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nebulosa


Este post foi escrito para abordar a principal pergunta da Metafísica, a parte da filosofia que busca o conhecimento da essência das coisas. Os diversos posts da série Filosofia nos permitem desenvolver e completar vários pontos aqui descritos, de modo que os recomendamos, conforme os links apresentados e destacados no texto.

Primeiramente vamos tentar entender a pergunta. Ela é composta das palavras: Por que, Existir, Algo e Nada.

A existência pode ser entendida como real ou imaginária, vamos dizer que é real quando corresponder à um fenômeno físico, que tem causa e efeito, e é muito comum no mundo dito “macroscópico”, isto é, visível aos nossos olhos, aos nossos sentidos e aos nossos instrumentos de medida.

Podemos dizer que a existência é imaginária quando se trata do pensamento, das ideias, da matemática, da inspiração, do amor, enfim, dos sentimentos e entidades abstratas.

Como vimos no post “Ser ou Não Ser”, existe ainda uma classe que não se situa em nenhum desses dois lados, são entidades que “existem e não existem ao mesmo tempo”, como já demonstrado na física quântica dentro do “espaço de Planck” e percebida nas imediações de um “buraco negro” pela radiação Hawking, correspondendo a “partículas virtuais” que situam-se no limite entre a existência e a não existência e podem vir a existir se forem suficientemente estimuladas gerando um par elétron -pósitron. Vamos chamar esta categoria de entidades virtuais.

Assim sendo, “Algo” nesta pergunta pode ser entendido como uma entidade de existência Real, e também poderíamos incluir estas partículas virtuais existentes no vácuo quântico.

A palavra “Nada” aqui pode ser entendida como o vácuo absoluto, o nada absoluto. Mas em que dimensão? Aqui temos duas possibilidades: o nada absoluto em todas as dimensões até o Infinito e o vácuo quântico postulado pela física. O “Nada” da pergunta do título refere-se ao “Nada Absoluto Infinito” e estável, que é diferente do “Vácuo Quântico”, como questionamos e desenvolvemos neste post , que pode ser entendido como o espaço no qual aparentemente não existe nada para um observador qualquer, mas que contém uma quantidade mínima de energia, campos eletromagnéticos e gravitacionais principalmente e partículas virtuais (partículas de força) interagindo entre si.

Podemos começar agora a nossa análise, uma vez entendida a pergunta. Vamos escrever a pergunta novamente então:

“Por que existem entidades reais ou virtuais ao invés de haver um completo vazio no lugar delas?”

Agora a compreensão da pergunta já melhorou bastante, e isso já nos permite iniciar sua análise, para isso fizemos uma “análise semântica”, que é o que falta na maioria das vezes para se responder a perguntas que podem ter vários significados.

Observamos o mundo das “coisas” (vamos chamar estas entidades reais ou imaginárias de “coisas” para simplificar) é organizado, existem leis, princípios, regras. Não vemos no universo que as coisas se encontram completamente destituídas de regras, muito pelo contrário, mesmo no aparente caos, mesmo na ocorrência de probabilidades diferentes para o resultado de uma mesma causa, existe uma ordem. Exemplos são o movimento browniano, onde as moléculas se movem em um líquido aparentemente ao acaso, a direção dos ventos, o movimento dos elétrons dentro do átomo, e outros. Assim, não existe a ordem absoluta ou determinismo absoluto (através do qual o futuro poderia ser previsto) e não existe o “Caos” absoluto porque assim observamos em nosso universo.

Uma palavra chama a atenção aqui, no parágrafo anterior é o “Caos Absoluto”. Vamos pensar nele, vamos usar filosofia.

Se temos de um lado “regras”, de outro poderíamos ter “falta de regras”.

Um exemplo do cotidiano: chuto uma bola em direção ao gol e ela vai para a direção oposta, então ao ver a imagem filmada com mais detalhes percebo que “chutei errado”porque vivo em um mundo regido por regras, e onde para cada efeito existe uma causa bem determinada. No caso, a regra se chama “conservação da quantidade de movimento”.

Agora vamos imaginar a mesma situação dentro de um ambiente “sem regras”. Eu chuto a bola e ela vai para qualquer lugar. Eu chuto a bola sempre no mesmo lugar, sempre no mesmo ponto e com a mesma força e ela toma qualquer direção, vai para qualquer lugar, em algumas vezes atinge o gol e na maioria delas vai para longe dele sem explicações para o ocorrido….

