Latest Entries »

nebulosa


Este post foi escrito para abordar a principal pergunta da Metafísica, a parte da filosofia que busca o conhecimento da essência das coisas. Os diversos posts da série Filosofia nos permitem desenvolver e completar vários pontos aqui descritos, de modo que os recomendamos, conforme os links apresentados e destacados no texto.

Primeiramente vamos tentar entender a pergunta. Ela é composta das palavras: Por que, Existir, Algo e Nada.

A existência pode ser entendida como real ou imaginária, vamos dizer que é real quando corresponder à um fenômeno físico, que tem causa e efeito, e é muito comum no mundo dito “macroscópico”, isto é, visível aos nossos olhos, aos nossos sentidos e aos nossos instrumentos de medida.

Podemos dizer que a existência é imaginária quando se trata do pensamento, das ideias, da matemática, da inspiração, do amor, enfim, dos sentimentos e entidades abstratas.

Como vimos no post “Ser ou Não Ser”, existe ainda uma classe que não se situa em nenhum desses dois lados, são entidades que “existem e não existem ao mesmo tempo”, como já demonstrado na física quântica dentro do “espaço de Planck” e percebida nas imediações de um “buraco negro” pela radiação Hawking, correspondendo a “partículas virtuais” que situam-se no limite entre a existência e a não existência e podem vir a existir se forem suficientemente estimuladas gerando um par elétron -pósitron. Vamos chamar esta categoria de entidades virtuais.

Assim sendo, “Algo” nesta pergunta pode ser entendido como uma entidade de existência Real, e também poderíamos incluir estas partículas virtuais existentes no vácuo quântico.

A palavra “Nada” aqui pode ser entendida como o vácuo absoluto, o nada absoluto. Mas em que dimensão? Aqui temos duas possibilidades: o nada absoluto em todas as dimensões até o Infinito e o vácuo quântico postulado pela física. O “Nada” da pergunta do título refere-se ao “Nada Absoluto Infinito” e estável, que é diferente do “Vácuo Quântico”, como questionamos e desenvolvemos neste post , que pode ser entendido como o espaço no qual aparentemente não existe nada para um observador qualquer, mas que contém uma quantidade mínima de energia, campos eletromagnéticos e gravitacionais principalmente e partículas virtuais (partículas de força) interagindo entre si.

Podemos começar agora a nossa análise, uma vez entendida a pergunta. Vamos escrever a pergunta novamente então:

“Por que existem entidades reais ou virtuais ao invés de haver um completo vazio no lugar delas?”

Agora a compreensão da pergunta já melhorou bastante, e isso já nos permite iniciar sua análise, para isso fizemos uma “análise semântica”, que é o que falta na maioria das vezes para se responder a perguntas que podem ter vários significados.

Observamos o mundo das “coisas” (vamos chamar estas entidades reais ou imaginárias de “coisas” para simplificar) é organizado, existem leis, princípios, regras. Não vemos no universo que as coisas se encontram completamente destituídas de regras, muito pelo contrário, mesmo no aparente caos, mesmo na ocorrência de probabilidades diferentes para o resultado de uma mesma causa, existe uma ordem. Exemplos são o movimento browniano, onde as moléculas se movem em um líquido aparentemente ao acaso, a direção dos ventos, o movimento dos elétrons dentro do átomo, e outros. Assim, não existe a ordem absoluta ou determinismo absoluto (através do qual o futuro poderia ser previsto) e não existe o “Caos” absoluto porque assim observamos em nosso universo.

Uma palavra chama a atenção aqui, no parágrafo anterior é o “Caos Absoluto”. Vamos pensar nele, vamos usar filosofia.

Se temos de um lado “regras”, de outro poderíamos ter “falta de regras”.

Um exemplo do cotidiano: chuto uma bola em direção ao gol e ela vai para a direção oposta, então ao ver a imagem filmada com mais detalhes percebo que “chutei errado”porque vivo em um mundo regido por regras, e onde para cada efeito existe uma causa bem determinada. No caso, a regra se chama “conservação da quantidade de movimento”.

