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Na imagem, temos uma famosa máquina de guerra “Haunebu III”, um suposto disco voador nazista criado pelo artista gráfico Michael Levin com uma perfeição tão admirável que é divulgada por aí como sendo uma foto verdadeira…

Após abordarmos os aspectos psicológicos, míticos e os sobrenaturais, vamos falar sobre uma possível explicação humana para o fenômeno, avaliando as possibilidades tecnológicas e de onde teria vido a tecnologia para a construção de uma poderosa arma militar, como pensam alguns.

Estamos abordando do modo mais objetivo e embasado possível todas as variantes do fenômeno UFO para que nossa “tabela de probabilidades” do post “UFO: Perguntas e Respostas” possa nos indicar, ao final, se eles existem, são de origem terrestre ou extraterrestre.

Aqui vamos abordar o que sabemos sobre sua possível origem terrestre. Já comentamos que essa ideia passa pelo “mito das sociedades secretas”, entretanto, sabemos que as instalações militares são secretas, assim como foram descobertas enormes instalações subterrâneas na Polônia para a tentativa de desenvolvimento das super armas nazistas, denominadas “WunderWaffle” em uma desesperada tentativa de reverter o destino da segunda guerra mundial após 1942, com o início da derrota alemã. Vi documentários impressionantes sobre algumas delas, como o canhão Thor, por exemplo.

Mas há uma diferença entre programas militares secretos e sociedades secretas que estão acima do Congresso americano, ou de qualquer outro país democrático desenvolvido, para desenvolverem armas de controle populacional ou defender interesses de grupos para o controle do mundo.

Os mitos baseiam-se em grupos especiais que prevalecem inclusive sobre o presidente da república, e tem autorização para agir em prol da ordem pública conforme o primeiro artigo da constituição americana (1787), seção 8:

“Dispor sobre a convocação de milícias para assegurar a execução das leis da União, suprimir insurreições, e repelir invasões. Prover a organização, o armamento e a disciplina da milícia, assim como a administração de parte dessa milícia que pode ser empregada a serviço dos Estados Unidos, reservando a cada Estado respectivamente a nomeação dos oficiais e da autoridade para a instrução da milícia, segundo a disciplina prescrita pelo Congresso.”

Existem várias teorias conspiracionistas a respeito da criação de armas de guerra de todos os tipos, inclusive discos voadores baseadas nesse mito dando como exemplo a famosa “Área 51” e os “Homens de Preto” (MIB).

Poderia ser, por exemplo, uma “arma de energia dirigida” colocada em balões e aviões de grande altitude e posteriormente em foguetes e satélites para criar perturbações eletromagnéticas visuais ou efeitos de Laser (existem vários tipos de Lasers como o infravermelho, micro-ondas ou luz visível) e também criar plotes fantasma em radares ou ainda fazer que uma aeronave emissora não seja detectada (já existe tecnologia de guerra eletrônica conhecida para isso), causando pânico, desorientação e perturbação.

Balões militares são utilizados há muito tempo, mas no final da década de 40 balões meteorológicos Skyhook revestidos de alumínio com 30m de diâmetro foram utilizados pela marinha americana em um projeto tão secreto que nem a Força Aérea sabia, e acabou perseguindo um deles levando à morte do piloto de um F-51D Mustang por falta de oxigênio devido à altitude gerando um caso de enorme repercussão até hoje conhecido como “Caso Mantell”. Os avistamentos de UFO´s após a segunda guerra tornaram-se uma histeria americana.

Uma dessas teorias diz que os discos voadores foram projetados pelos nazistas e essa tecnologia caiu em mãos dos russos ou dos americanos uma vez que em 1948, a equipe do projeto Sign da Força Aérea Americana, criado para estudar casos envolvendo UFO´s, considerou seriamente a possibilidade de serem aviões fabricados secretamente pela URSS baseado em um projeto alemão dos irmãos Horten.

De fato, os nazistas trabalharam simultaneamente em uma grande quantidade de projetos de super armamentos e desenvolveram as bombas voadoras V-1 e V-2, que mais tarde originaram os foguetes que levaram o homem à lua. Existem desenhos, protótipos e imagens dessas superarmas que foram eficazmente utilizados como propaganda nazista disseminando o medo como estratégia de intimidação. A Alemanha contava com um ministério de propaganda, conduzido pelo famoso Joseph Goebbels para conduzir essa estratégia. Esse é um dos fatores que explicam os muitos avistamentos e a possível criação do moderno mito dos discos voadores.