O exemplo acima é bastante ingênuo ou simplista, mas suficiente para entender. Não podemos correr, ter uma bola, chutar, etc, em um ambiente em Caos Absoluto, precisamos de uma regra para o movimento da bola, uma regra para correr e uma regra para chutar, mas se pegarmos “um pouquinho” do Caos, somente aplicável à ausência da lei da conservação da quantidade de movimento (também chamado momento linear) já dá para entender o seguinte:

Num Universo sem Leis tudo é possível, tudo é permitido. Ora, se tudo é permtido então Nada é proibido, se nada é proibido então o Nada se auto restringe, logo o Nada é impossível….

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Ser ou Não Ser ?

Luz
Algumas perguntas que fazemos várias vezes durante a vida são: O Universo é infinito e sempre existiu? O que é o infinito? Se o Universo foi criado de uma explosão, o que havia antes disso?

Fazemos estas perguntas porque não conseguimos aceitar logicamente nada que exista para sempre, ou que seja infinito, e isso decorre do fato desse pensamento ser completamente diferente de nossa vivência cotidiana.

Do mesmo modo, como desenvolvemos no post “O Limite da Ciência” e no post “O Vácuo Quântico”, a aceitação de vazio eterno é igualmente rejeitada pela nossa lógica.

Assim chegamos a uma situação interessante: Temos dificuldade em aceitar algo que exista para sempre e rejeitamos por completo a possibilidade de inexistência de tudo, até porque somos capazes de “perceber” que existimos. Zero e Infinito são assim estados incompreensíveis e não por acaso, matematicamente, levam a situações conhecidas como Indeterminações.

Mas existe um possível erro nesta análise: ela parte da ideia que exista uma dualidade quando não é necessariamente obrigatório que isto aconteça em alguns casos. Assim, dizemos que ou algo existe ou não existe, mas é possível que essa dualidade não esteja sempre correta.

Nossos olhos e nossos instrumentos de medida talvez não sejam capazes de detectar, mas existem muitos fenômenos da natureza que não são percebidos por nós, alguns foram descobertos apenas recentemente, como a passagem de neutrinos e múons pelo nosso planeta.

Costumamos dizer que algo ou está certo ou está errado, que é possível ou impossível, que é bom ou é mau, e assim criamos e vivemos conceitos de dualidades usados para comparações em nossa vida diária mas que não nos ajudam muito na compreensão dos fenômenos físicos.

Por isso, ao pensar na natureza do Universo, temos enorme dificuldade em enxergá-lo com o pensamento dualista.

Vimos no post “Dualidade ou Complementaridade?” que na arte pontilhista sombras e luz ao serem colocadas juntas formam um conteúdo único, não são mais sombras e nem luz, formam ilusoriamente linhas de contorno, linhas que não foram desenhadas. Comparamos com a dualidade partícula–onda do comportamento da luz e do próprio átomo, cuja soma dos pesos de suas partículas separadas (nêutrons e prótons) é superior ao seu peso real ao estarem juntas no núcleo, o que se atribui à transformação de parte da massa em energia de ligação interna de modo que massa e energia formam uma só entidade. Nesse caso, luz e sombras, massa e energia, ondas e partículas, compõem realidades únicas.

No post que falamos da “Partícula de Deus” dissemos que o Bóson de Higgs cria massa em outra partícula que passa pelo seu campo, uma massa “que surge do nada” e que esse conceito é bem mais interessante do que pensar na massa como se fosse uma “bolinha indivisível”. No post “O Quinto Elemento” comentamos que a ideia de Aristóteles da existência de “elementos essenciais” é melhor do que a denominação “partículas elementares” que nem sequer são partículas (termo atribuído à pequenas divisões da matéria, conforme o conceito de átomo de Demócrito).

A realidade se manifesta diante de nós de um modo que nos confunde ao utilizarmos conceitos dualistas de modo que é necessário para interpretá-la assumir outro estado além destes.

Vamos repensar então nosso Universo desse modo e ver onde podemos chegar com essa hipótese.

Imagine que ao invés do binômio “Ser ou Não Ser” ou “existo ou não existo” ocorra uma outra realidade. Algo que exista e não exista ao mesmo tempo (!!!).

