanos, que foram uma das civilizações que dominaram o mundo, caçavam milhares de animais para os espetáculos no Coliseu e foram responsáveis pela extinção regional de muitas espécies como elefantes e leões na África do Norte, o elefante sírio, o hipopótamo do Nilo e o urso do atlas (Ursus arctos crowtheri) para lutarem com seus gladiadores nas arenas.

Eles drenaram lagos e desviaram rios causando os primeiros grandes impactos ecológicos e criaram em nosso inconsciente coletivo o falso paradigma de que os homens podem dominar e mudar o ambiente tanto quanto quiserem. Esse pensamento foi impresso de tal maneira em nossa cultura que predomina em todas as principais teorias econômicas do século XX que não levaram em conta o valor e o custo do meio ambiente ou Eco-nomia.

A sociedade dominante atual é formada pelos países ocidentais e se fundamenta em um pensamento pragmático moldado a partir da cultura greco-romana, nas interpretações abstratas e desconectadas do mundo real dos fundamentos das religiões judaica e cristã feitas por algumas religiões, no pensamento humanista e iluminista e no mecanicismo racionalista* dos séculos XVII e XVIII que deram origem à revolução industrial e originaram não só o capitalismo exploratório, mas também a contra resposta comunista baseada no marxismo, sendo hoje o principal representante a república popular da China, o segundo país mais poluidor da terra atrás dos EUA.

Menos afetados por estas escolas de pensamento, porém envolvidos por todas as estruturas dominantes na esfera econômica mundial, estão o mundo islâmico, deteriorado pelo fundamentalismo e radicalismo, e a cultura hindú, sendo que a antiga cultura milenar chinesa foi destruída pelo Comunismo, bem como as antigas tradições orientais do leste europeu, incluindo a Rússia.

Essa nova ordem econômica imprimiu no homem moderno o falso paradigma da necessidade de crescimento econômico baseado num consumismo ilimitado, como se os recursos naturais e o espaço para o crescimento populacional fossem infinitos, e não incluiu “na conta” o valor econômico dos ciclos da natureza, como por exemplo, a polinização causada pelas espécies de abelhas que estão desaparecendo e a desertificação das florestas causadas pelo abate ilegal de madeira.

Não se trata aqui de criticar-se o iluminismo, ou o marxismo ou o fundamento da religião, trata-se de sua aplicação errônea ou tendenciosa que resulta em uma orientação voltada para o desequilíbrio psicológico, desarmonia ecológica, inversão e substituição de valores, e tudo o mais que gera a violência, a pobreza, a fome, a exploração humana (prostituição, trabalho infantil, trabalho escravo) as doenças, o consumo de drogas, a ignorância, a violência contra a mulher e a criança e a destruição de espécies e do patrimônio ambiental.

O que fazer? A percepção destes fatos é o princípio de tudo e, em seguida, considerar a sua aliança e participação ativa em um dos muitos movimentos independentes que tem se conectado como uma “rede de vida” para a salvação de nosso planeta.

Falando sobre isso, fico aborrecido, triste mesmo, em ouvir de algumas religiões ou movimentos que nossa terra “já está perdida” e que o Apocalipse está próximo. A vocês, sejam cristãos ou místicos que acreditam no final do mundo em 21 de dezembro de 2012, eu digo: estudem, meditem e cheguem às próprias conclusões sozinhos, e verão que ainda dá tempo para mudar o nosso futuro, e esse princípio, é um dos fundamentos da mecânica quântica e da bíblia, a saber: não existe a predestinação.

* A figura ao lado se chama “Les Tourbillions” e é uma ilustração de 1644 do livro de René Descartes “Principia philosophiae”