Teologia
Introdução

Este blog tem por objetivo mostrar que o ser humano busca sua sobrevivência como espécie através da inteligência pela qual se pode garantir sua sustentabilidade e almejar os melhores padrões de qualidade de vida. Vimos no post “A Evolução do Pensamento” que todas estas soluções advém primordialmente dos lados esquerdo e direito de nosso cérebro e lá chegamos à conclusão que ambos são os originadores primários da Ciência e da Religião.

No post “Ser ou Não Ser” realizamos uma análise de onde surgiu nosso universo utilizando princípios da Física, da Mecânica Quântica e um pouco de lógica, sem admitir que ele foi criado por Deus e então chegamos na possibilidade científica e filosófica da existência de um Multiverso. Mas será que o Multiverso realmente existe? Poderá um dia ser descoberto?

Observar que utilizando premissas materialistas chegamos à necessidade de um Multiverso para explicar nossa existência. Ora, o Multiverso é uma “entidade não observável“ e que dificilmente poderá ser comprovada! Além do mais não sabemos se o Vácuo Quântico ou a hipótese de Feynman sobre a existência e aniquilação de partículas e anti partículas (que são virtuais e não reais), apesar de coerente com as observações, efetivamente existe do modo como foi apresentada.

Esse Multiverso eterno e estável, infinito e criador de tudo, organizado e inteligente é uma suposição tão abstrata quanto pensar em um Deus Onipresente, Onisciente e Onipotente e ambas são teses inobserváveis e imensuráveis.

Ao procurarmos explicações para nossa existência chegamos à uma entidade que a Ciência chama de Multiverso e é, nesse aspecto, similar à que a Religião chama de Deus. Porém, se assumirmos que Deus existe já não precisaremos mais do Multiverso, isto é, não precisamos dizer que nosso Universo advém de outro se ele foi criado por Deus.

Para se ter uma ideia da similaridade a que chegamos entre Ciência e Religião, se chamarmos o Multiverso de “Mãe Natureza” ou o igualarmos a Deus, então podemos ser considerados como religiosos panteístas. Nota-se então como a Ciência e a Religião podem chegar a um lugar comum, como analisamos no capítulo 1 do livro de Gênesis, que é um outro exemplo, de caráter Deísta.

Um Multiverso assim tão perfeito e equilibrado e que realiza internamente infinitos processos e em tão grande equilíbrio parece se comportar como um moto-perpétuo e nos parece do ponto de vista científico difícil conseguir respeitar a segunda lei da termodinâmica, uma vez que não existem na natureza processos reversíveis e sem aumento de entropia. Nesse caso, para manter o Multiverso vivo precisaríamos da emanação da energia (na linguagem religiosa dito Espírito) de Deus simbolizada por יהוה nos diversos posts que escrevemos anteriormente.

Nossa Ciência pára no Multiverso, que ainda precisa ser equacionado matematicamente para se verificar se há coerência em sua hipótese e assim fazendo este será o seu limite. A Religião através da Teologia pode, entretanto, seguir em frente, ir mais longe, como veremos a seguir.

Trincas de Quarks

Nos 6 posts sobre a existência de Deus incluímos o post “Consequências do Materialismo” e então verificamos que a hipótese de que Deus não exista leva o nosso Universo (ou o Multiverso) a produzir seres inteligentes (nós) a ponto de continuarmos nossa existência extendendo-a à eternidade ou enquanto durarem os recursos para repormos a matéria que nos constitui.

Chegamos então à interessante conclusão que, se Deus não existir, somos robôs (!!).

Sobre a definição de Deus, sem a qual não se pode nada conjecturar, nós fomos obrigados a “reduzi-lo” para “caber” em nossa limitada visão como abordamos em “O Princípio da Incerteza no Multiverso” concluindo que nossa jornada filosófica neste campo é bastante humilde porque provar a existência de um Deus Onisciente, Onipresente e Onipotente é impossível. Dependendo do que entendemos por “deus”, podemos chegar às mais variadas conclusões nas quais se apoiam as tantas Religiões que existem no mundo e, inclusive, sua redução é conhecida como “Teísmo Aberto”.