Outra diz que a chamada “área 51” que fica a 90 milhas ao norte de Las Vegas é uma das instalações criadas para abrigar essas máquinas, uma vez que os EUA fizeram grande esforço para trazer os cientistas alemães, na chamada “Operação Paperclip” para colaborarem no desenvolvimento de seu programa espacial e sabe-se inclusive que os alemães tinha pretensões de desenvolve-lo. A área 51 foi criada para testar o avião espião U2 que, já em 1955 era capaz de voar a uma altura de 21 km e o piloto obrigado a usar trajes espaciais. Posteriormente o U2 deu origem a modelos mais avançados como o F-117A Stealth Fighter, o “avião invisível”, isto é, que não é detectado por radares.

Em 1983, o então presidente dos EUA Ronald Reagan anunciou um projeto de defesa estratégica denominado “Guerra nas Estrelas” que consistia no uso de armas de energia dirigida, como os raios laser, por exemplo, que seriam disparadas a partir do espaço em “escudos defensivos antimísseis” para defender os americanos contra os 1.400 mísseis balísticos intercontinentais portando ogivas nucleares do arsenal soviético. A ideia não foi levada adiante pelo seu custo de 1,5 trilhões de dólares…

Há quem diga que esses efeitos são gerados atualmente pelas instalações de antenas HAARP que emitem ondas de alta energia na ionosfera…

Pelo resumo acima, com tantas iniciativas de guerra, instalações secretas e programas de defesa, é fácil entender que o fértil imaginário popular crie fantasias cada vez mais criativas.

Essas teorias, além de ter um fundamento mítico, típico das lendas, não se justificam considerando que os fenômenos são observados há mais de seis décadas e seu uso não se justifica em tempos de paz e com o fim da “guerra fria” entre russos e americanos. É muito difícil imaginar que o segredo não tivesse vindo a público e seja o segredo militar mais bem guardado da história, mais do que o que a bomba atômica, cujos estudos também iniciaram com os nazistas…

Toda a tecnologia desenvolvida pelos alemães em seus poderosos centros de pesquisa foi com certeza levada para os EUA e outras partes do mundo (URSS e Grã Bretanha principalmente), alguns projetos em andamento foram desenvolvidos e são atualmente utilizados, menos, com certeza, os absurdos projetos de disco voador que estavam no papel e possivelmente foram feitas algumas carcaças para fotos de propaganda visando intimidação. O mais mítica das “WunderWaffle” é o chamado Sino,”Die Glocke”, um tipo de disco voador que também seria uma máquina do tempo…

O pior de tudo é que programas como “Os Caçadores de OVNIS” do canal History Channel, incentivam ainda mais essa polêmica e essa discussão. No link abaixo pode-se ver a matéria, que é bastante interessante mas traz bobagens científicas grosseiras.

Se a Alemanha tivesse uma arma assim hoje com certeza já saberíamos. Como justificar que Einstein, criador dos princípios científicos que levaram às principais pesquisas relativas à gravitação e à bomba atômica tivesse ficado fora de um projeto tão importante desenvolvido nos EUA?

Qualquer governo ou grupo que tivesse essa tecnologia a usaria prontamente como “arma” para dominar ou para “garantir a paz mundial” impondo sua cultura e forma de pensamento. Igualmente, sociedades secretas ou “confrarias de nerds” não ficariam assistindo passivamente “ao fim do mundo”, mas há muito teriam intervido para mitigar estes “riscos intoleráveis”, citando como exemplo o episódio da Crise dos Mísseis de Cuba em 1962. O mundo já deveria estar dominado por eles, pacificamente ou não, para uma nova ordem internacional.

Como não teriam tentado controlar cerca de 10.000 ogivas nucleares espalhadas pelo mundo entre EUA, China, Rússia, França, Reino Unido, Israel e Paquistão e Índia? Não tentariam evitar a possível guerra entre eles ou que caíssem em mãos de grupos ou países terroristas? Ou que esses países desenvolvam esses armamentos?

Certamente não se explica o fenômeno UFO nos dias atuais e principalmente na década de 1950 como sendo de origem terrestre.

Será possível viajar no tempo?

Nesta série de posts que iniciou com “Casa de Areia” e “O Tempo” você verá se é possível viajar para o futuro e para o passado, e no caso de que isso aconteça, quais são as implicações.

No cinema, muitos filmes já abordaram o assunto e alguns incluem outros tópicos como a existência de universos paralelos. Todos eles são muito interessantes, mas sempre causam alguma confusão porque conduzem a situações completamente inimagináveis para nosso cotidiano.