Feynman Isso parece errado, bizarro ou alguém poderia até dizer “ridículo”. Mas é justamente o que Richard Feynman, um dos maiores físicos do século XX, postulou ao dizer que a todo momento partículas e anti-partículas são formadas e se aniquilam mutuamente no espaço quântico (ou Vácuo Quântico).

No caso, teríamos uma essência simbolizada por +i e a outra essência simbolizada por -i e estas realidades (cf. Feynman são partículas virtuais) convivem umas com as outras num tempo muito curto, ora predominando uma, ora outra, porém, estatisticamente falando, ocorre uma média zero em um “equilíbrio dinâmico”.

Vejamos um exemplo de equilíbrio dinâmico: um pingo de corante em um recipiente com água. O tempo passa e o corante se dispersa até que não ocorra nenhuma outra variação e dizemos que o sistema entrou em equilíbrio. gotas Ocorre que, estatisticamente, não seria impossível voltar na sala e ver o corante ocupando só uma parte do líquido e a outra sem corante uma vez que as moléculas se movimentam aleatoriamente em todo o volume. A probabilidade que isto aconteça, no entanto, tende a Zero.

Dizemos assim que a concentração de corante é constante em todo o volume do recipiente, mas isso é uma média, uma aproximação macroscópica e que não é verdadeira se considerarmos o espaço microscópico em seu interior e então dizemos que nesse espaço macroscópico ocorre um equilíbrio dinâmico.

Agora temos um interessante modelo de vazio ou Zero. Um “pseudo vazio” composto por duas essências que se aniquilam quando estão juntas e formam realidades distintas quando estão separadas, realidades que existem por tempos determinados e muito pequenos de modo que a somatória de suas ações resultam em acréscimos e diminuições sucessivas e cuja média central resulta em zero escalar. Podemos chamar esse vazio de “espaço quântico” ou Vácuo Quântico.

A ideia pode ser entendida se observarmos que em nosso universo há uma incansável busca pelo equilíbrio em todos os seus processos expontâneos e que o equilíbrio nada mais é do que uma resultante nula das forças que agem sobre um dado sistema, como se todos os processos fossem naturalmente orientados a buscar o perfeito equilíbrio existente no espaço quãntico.

Verificamos isto também através da lei da conservação de cargas em um átomo por exemplo, sendo o núcleo carregado positivamente e a eletrosfera negativamente e o caminho termodinâmico que a reação percorre até o balanceamento das cargas de cada átomo nas moléculas que participam de uma reação química.

Vamos agora ampliar nossa visão e imaginar que em um determinado sistema existam não apenas duas, mas diversas essências e que a soma ponderada de todas elas resulte em Zero ou equilíbrio. Não um zero local, pontual, microscópico, mas um Zero global, em sua média estatística compondo toda sua grandeza. Como referência e comparação, lembramos que em nosso Universo acreditamos existirem 16 partículas elementares organizadas em duas famílias – Férmions e Bósons, sendo a família dos Férmions composta dos Quarks e dos Léptons.

Imaginemos também que esse espaço quântico é tão imenso que surjam dentro dele a todo momento descontinuidades abruptas de formação e aniquilação sem no entanto modificar sua energia global, o que caracterizaria uma situação de macro equilíbrio termodinâmico e conservação da entropia mas com descontinuidades locais, como no exemplo do corante disperso na água.

Essa ideia pode ser aplicada também quando postulamos a existência do Multiverso onde o Universo que existimos passa a ser um elemento infinitesimal dentro dele.

Caso a hipótese esteja correta, passamos agora a “entender” como e porquê o nosso Universo existe, como ele foi formado e para onde ele caminha.

Poderíamos também conjecturar sobre a essência da “matéria ou energia escura” como sendo a parte imaterial que falta em nosso Universo para compensar parcialmente (o nosso universo não é o Multiverso, não precisa haver equilíbrio completo) a presença de matéria pesada. Esta tem força de gravidade oposta à da matéria escura e que explica o afastamento entre as galáxias.

A matéria escura é formada de partículas elementares (que aqui chamamos de essências) agrupadas de modo diferente do que nos férmions (prótons, nêutrons e elétrons entre outros) e é possivelmente uma evidência sobre a existência do Multiverso, onde a matéria está agrupada de modo diferente de nosso Universo que, no entanto, contém em seu interior essa matéria “estranha” mostrando parte da diversidade possível de combinações das partículas elementares.