Agora vamos imaginar a mesma situação dentro de um ambiente “sem regras”. Eu chuto a bola e ela vai para qualquer lugar. Eu chuto a bola sempre no mesmo lugar, sempre no mesmo ponto e com a mesma força e ela toma qualquer direção, vai para qualquer lugar, em algumas vezes atinge o gol e na maioria delas vai para longe dele sem explicações para o ocorrido….

O exemplo acima é bastante ingênuo ou simplista, mas suficiente para entender. Não podemos correr, ter uma bola, chutar, etc, em um ambiente em Caos Absoluto, precisamos de uma regra para o movimento da bola, uma regra para correr e uma regra para chutar, mas se pegarmos “um pouquinho” do Caos, somente aplicável à ausência da lei da conservação da quantidade de movimento (também chamado momento linear) já dá para entender o seguinte:

Num Universo sem Leis tudo é possível, tudo é permitido. Ora, se tudo é permtido então Nada é proibido, se nada é proibido então o Nada se auto restringe, logo o Nada é impossível….

View full article »

Anúncios

mitologia


O ser humano busca sua sobrevivência como espécie através da inteligência pela qual busca sua sustentabilidade e melhores padrões de qualidade de vida. Suas soluções advém primordialmente dos lados esquerdo e direito de nosso cérebro e ambos são os originadores primários da Ciência e da Religião, como se poderá analisar com mais cuidado em “A Evolução do Pensamento”.

No post “Ser ou Não Ser” realizamos uma análise de onde surgiu nosso universo utilizando princípios da Física, da Mecânica Quântica e um pouco de lógica, sem admitir que ele pudesse ter sido criado por Deus e então chegamos na possibilidade científica e filosófica da existência de um Multiverso. Mas será que o Multiverso realmente existe? Poderá um dia ser descoberto?

A Ciência pára no Multiverso, que ainda precisa ser equacionado matematicamente para se verificar se há coerência em sua hipótese e assim fazendo que este seja o seu limite, mas a Religião através de suas Teologias se propõe a seguir em frente, ir mais longe, como veremos a seguir.

Trincas de Quarks

Se fizermos uma análise materialista sobre a existência de Deus, como no post “Consequências do Materialismo” iremos verificar que a hipótese de que Deus não exista leva o nosso Universo (ou o Multiverso) a produzir seres inteligentes (nós) a ponto de continuarmos nossa existência estendendo-a à eternidade ou enquanto durarem os recursos para repormos a matéria que nos constitui. Chegaremos à interessante conclusão que somos robôs (!!).

Essa linha de raciocínio é científica e baseada na ideia de formação de vida inteligente pelo próprio universo por mero acaso, como os cientistas gostam de fazer, porque “a Ciência procura reduzir ao máximo as hipóteses que não pode provar para entender as coisas, caso contrário, deixaria de ser ciência para ser Religião“. Entretanto, existe na atualidade um amplo questionamento sobre isto, com vimos no post “A Ciência está perdendo a Objetividade?”

Verificamos assim, através das argumentações e hipóteses que fizemos naquela série de posts, em especial em “O Paradoxo da Materialidade” que, seguindo esta linha de raciocínio seremos “deuses” criados por um Universo inanimado e então nos perguntamos:

“Se este Universo inanimado nos gerou, porventura não teria produzido muito antes de nós alguém mais perfeito e que se perpetuou?”

Concluímos por essa analise que poderíamos, entre outros, termos sido “plantados” ou produzidos artificialmente por esse nosso “criador”, levando à uma teoria que se denomina “Panespermia Cósmica”.

Se o Universo cria “deuses” não seria possível pensar que Deus existe e criou o Universo? Quem veio primeiro, Deus ou o Multiverso?