São vários filmes interessantes: “Déjà Vu” (Denzel Washington – 2006), “Source Code” (“Contra o tempo”, Jake Gyllenhaal – 2011), a série “Back To The Future” (“De volta para o Futuro”, Michael J. Fox – 1990), “Planeta dos Macacos”(“Planet Of The Apes”, Mark Wahlberg – 2001), “Lost in Space” (Perdidos no Espaço, William Hurt – 1998) sem mencionar a famosa série “Star Trek” de 1966 a 2005 com centenas de filmes (“Jornada nas Estrelas”, Leonard Nimoy) cuja nave colocamos na figura ilustrativa deste post. Destaca-se entre eles “O Homem do Futuro” (Wagner Moura – 2011) um filme brasileiro muito inteligente e bem humorado, que vale a pena ser assistido.

Viagens no tempo para o futuro são possíveis e previstas pela Teoria da Relatividade como vimos no post “O Tempo” com o paradoxo dos gêmeos. A base científica disto é que o tempo passa mais devagar quando estamos com uma velocidade próxima à
da luz , a velocidade “c”, igual a aproximadamente 300.000 km/s ou perto de um grande campo gravitacional (um buraco negro, por exemplo). Isto acontece em decorrência do fato da velocidade da luz ser constante (ou não?).

É fácil entender que implicação ocorre para o Tempo ao assumir que a velocidade da luz é constante.

Você está em um foguete na velocidade da luz e seu colega está em outra nave em sentido oposto na mesma velocidade enquanto um terceiro está na Terra observando tudo. Nosso observador na Terra verá uma aproximação das naves com velocidade igual a 2c (duas vezes a velocidade da luz), enquanto nós, que estamos nas naves, iremos ver a outra nave se aproximar de nós na velocidade c, e não 2c.

Comparando os relógios, se o nosso registrou 2 minutos, o relógio da terra registrará 1 minuto para o mesmo evento (!!!). O relógio dos “apressadinhos” anda mais devagar !!!

Einstein comenta sua Teoria da Relatividade no livro “Mein Weltbild” (1953), traduzido no Brasil “Como vejo o Mundo” (Editora Nova Fronteira, 5ª edição – 1981), o seguinte:

Não há necessidade alguma de falar de ato ou ação revolucionária, pois ela marca a evolução natural de uma linha seguida há séculos. A rejeição de certas concepções sobre o espaço, o tempo e o movimento, concepções julgadas fundamentais até esse momento, não, não foi um ato arbitrário, mas simplesmente um ato exigido pelos fatos observados. A Lei da constância da velocidade da luz no espaço vazio corroborada pelo desenvolvimento da eletrodinâmica e da ótica, junto com a igualdade de direito de todos os sistemas de inércia (princípio da relatividade restrita), indiscutivelmente revelada pela célebre experiência de Michelson, inclina logo a pensar que a noção de tempo deve ser relativa, já que cada sistema de inércia deve ter seu tempo particular”.

Podemos entender isto da seguinte forma: Você está mergulhado em um oceano e seu colega já voltou à superfície. A água simboliza o Tempo e a pressão da água simboliza uma escala no tempo, de modo que perto do fundo o tempo passa mais devagar do que a superfície. Não há uma contradição quando você pensa que seu colega na superfície está no mesmo oceano submetido à uma pressão menor que você, mas há alguma dificuldade em entender que o tempo para você passa mais devagar do que ele. Na prática, na realidade, isto ocorre mesmo, de modo infinitesimal (quase zero), porque a força de gravidade que atua sobre você é maior do que ele, mas, mesmo assim, há uma diferença de tempo e se esta diferença fosse grande, ao subir à superfície ele não estaria mais lá…..

O mesmo acontece com quem mora no alto de um prédio de apartamentos comparado ao que mora no primeiro andar, ou ao piloto de avião que está sempre a uma velocidade muito maior do que a nossa, entretanto vivemos todos dentro do mesmo universo de eventos simultâneos e não em universos paralelos.

Em 1976 foi realizada uma experiência utilizando o mais preciso relógio existente. Um foguete da NASA, o Scout-D, que subiu a 10.000 km de altura e desligou seus motores de modo que seu relógio passou a flutuar na ausência de gravidade. Enquanto isso, um outro relógio na Terra, idêntico ao primeiro, havia sido sincronizado para comparação. O resultado foi uma alteração igual a 0,45 ppb (partes por bilhão), indicando que o foguete precisaria ficar 73 anos lá em cima para acarretar uma diferença de apenas 1 segundo.

A viagem para o futuro é, a meu ver, a “ilusão do tempo” que os filósofos que mencionamos no post “O Tempo” concluiram.