Imagine um Multiverso composto por uma quantidade incontável de Universos dentro dele e que cada Universo, à semelhança de uma partícula, tenha um oposto com o qual se aniquile, por exemplo, um Universo formado por partículas e um por anti-partículas. Agora temos uma realidade macroscópica que imita uma realidade microscópica, onde partículas elementares interagem umas com as outras formando o Vácuo Quântico e dentro dele descontinuidades (o Big Bang) que formam Universos. O fundamento de todo o Multiverso, onde está nosso Universo é então o Vácuo Quântico, onde a questão Ser ou Não Ser não possui sentido.

Esse modelo pode finalmente responder às perguntas que fizemos no primeiro parágrafo, ou seja, o nosso universo é finito e temporal mas é parte de uma realidade maior que é infinita e assim permanece. Zero e Infinito se tornam agora uma única realidade melhor entendida pelo princípio da Complementaridade.

Chegamos assim a uma fronteira, a um dos limites de nossa Ciência.

fotografia da galáxia M81, similar à Via Láctea, a 11,8 milhões de anos-luz, na constelação de Ursa Maior

Existe uma fórmula matemática, conhecida como “equação de Drake” (Frank Drake – 1961) que incorpora sete condições indispensáveis para que um planeta abrigue seres inteligentes e com comunicação avançada.

Uma possível solução entre muitas seria:

N = 7 x 0,5 x 2 x 0,33 x 0,01 x 0,01 x 10.000 = 2,31 ou cerca de 2 civilizações inteligentes por galáxia.

O conhecido astrônomo (já falecido) Carl Sagan da série de televisão Cosmos, sugeriu em 1966 um N igual a 1 milhão (!!!). Cientistas mais pessimistas, porém, encontraram um número menor do que 1. Isto mostra que a equação é muito imprecisa mas que pode ser entendida, conforme afirmado pelo próprio Drake, como uma primeira tentativa de pensar sobre o assunto.

Observe que a variável menos conhecida é o percentual de planetas com vida nos quais a inteligência evoluiu (Fi). Para termos uma ideia, o nosso planeta possui cerca de 100.000 espécies sendo que em somente uma a inteligência evoluiu significativamente.

Se assumirmos que Fi = 1/100.000, um valor muito baixo, que significa que a cada 100.000 planetas com vida em apenas um haverá evolução de vida inteligente (assumindo que precisaríamos de 100.000 planetas com vida para formar 100.000 espécies e dentre elas somente uma com inteligência). Nesse caso, refazendo novamente a conta acima, o valor de N seria igual a 0,2% (uma civilização inteligente para cada 500 galáxias).

Sendo porém que uma galáxia possui cerca de 100 bilhões de estrelas e considerando que existem mais de 100 bilhões de galáxias em nosso Universo visível (ele é muito maior do que conseguimos ver!) não precisamos mais fazer contas sobre a possibilidade de existir vida inteligente além de nós, ela é muito alta, mesmo considerando que N seja muito menor do que 1!. Para uma comparação, a Via Láctea possui 300 bilhões e Andrômeda, a vizinha mais próxima a 2,6 milhões de anos-luz possui 1 trilhão de estrelas!

Apesar de não haver como determinar corretamente os valores de cada variável para fazer uma boa estimativa é possível observar pela equação de Drake que existe uma grande probabilidade de não estamos sozinhos no Universo !. A equação mostra também que é possível haver alguma civilização dentro de nossa própria galáxia. A questão a saber, é se em função da elevada distância e da aparente impossibilidade de viajar-se acima da velocidade da luz, elas podem estabelecer contato conosco ou virem até aqui.

Sendo que até o momento ainda não foi obtida uma informação consistente e uma prova incontestável sobre a existência de vida extraterrestre, surge então o chamado “Paradoxo de Fermi” que estabelece que pelo tamanho e idade do universo muitas civilizações tecnológicas extraterrestres devem existir, entretanto, essa hipótese parece inconsistente com a falta de evidências observacionais, levando a crer que pode existir algum fator limitante para o número N que não estamos levando em consideração, como por exemplo a elevada distância entre as civilizações.

Outro fator que passa despercebido pela maioria das pessoas é que as galáxias estão se afastando uma das outras a uma velocidade impressionante dificultando cada vez mais sua visualização, a comunicação entre as civilizações e as viagens intergalácticas.