Seguindo ainda o pensamento de sermos feitos exclusivamente de matéria ou “Trincas de Quarks”, as criaturas inteligentes deste, e possivelmente outros Universos Paralelos  podem, em tese, se desenvolverem continuamente substituindo sua matéria corruptível por outra melhorada e se aprimorar cientificamente e intelectualmente até que dominem o Universo em que vivem.

A questão agora é saber se estas criaturas produzidas dentro de um Universo particular poderiam de algum modo serem transportadas pelo Multiverso, ou se as demais criaturas que possivelmente devem existir na mesma condição em outros Universos poderiam se encontrar.

Mitologia

A primeira possibilidade é que cada Universo “aprisiona” o seu próprio “deus”, que neste caso irá perecer com ele tal como o “gênio aprisionado em sua lâmpada” das antigas culturas do oriente médio. Tornamo-nos então deuses temporais, e já não caberia talvez utilizar a palavra deus, que implica em uma aproximação da Onisciência, Onipresença e Onipotência, quando muito, seriamos semelhantes aos semi-deuses da Grécia antiga ou aos gênios (do termo árabe Jinn).

A segunda possibilidade é que esses “deuses” foram capazes de se transportar para o Multiverso e lá sobreviveram e dessa situação resultaria o Teísmo (a existência de deus ou deuses). Teremos assim um deus aprisionado pelo Multiverso, eternamente, dado que o Multiverso é teoricamente infinito. Outrossim, ele não é o Multiverso e não poderá altera-lo significativamente ou não conseguirá faze-lo porque isso implicaria em sua desestabilização e morte mas poderá induzir a criação de novos universos e suas criaturas.

Outro fator importante em termos científicos é que atualmente, até onde a Ciência pode chegar, um deus aprisonado no Multiverso não tem como conhecer o futuro, porque segundo as leis da física o futuro é imprevisível, o que nos remete novamente ao Teísmo Aberto e reduz a sua Onisciência.

Temos nesse modelo deuses gerados pelo Universo que, entretanto, terão que evitar a concorrência causada por novos candidatos a habitarem no multiverso que certamente surgirão pelos mesmos fatores que o fizeram surgir. Se dois deles com poderes iguais se formarem e se enfrentarem temos agora o Maniqueísmo, a eterna luta do “Bem contra o Mal”, a disputa de poder em nível Cosmológico representado pela cultura Persa e Babilônica no século III.

Lembrando que na Ciência o “útero” da “mãe universo” ou “plasma mãe” (o Vácuo Quântico) produz continuamente formas de vida no Multiverso, esse deus terá bastante trabalho em controlar a população concorrente e que poderá um dia ameaçar sua hegemonia o que nos remete à mitologia Greco-Romana.

Uma terceira possibilidade é que exista dentro do Multiverso um (ou mais) universos especiais cujos seres inteligentes podem se comunicar com os demais e assim reinar sobre o Multiverso, o que suporta a crença de diversas religiões espiritualistas, sendo uma variação do Teísmo.

Uma quarta possibilidade seria pensar nesta Essência organizada de forma Pura e Ùnica, coexistindo e interagindo com o Multiverso em uma dimensão separada.

Teologicamente, esta parece ser uma escolha mais adequada do que imaginar sua presença no interior do Multiverso, uma vez que se pode postular que o Vácuo Quântico é “movido” ou “animado” pela emanação de יהוה e podemos considerar que a essência de יהוה é o que caracteriza a distinção entre “vivo” e “inanimado” e que essa essência voltará para o lugar de onde veio, fora do Multiverso, que não precisaria necessariamente existir.

Resumindo temos as seguintes hipóteses:

  • Deus não existe – Ateísmo
  • Deus é o Universo – Panteísmo
  • Deuses são as formas de vida dominantes em cada Universo – Teísmo
  • Deuses migraram para o domínio do Multiverso – Panenteísmo
  • Deus não foi formado pelo Multiverso e o Criou – Deísmo

 

CONCLUSÃO

Todas as análises que fizemos levam às mais variadas e possíveis consequências sobre a formação de deuses pelo Multiverso e cada uma dessas conclusões leva a um mito diferente que é base de alguma Religião humana, não cabendo aqui julgar a veracidade do mito ou fazer uma escolha religiosa mas demostrando a criatividade do cérebro intuitivo que através da observação da natureza cria suas teorias.