Não se trata propriamente de uma viagem, mas de uma passagem de tempo diferente entre dois referenciais. Creio que há uma mistificação no termo “viagem para o futuro”, pela falta de compreensão da natureza do Tempo, principalmente levando em consideração a gigantesca dificuldade de acelerar qualquer massa à velocidades próximas à da luz ou de sobreviver perto de um buraco negro.

Para descontrair, temos uma estória de ficção científica que escrevi abaixo para ilustrar a ilusão da viagem para o futuro, exagerada como toda a história desse gênero é. Após um intenso e inexplicável fenômeno gravitacional o Capitão Oak, acredita que viajou no tempo ou que está em um universo paralelo, quando na verdade ele chegou 100 anos atrasado ao retornar para o referencial de onde saiu.

Resumo do Diário de Bordo do Navio M254, força especial da Marinha em missão ambiental pela ONU sobre os eventos iniciados em 21/12/2012 – 12:21 – Triângulo das Bermudas: Os mergulhadores foram posicionados conforme plano estabelecido quando iniciou uma tempestade elétrica e os sensores do navio registraram quase que imediatamente uma imensa alteração pontual na força de gravidade, localizada há 2 km de profundidade, fenômeno que durou cerca de uma hora e depois disto passou sem que encontrássemos outra explicação que a pane em nossos instrumentos. Perdemos durante o evento contato com a batisfera NOAA-10 com a missão de colher dados de temperatura atribuindo a esta anomalia o seu desaparecimento com seus dois tripulantes liderados pelo capitão Kyle Oak…..os três são assim considerados a partir desta data como mortos após três dias de buscas.

Diário de Bordo – Batisfera Robô NOAA-10 – Capitão Oak: “Não notamos ou registramos anormalidade alguma e tampouco meus instrumentos constataram algo diferente de uma simples tempestade de superfície, mas, de algum modo, alguma alteração ocorreu que não podemos explicar no momento, iniciada após a perda da comunicação com a base. Ao retornar no tempo estabelecido para encerramento da missão, perdendo contato durante a tempestade, fomos recolhidos por uma embarcação a qual não reconhecemos sua identificação e classe e fomos recebidos por uma tripulação que falava a nossa língua de modo um pouco diferente e usava alguns termos não conhecidos. Aportamos em uma cidade flutuante similar à uma estação espacial, levantando em nós a suspeita que fomos transferidos para um universo paralelo ou que avançamos no tempo, dado que o calendário da nave mostrava a data 21/12/2112”.

O quadro acima, de 1934, pode ser visito no Museu de Arte Moderna de Nova York e se chama “A persistência da memória”, foi criado por Salvador Dali, um pintor catalão radicado em Paris e um dos fundadores do movimento surrealista.

Estes “relógios moles” transformaram-se em um ícone de sua obra. São instrumentos exatos, capazes de mostrar precisamente a passagem do tempo mas ao serem inseridos organicamente em um universo ambíguo, temperado pela casualidade e pelo prazer, criam um novo panorama, complexo e imprevisível, remetendo à teoria da relatividade de Einstein, capaz de prever as distorções no espaço-tempo antes que pudesse ser comprovada e às pesquisas de Freud sobre o inconsciente e a importância do fenômeno dos sonhos. A arte surrealista tem assim por princípio mostrar uma visão oposta à simples objetividade e racionalidade da percepção imediata da realidade.

Agostinho, bispo de Hipona, no século quarto, questionou a natureza do tempo e então percebeu uma estranha contradição:

Parece que o Tempo, de uma certa forma, não existe, pois o Passado não existe mais, o Futuro ainda não existe, e o Presente é infinitamente pequeno, sendo assim, como poderia existir?

Um dos pensadores mais influentes da era moderna, o filósofo idealista alemão, Immanuel Kant (1724) introduziu o conceito de que todos nós trazemos formas e conceitos que não provém necessariamente de nossa experiência, mas que existem, “a priori”. Para ele, o tempo é uma noção “a priori” que não designa nada além de determinada característica do nosso modo humano de receber informações através dos sentidos e assim, questionou a sua realidade.

John McTaggart (1866), professor do renomado filósofo Bertrand Russel, afirmou que o tempo cria em nós uma ilusão como a da ilustração seguinte, e também duvidou de sua realidade por causa do regresso ao infinito :

Ser *presente* é ser **presente no presente**, ter sido futuro no passado e vir a ser passado no futuro. Ser **presente no presente** é ser ***presente no presente no presente***, ter sido futuro no passado no presente, vir a ser passado no futuro no presente… e assim infinitamente conforme podemos acompanhar pelos asteríscos que marcam a evolução de um ciclo interminável de laços que criam a ilusão do tempo.