Nossa linha de raciocínio assumida é científica, materialista e baseada na ideia de formação de vida inteligente pelo próprio universo por mero acaso, como os cientistas gostam de fazer, porque a Ciência procura reduzir ao máximo as hipóteses que não pode provar para entender as coisas, caso contrário, deixaria de ser ciência para ser Religião. Entretanto, existe na atualidade um amplo questionamento sobre isto, com vimos no post “A Ciência está perdendo a Objetividade?”.

Verificamos assim, através das argumentações e hipóteses que fizemos naquela série de posts, em especial em “O Paradoxo da Materialidade” que somos “deuses” criados por um Universo inanimado e então nos perguntamos:

“Se este Universo inanimado nos gerou, porventura não teria produzido muito antes de nós alguém mais perfeito e que se perpetuou?”

Concluímos facilmente por essa analise que podemos ter sido “plantados” ou produzidos artificialmente por esse nosso “criador”, acreditando assim na teoria que se denomina “Panespermia Cósmica”.

Ora:

Se o Universo cria “deuses” não seria possível pensar que Deus existe e criou o Universo? Quem veio primeiro, Deus ou o Multiverso?

Tendo por base o post “Ser ou Não Ser” vamos continuar supondo daqui para frente que Deus não existe, nem mesmo como partícula (essência) organizadora (יהוה) de modo que as nossas “Trincas de Quarks” (que formam os prótons e nêutrons) que nos compõe surgiram “ao acaso”.

Temos agora um Multiverso absoluto, capaz de criar matéria inteligente, que dizemos “viva” apesar de não sabemos onde está o limite entre a “vida” e o estado “inanimado”: nos vírus? nas Bactérias? nos Gametas?.

Seguindo o que dissemos anteriormente, se somos feitos exclusivamente de matéria, de Trincas de Quarks, as criaturas inteligentes deste e possivelmente outros Universos Paralelos (são os universos que estão no Multiverso e o constituem mantendo o seu equilíbrio) podem, em tese, se desenvolverem continuamente substituindo sua matéria corruptível por outra melhorada e se aprimorar cientificamente e intelectualmente até que dominem o Universo em que vivem.

A questão agora é saber se seria possível alguém ser transportado para o Multiverso, ou se as demais criaturas que possivelmente devem existir na mesma condição em outros Universos poderão se encontrar.

mitologia

Mitologia

A primeira possibilidade é que cada Universo “aprisiona” o seu próprio “deus”, que neste caso irá perecer com ele tal como o “gênio aprisionado em sua lâmpada” das antigas culturas do oriente médio.

Tornamo-nos então deuses temporais, e já não caberia talvez utilizar a palavra deus, que implica em uma aproximação da Onisciência, Onipresença e Onipotência, quando muito, seriamos semelhantes aos semi-deuses da Grécia antiga ou aos gênios (do termo árabe Jinn).

A segunda possibilidade é que esses “deuses” foram capazes de se transportar para o Multiverso e lá sobreviveram e dessa situação resultaria o Teísmo (a existência de deus ou deuses).

Teremos assim um deus aprisionado pelo Multiverso, eternamente, dado que o Multiverso é teoricamente infinito. Outrossim, ele não é o Multiverso e não poderá altera-lo significativamente ou não conseguirá faze-lo porque isso implicaria em sua desestabilização e morte mas poderá induzir a criação de novos universos e suas criaturas.

Outro fator importante em termos científicos é que atualmente, até onde a Ciência pode chegar, um deus aprisonado no Multiverso não tem como conhecer o futuro, porque segundo as leis da física o futuro é imprevisível, o que nos remete novamente ao Teísmo Aberto e reduz a sua Onisciência.

Temos nesse modelo deuses gerados pelo Universo que, entretanto, terão que evitar a concorrência causada por novos candidatos a habitarem no multiverso que certamente surgirão pelos mesmos fatores que o fizeram surgir. Se dois deles com poderes iguais se formarem e se enfrentarem temos agora o Maniqueísmo, a eterna luta do “Bem contra o Mal”, a disputa de poder em nível Cosmológico representado pela cultura Persa e Babilônica no século III.