Exceto na hipótese de Deus ter criado o Universo chegamos, entretanto, à conclusão paradoxal que cada uma dessas mitologias advém do Universo Materialista postulado pela Ciência, um universo que cria seus próprios deuses, de modo que o “inanimado” gera o que é “vivo”, não fazendo sentido do ponto de vista teológico.

A única possibilidade de que Deus tenha criado o Multiverso (ou somente o Universo) é que Ele resida em outro sistema e por isso, em todos os posts que escrevemos sobre o Vácuo Quântico ou “O Limite da Ciência” consideramos que יהוה manifesta sua presença organizadora como o “motor” que faz o aparecimento de realidades instáveis, dualidades e oposições complementares para seu equilíbrio levando aos princípios de conservação assumidos pela Física, efeitos e ciclos temporais que formam uma gigantesca “máquina” inteligente movida por leis e pela qual fomos formados.

Teologicamente, assumir יהוה como Onisciente, Onipresente e Onipotente e criador do Universo (ou do Multiverso) de onde derivam todas as coisas é a hipótese mais coerente e completamente inexplicável pela Ciência, a qual, infelizmente, está limitada ao nosso próprio Universo e, assim sendo, nunca poderá chegar até Ele.

Observar que utilizando premissas materialistas chegamos à necessidade de um Multiverso para explicar nossa existência!. Ora, o Multiverso é uma “entidade não observável“ e que dificilmente poderá ser comprovada! 

Esse Multiverso eterno e estável, infinito e criador de tudo, organizado e inteligente é uma suposição tão abstrata quanto pensar em um Deus Onipresente, Onisciente e Onipotente e ambas são teses inobserváveis e imensuráveis.

Ao procurarmos explicações para nossa existência chegamos à uma entidade que a Ciência chama de Multiverso e é, nesse aspecto, similar à que a Religião chama de Deus. Porém, se assumirmos que Deus existe já não precisaremos mais do Multiverso, isto é, não precisamos dizer que nosso Universo advém de outro se ele foi criado por Deus.

Para se ter uma ideia da similaridade a que chegamos entre Ciência e Religião, se chamarmos o Multiverso de “Mãe Natureza” ou o igualarmos a Deus, então podemos ser considerados como religiosos panteístas. Nota-se então como a Ciência e a Religião podem chegar a um lugar comum…

,como também poderíamos analisar no capítulo 1 do livro de Gênesis, que é um outro exemplo, de caráter Deísta.

Ciência e Religião não precisam concordar sempre, como no caso, onde Deus foi demonstrado como hipótese tão válida e respeitável quanto as melhores considerações atuais da Ciência, ambas inobserváveis, imensuráveis e fruto do pensamento humano.

No nosso modo de ver, como temos discutido em diversos posts entre Ciência e Religião, há que se encontrar um equilíbrio entre as duas posições para a saudável manifestação da Religião em nossa sociedade e para isto é necessário que se conheça ambas, as quais, representam o lado direito e o lado esquerdo de nosso cérebro e são o exemplo máximo da Complementaridade.

Limites

“Se vi um pouco mais longe, foi porque estava de pé nos ombros de gigantes. Isaac Newton em carta escrita para o cientista Robert Hooke no ano de 1676.

Os antigos gregos meditavam sobre um problema filosoficamente interessante:

“Um arqueiro mira em um alvo e atira a sua flecha. Para acertar o alvo a flecha percorre a metade da distância entre o alvo e o arqueiro e, sucessivamente, precisará percorrer uma nova metade e ao chegar nela terá que percorrer outra metade e assim por diante, infinitamente…”

A pergunta é: Se existem infinitas metades entre o arqueiro e o alvo, como a flecha poderia chegar lá?