Nós somos os únicos seres inteligentes do universo?

Provavelmente não. Do ponto de vista lógico, é mais coerente aceitarmos que é possível existir vida inteligente em nossa galáxia e possivelmente mais de 100 bilhões de planetas com vida inteligente em todo o Universo… (>100.000.000.000 !).

Temos então três possibilidades lógicas mais prováveis para explicar o Paradoxo de Fermi: Ou as mais próximas civilizações estão muito longe de nós e não conseguem fazer contato (ex: Galáxia M81 há 12 milhões de anos luz!) ou elas tem um nível tecnológico insuficiente para vencer a distância envolvida ou, por algum motivo, não querem faze-lo.

Surge então uma nova pergunta: Qual a provável diferença de idade entre nós e outras civilizações? Somos os primeiros e mais desenvolvidos ou os últimos e menos desenvolvidos?

Não é difícil supor que a evolução de cada civilização obedeça à uma distribuição, como em uma curva de Gauss por exemplo, onde existe uma maioria que representa uma média, existem civilizações na fase preliminar de sua existência e existe uma minoria de civilizações extremamente avançadas e poderosas. Nesse caso, onde nós estaríamos posicionados?

Considerando o início do universo no “Big-Bang” há cerca de 13,7 bilhões de anos atrás supõem-se que a vida ocorreu por aqui a apenas 1 bilhão de anos após a formação da Terra no período Arqueano através de células procariontes (células simples, de bactérias por exemplo), enquanto as células eucariontes (mais complexas) foram estimadas em ter ocorrido após 3 bilhões de anos e os organismos multicelulares depois de 4,0 bilhões de anos.

O ser humano tem no máximo 1 milhão de anos de existência dos quais chegou ao Homo Sapiens há apenas 200.000 anos mas se desenvolveu significativamente a partir da invenção da escrita somente há 4 mil anos atrás. Vemos que este tempo é desprezível relativamente ao tempo de existência da Terra. Desse modo, podemos dizer que nosso planeta levou cerca de 4,6 bilhões de anos para nos produzir do modo que somos hoje.

Assim, certamente, não estamos no começo da vida no Universo, que iniciou 9,2 bilhões de anos antes que a Terra fosse formada. Estamos no último terço do tempo decorrido até agora…..

Sabemos que as primeiras galáxias foram formadas apenas 1 bilhão de anos após o início do Big-Bang, mas vamos fazer uma conta simples e conservativa considerando que não ocorreu vida inteligente no primeiro terço após o Big-Bang (nos primeiros 4,6 bilhões de anos) e que, a exemplo da Terra, depois disso, a existência de vida inteligente ocorreu após mais 4,6 bilhões de anos.

Então: 13,7 bilhões (nós) – 9,2 (eles) = 4,5 bilhões de anos a nossa frente!

Existirão assim muitas civilizações com muito tempo há nossa frente, mas fica uma pergunta: quanto tempo elas levam para se extinguir? Uma civilização, por melhor que seja consegue ficar em um mesmo planeta sem se dizimada por vulcões e mudanças climáticas por mais de 1 milhão de anos? Se estamos enxergando ao telescópio civilizações com mais de 1 milhão de anos luz de distância e estamos vendo sua imagem no passado elas estarão vivas hoje?

O Paradoxo de Fermi pode ser assim enunciado:

Quanto mais longe realizarmos uma varredura mais provável é que encontremos civilizações, maior é a probabilidade de terem alta tecnologia em relação à nossa e menor é a probabilidade de contato por possíveis limites físicos e técnicos devido à distância”. Ou ainda: “Quanto mais perto realizarmos uma varredura menos provável é que encontremos civilizações, menor é a probabilidade de terem uma alta tecnologia em relação à nossa e a probabilidade de contato não aumenta além de um certo limite, considerando que as distâncias continuam ainda muito grandes frente à expectativa de vida de nossa espécie e de nossa sociedade”.

Com esse enunciado, estatisticamente eu posso afirmar (sem fazer conta nenhuma) o seguinte:

De todas as prováveis civilizações existentes no universo, haverão diversas que poderão ter contato mútuo porque os fatores de Drake lhes são favoráveis (elevado tempo de duração de sua civilização por exemplo) e devido às menores proximidades envolvidas enquanto haverão outras que estarão para sempre sozinhas.