Lembrando que na Ciência o “útero” da “mãe universo” ou “plasma mãe” (o Vácuo Quântico) produz continuamente formas de vida no Multiverso, esse deus terá bastante trabalho em controlar a população concorrente e que poderá um dia ameaçar sua hegemonia o que nos remete à mitologia Greco-Romana.

Uma terceira possibilidade é que exista dentro do Multiverso um (ou mais) universos especiais cujos seres inteligentes podem se comunicar com os demais e assim reinar sobre o Multiverso, o que suporta a crença de diversas religiões espiritualistas, sendo uma variação do Teísmo.

Uma quarta possibilidade seria pensar nesta Essência organizada de forma Pura e Ùnica, coexistindo e interagindo com o Multiverso em uma dimensão separada.

Teologicamente, esta parece ser uma escolha mais adequada do que imaginar sua presença no interior do Multiverso, uma vez que se pode postular que o Vácuo Quântico é “movido” ou “animado” pela emanação de יהוה e podemos considerar que a essência de יהוה é o que caracteriza a distinção entre “vivo” e “inanimado” e que essa essência voltará para o lugar de onde veio, fora do Multiverso, que não precisaria necessariamente existir.

Resumindo temos as seguintes hipóteses:

    • Deus não existe – Ateísmo
    • Deus é o Universo – Panteísmo
    • Deuses são as formas de vida dominantes em cada Universo – Teísmo
    • Deuses migraram para o domínio do Multiverso – Panenteísmo
    • Deus não foi formado pelo Multiverso e o Criou – Deísmo

 

Céu

CONCLUSÃO

 

Todas as análises que fizemos levam às mais variadas e possíveis consequências sobre a formação de deuses pelo Multiverso e cada uma dessas conclusões leva a um mito diferente que é base de alguma Religião humana, não cabendo aqui julgar a veracidade do mito ou fazer uma escolha religiosa mas demostrando a criatividade do cérebro intuitivo que através da observação da natureza cria suas teorias.

Exceto na hipótese de Deus ter criado o Universo chegamos, entretanto, à conclusão paradoxal que cada uma dessas mitologias advém do Universo Materialista postulado pela Ciência, um universo que cria seus próprios deuses, de modo que o “inanimado” gera o que é “vivo”, não fazendo sentido do ponto de vista teológico.

A única possibilidade de que Deus tenha criado o Multiverso (ou somente o Universo) é que Ele resida em outro sistema e por isso, em todos os posts que escrevemos sobre o Vácuo Quântico ou “O Limite da Ciência” consideramos que יהוה manifesta sua presença organizadora como o “motor” que faz o aparecimento de realidades instáveis, dualidades e oposições para seu equilíbrio levando aos princípios de conservação assumidos pela Física, efeitos e ciclos temporais que formam uma gigantesca “máquina” inteligente movida por leis e pela qual fomos formados.

Teologicamente, assumir יהוה como Onisciente, Onipresente e Onipotente e criador do Universo (ou do Multiverso) de onde derivam todas as coisas é a hipótese mais coerente e completamente inexplicável pela Ciência, a qual, infelizmente, está limitada ao nosso próprio Universo e, assim sendo, nunca poderá chegar até Ele.

Utilizando os pilares da ciência para a construção da Religião tem-se uma teologia baseada no melhor conhecimento disponível fazendo uma ponte adequada entre Ciência e Religião, o que aqui demos o nome de Teologia Científica e que nem sempre deverão concordar, como no caso, onde Deus foi demonstrado como hipótese mais coerente contrariamente a um Multiverso autônomo. No mínimo, pode-se afirmar que a suposição da existência de um Deus Criador é tão válida e respeitável quanto as melhores considerações atuais da Ciência, ambas inobserváveis, imensuráveis e fruto do pensamento humano.

Cabe finalmente dizer que sempre existirá uma disputa entre “Deístas” e “Fideístas”, aqueles que rejeitam milagres e manifestações contra os que crêem tão somente na revelação e na interpretação das escrituras. No nosso modo de ver, como temos discutido em diversos posts entre Ciência e Religião, há que se encontrar um equilíbrio entre as duas posições para a saudável manifestação da Religião em nossa sociedade e para isto é necessário que se conheça ambas, as quais, representam o lado direito e o lado esquerdo de nosso cérebro e são o exemplo máximo da Complementaridade.