Esta questão, formulada cerca de 450 A.C. pelo grego Zenon de Eléia é conhecida como um dos “Paradoxos de Zenon” e conhecida em filosofia como “redução ao absurdo”. Mas há também o “Paradoxo de Aquiles”, que persegue uma tartaruga que saiu a sua frente na corrida, mas jamais poderá alcança-la, uma vez que sempre que ele chega onde a tartaruga estava ela já teria se movido e estaria a frente…

Essas questões não fazem muito sentido para a nossa sociedade atual porque o início do Renascimento trouxe como consequência até nós o pensamento pragmático e objetivo. Se a flecha atinge o alvo porque se preocupar com isso? Se a mecânica quântica funciona bem porque se preocupar com o “gato de Schrodinger” (aquele que aparece e desaparece ao mesmo tempo…).

Afinal, qualquer um sabe pela experiência do cotidiano que a flecha sempre atingirá o alvo se foi disparada na direção certa e com impulso suficiente. Mas por trás desta simples questão se esconde uma verdade mais fundamental e mostra a força da filosofia para questionar as hipóteses assumidas e quebrar paradigmas que impedem o avanço do verdadeiro conhecimento. Essa simples questão só foi matematicamente resolvida em 1870 (!!) com a conceituação de Limites.

Curiosamente, hoje aprendemos Limites antes de Derivadas, mas “assim caminha a humanidade”, as invenções e descobertas tem quase sempre uma motivação prática (o chamado utilitarismo), que no caso de Newton, foi a proposição de um método de cálculo usando pequenos incrementos obtendo derivadas parciais e com isso pôde equacionar as ideias de Galileu sobre o movimento e a força e formular com sucesso suas famosas 3 leis.

Quando Newton, que era inglês, apresentou em “O método de Fluxões e Séries Infinitas” o seu novo conceito de “fluxões” (atualmente dizemos infinitésimos) desenvolvido cerca de 1671 (seu livro só foi apresentado ao público muito mais tarde) e, igualmente, em período similar, o matemático alemão Leibniz publicando seus trabalhos em 1684, surgiu uma forte evidência que o universo que nos cerca é preciso e matemático, que é regido por leis físicas, e isto naturalmente incomodou alguns místicos e filósofos da época, porque para alguns a nova e pretensa “ciência” iniciava a desmistificar os herméticos princípios do sobrenatural pelos quais se explicavam todas as coisas desde a idade média.

Em 1734 o bispo de Cloyne, George Berkeley, filósofo anglo-irlandês, publicou suas críticas ao trabalho de Newton no panfleto “O analista: ou um discurso endereçado a um matemático infiel”, porque encontrou uma falha lógica na descrição de seus “fluxões”, que Leibniz também não foi capaz de tratar adequadamente, e por certo assim reagiu porque este rápido florescer da ciência também passava a exprimir o pensamento de um Deus racionalista, assemelhando-se assim o homem a Ele apoiando então as ideias Iluministas, e a descrever a Deus como um criador que se afastou de sua criação deixando regras e leis para que ela seguisse os seus próprios desígnios.
Berkeley, como filósofo, foi sagaz em encontrar essa brecha porque efetivamente havia algo “estranho” nas formulações lógicas de Newton e Leibniz…

Vejamos (vide figura abaixo): Temos uma grandeza “B” que poderia ser a distância entre o atirador e o alvo, e temos um infinitésimo “i” que falta para atingir o alvo depois que ele percorre quase toda a distância. Note que para acertar o alvo, aparentemente, esse “i” vai se tornando com o tempo cada vez menor até que se transforme em ZERO. Assim, Newton o chamou de “fluxão”, porque dá a entender que ele vai se movimentando e transformando como se fosse um fluxo.

Berkeley argumentou que “i”, como grandeza física real, não podia se transformar em zero e que a teoria de Newton, na verdade, produzia fantasmas…. não podia, portanto ,ser aplicada e levada a sério.
Vejamos o argumento, imagine uma escala horizontal que parte do zero.