Em qual situação estaremos? Das três hipóteses levantadas para explicar o Paradoxo de Fermi, eu poderia dizer que as três são possíveis e qualquer uma delas pode explicar individualmente ou em conjunto o porquê não há contato até o momento.

Vejamos:

– Se as distâncias são muito grandes pode não haver interesse da outra parte, inclusive econômico (ex: o custo da viagem não compensa) ou simplesmente que a duração da civilização seja pequena em comparação à distância. Por exemplo: Uma civilização está a “apenas” 100 mil anos luz de nós, isto significa que quando vemos a sua imagem ou recebemos de lá alguma transmissão de rádio este evento terá ocorrido há 100 mil anos atrás e vice versa. Se a civilização durou apenas 50.000 anos, então qualquer sonda que saísse de lá para explorar nosso planeta teria voltado para uma civilização inexistente. Este exemplo mostra como a barreira da velocidade da luz (pela teoria da relatividade nada pode ser mais rápido do que a luz) impõem sérios problemas à comunicação extraterrestre e sua associação ao fenômeno UFO.

– Se o nível tecnológico é insuficiente para cobrir as distâncias entre os planetas então não haverá contato entre eles. Observar um ponto importante: por mais avançada que seja uma civilização isso não significa que a velocidade de um objeto possa ser maior do que a da luz! Isso não muda a ciência, se de fato ela estiver correta. Não importa o quanto tempo uma civilização está a nossa frente se existir uma barreira real que impeça diminuir o tempo de viagem então a probabilidade de contato será muito baixa, isto é, Fc é muito mais baixo do que se imagina, explicando o paradoxo.

– Mesmo que haja proximidade suficiente e nível tecnológico para isso porque motivo haveria interesse em se comunicar conosco? Que vantagem uma civilização mais avançada teria com isso? Quanto maior a diferença menor a motivação e quanto menor a diferença menor a probabilidade de possuir tecnologia para vencer a distância.

Veremos posteriormente com mais profundidade porque a motivação para haver esta comunicação é muito baixa.

Da análise que fizemos podemos deduzir que existe grande possibilidade de haver diversas civilizações no universo com avanço tecnológico muito maior do que o nosso e alguma possibilidade destas civilizações estarem em nossa galáxia.

Até o momento a física mostra que não é possível fazer contato entre civilizações distantes, e isto vale inclusive para nossa própria galáxia, a Via Láctea, que tem um comprimento de cerca de 100.000 anos luz(!). Isto porque mesmo valores pequenos como 100 anos luz (quase nada em uma escala astronômica) é muita coisa em relação ao nosso próprio tempo de vida. Resumindo: Se N=2 (nós e mais uma civilização) e a distância que nos separa na Galáxia é 50.000 anos luz, será que há viabilidade em nos visitarmos mutuamente?

Caso seja descoberta futuramente uma forma de faze-lo (velocidades superiores à da luz? curvas acentuadas no espaço-tempo?) então a melhor explicação para o Paradoxo de Fermi será que eles não querem fazer contato formal até o momento.

Haverá motivo para que não queiram fazer contato? Em um próximo post demostraremos que sim, existem muitos.

Terceira conclusão de nossa viagem

Após esta análise, verificamos que o fenômeno UFO, se existir, pode não ter causa extra-terrestre de modo que não poderemos descartar essa possibilidade. Inclusive, se levarmos em conta que não temos qualquer indício científico concreto hoje que explique como vencer a barreira da distância, o melhor seria “esquecer o assunto” e dá-lo por encerrado até que a ciência “abra uma janela de possibilidade” para voltar a falar sobre o tema.

Mas porque isso não está acontecendo? Porque cada vez mais se discute vida extraterrestre e se gastam enormes recursos com essas pesquisas, construção de radiotelescópios, etc? A resposta é intrigante: Por causa das fortes evidências de existência do fenômeno UFO, o qual nós iremos apresentar em um post dessa série uma delas…

Uma vez que não podemos demonstrar a impossibilidade em percorrer distâncias astronômicas rapidamente então também não podemos descartar sua relação entre vida extraterrestre com o fenômeno UFO e igualmente, como não conseguimos explicar o fenômeno UFO até o momento então as duas questões estão no momento caminhando juntas, apesar de que ninguém provou até agora que estão relacionadas.

As primeiras Galáxias formadas