Mas, o que seria o Tempo? Ele realmente não existe?

Essa intrigante pergunta é feita algumas vezes na vida por cada um de nós e sentimos que ele existe porque tivemos um passado e planejamos um futuro. Em geral, entendemos o tempo por causa dos eventos que se passam em nossa vida, um aniversário, um casamento, e as vezes dizemos: como passou rápido! Ah, se eu pudesse voltar ao passado…, ou ainda: Gostaria de ter nascido no futuro!.

Percebemos a cada momento o que ocorreu e pensamos no que acontecerá e depois que ocorrer não poderá voltar atrás, um evento é irreversível. Essa irreversibilidade é como a morte do presente e temos tantas vezes, ao lembrar de alguém que ainda está vivo, o sentimento que o passado está morto, porque jamais poderá estar novamente no presente.

Einstein formulou o conceito de que o Tempo existe e está intimamente ligado ao espaço que nos cerca. O Tempo está sempre lá, imóvel como um líquido que estamos imersos… nós o atravessamos como em um rio que irá impor o ritmo de nossa viagem e o percebemos através dos eventos, ou causalidades, que causam em nós a sensação do antes e do depois, da causa e do efeito.

Os exemplos que comentamos sobre os filósofos que negam a realidade do tempo não são totalmente incorretos ao se observar que há uma confusão entre o Tempo e sua ilusão causada pela percepção dos eventos que formam o presente, o passado e o futuro. Tempo e Causalidade são duas coisas diferentes.

Para entender o Tempo e separa-lo dos eventos que criam em nós esta “ilusão”, vamos imaginar um universo sem nada, vazio, onde não ocorrem eventos. O Tempo está lá, chamado de espaço-tempo por Einstein (o conjunto das 3 variáveis de dimensão e o tempo) e em nosso exemplo ele é igual em toda a dimensão do universo em uma eternidade silenciosa.

Vamos colocar neste universo vazio um planeta, um solo, uma mesa de ping-pong e então soltar uma bolinha que irá bater na mesa exatamente em 1 segundo e faze-la repetir assim este movimento precisamente.

Notaremos que o Tempo sempre esteve lá, mas agora sentimos a sua “passagem” ou melhor, o percebemos através do evento que criamos.

Mas vamos observar a bolinha estando ao lado dela. O seu movimento parece um fato “incontestável”, ou absoluto. Ficamos a observar então seu movimento vertical frequente.

Vamos colocar a nossa mesa sobre um caminhão que tem uma velocidade e vamos pedir ajuda a um amigo que fica “parado” em um ponto vendo o caminhão passar e se distanciar. A bolinha continua a bater e voltar na mesa de segundo em segundo porém o nosso amigo verá algo diferente, ele verá a bolinha saltando e perceberá dois componentes do movimento (horizontal e vertical). Como duas pessoas, olhando para a mesma bolinha podem ver coisas diferentes?

Bem, temos que admitir que o movimento observado depende do observador…. não é absoluto.

Do mesmo modo, Einstein mostrou que o tempo não é absoluto, mas está associado ao espaço e à matéria; ocorre que o tempo passa diferentemente para pessoas ou objetos que se movem ou estão perto de campos gravitacionais. Isto significa, por exemplo, que se colocamos dois relógios idênticos de altíssima precisão, um no solo e outro no alto de uma torre bem comprida (onde há uma força da gravidade um pouco menor), haverá após certo tempo uma diferença entre eles e precisará ocorrer um ajuste (!!!).

Se colocarmos dois irmãos gêmeos lado a lado e então mandarmos um para uma viagem com velocidade próxima à velocidade da luz, quando ele voltar ele estará mais novo do que seu irmão, e esta diferença será maior quanto mais tempo durar a viagem. Istou ficou conhecido como o “paradoxo dos gêmeos” por causda da briga entre os dois. O irmão que ficou na terra disse que isto não era justo, porque ele deveria estar mais novo, uma vez que pelo princípio da igualdade entre os referenciais da teoria da relatividade, poderia ter sido considerado que a nave ficou parada e nosso planeta é que se afastou dela …

Agora podemos entender um pouco do pensamento bizarro de Salvador Dali; nem sempre aquilo que vemos é igual ao que outra pessoa enxerga, nem o que interpretamos, nem o que entendemos e nem o que ouvimos e é isso que torna o universo e sua complexa realidade fascinante e mostra porque a visão radicalista das coisas e a interpretação dogmática da informação leva ao desacordo e à separação, enquanto paralelamente ilustra a importância de sermos abertos à uma cosmovisão evolucionista e sempre sujeita ao questionamento.