Seja “x” uma variável de distância que varia entre zero, na posição do atirador, e “B”, a posição do alvo.
vetor

Em determinado momento após partir, a flecha estará em uma alguma posição “x” que vai avançando até assumir o valor “B” ao passar um tempo T. Assim “x” é uma função do tempo: x = f(t)

A distância entre a flecha e o alvo será (B-x) onde x varia com o tempo e avança até B e podemos imaginar que esse intervalo vai diminuindo até fazer “x“ muito próximo do alvo e então dizemos que “x” tende a “B”:   x -> B

Em certo ponto, ao se deslocar para frente em um infinitésimo “i” que pode também ser representado por “dx” teremos:

x + dx = B e a flecha alcançará o alvo

Para que a flecha atinja o alvo é necessário que “x” avance até “B”,
ou x = B. Portanto, B + dx = B

,o que implica em dx = 0 mas sempre haverá um “i”a percorrer…. se se tornar zero ao final como se poderá usa-lo nos cálculos? Como dividir dx/dy ?

Está ai o “Fantasma de Newton” porque o intervalo infinitesimal proposto na verdade deveria ser Zero e esta proposição se torna um grande problema quando se dividem infinitésimos, para o cálculo da velocidade da flecha por exemplo, porque não se pode dividir zero por zero….

Mas se Berkeley está com a razão porque a flecha atinge o alvo?

Em 1870 o matemático Weierstrass, utilizando os trabalhos do teólogo e matemático Bolzano apresentou o conceito de Limites que permite que essa questão seja resolvida. Curiosamente, o teólogo parece ter dado uma boa resposta ao seu colega Berkeley, como se fosse para mostrar que a Religião sempre pode assumir uma via de conciliação com a Ciência….

Limites2 Se uma variável “x” pode assumir valores delimitados por “A”, dentro deste intervalo até o limite, então nas proximidades deste limite, um ponto “B” qualquer, haverão distâncias que podem ser reduzidas tanto quanto se queira. O Limite da variável naquele ponto será o próprio ponto (B). E dizemos que lim x = B.

Parece óbvio, e é, porque Limites é uma definição, uma hipótese, e não um Teorema, mas dá elementos à matemática para tratar com problemas que usam infinitésimos.

Vamos imaginar uma função de duas variáves “x” e “y” tal que “y” seja função de “x” ou y = f(x)

Mas se marcarmos no eixo um ponto “A” qualquer, “x” sempre poderá assumir dentro do intervalo entre “A” e “B” um valor tal que (B-x) diminua tal que:

(1) (B-x) < A

Seja qual for “A” nas proximidades de “B” “x”, poderá estar dentro dele de modo que a equação (1) acima seja satisfeita, isto é, sempre existirá um “x” a percorrer…

(B-x) – A < 0     ou     A – (B-x) >0

Para que a flecha atinja o alvo é necessário que “x” avance até “B”, ou
x = B.

Portanto, A – (B-B) > 0 o que implica em A > 0 o que está coerente.

No novo raciocínio estabelece-se um ponto arbitrário “A” no eixo e no intervalo formado até o alvo existirão infinitos valores possíveis para x para chegar a ele. Está claro que não existe fluxo como intuiu Newton, mas sim um espaço contínuo onde “x” pode assumir qualquer valor em seu interior, com quantas casas decimais quisermos, e este espaço contínuo é finito e não depende do tempo. Desse modo, o tratamento matemático da definição de Limites também estabelece o conceito de continuidade da função.

No caso do cálculo da velocidade, se o movimento variar, podemos calcular ponto a ponto do percurso, bastando conhecer como “x” varia com o tempo “t”. Se x = f(t):

velocidade
Se, por exemplo: x = 2t então:

velocidade2

(ex: em metros/segundo). Esta definição de Limites é logicamente correta, e permite agora o desenvolvimento do Cálculo Diferencial e Integral, sem medo dos fantasmas… pois “i” não precisa mais assumir o valor zero.