Archive for outubro, 2012


Para efeito deste estudo sobre o fenômeno UFO já poderíamos parar por aqui e não arriscar em apresentar mais um entre os milhares de falsos relatos sobre o assunto. Considerando porém a quantidade e o tempo em que esses relatos são apresentadas na mídia surge a famosa frase de Abraham Lincoln:

“Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo tempo, mas não se pode enganar a todos todo o tempo…”

Em 2008, a Coordenação Regional do Arquivo Nacional no Distrito Federal recebeu do Centro de Documentação e Histórico da Aeronáutica material relativo a Objetos Voadores Não-Identificados compreendendo o período 1952-1969. Igualmente em 2009 referente às datas-limite 1970-1979 e outro com as datas-limite 1980-1989. Estes três recolhimentos totalizam 1562 páginas de documentos. Em 2010 foi encaminhado materiais que datam de 1990 a 1999, perfazendo 793 páginas. Veja o texto completo sobre o material na ref.1.

Entre o material acima será apresentado aqui como evidência aquele que foi divulgado publicamente na época pelo Ministério da Aeronáutica brasileiro e ficou conhecido como “A Noite Oficial dos OVNIS”, foi apresentado na reportagem do Fantástico na época e testemunhado por oficiais da aeronáutica, pilotos, operadores de radar e pessoas proeminentes. Veja o relato completo na ref.5 e assista o vídeo da rede globo na ref.6.

Na noite de 19 de maio de 1986, os radares que controlam os céus brasileiros sobre São Paulo, Rio de Janeiro e Anápolis detectaram objetos voadores não identificados. Além dos operadores dos radares do CINDACTA I (Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo), pilotos de caça e da aviação civil participaram da tentativa de identificação daqueles plotes (pontos de radar) inexplicáveis e fizeram contatos visuais.

A primeira tripulação a ver os contatos não identificados no céu incluía o então aviador da reserva Ozires Silva (presidente da EMBRAER, mais tarde presidente da PETROBRAS, presidente da VARIG e ministro da República) e seu co-piloto, Alcir Pereira da Silva.

Alertados pelo CINDACTA I sobre possível contato visual com três objetos não identificados que apareciam no radar avistaram algo com aparência semelhante a de um astro. Uma luz muito forte e fixa no espaço. Sua cor era a de um forte amarelo, com tendência ao vermelho. Por volta das 22h, quanto mais se aproximavam do objeto, mais ele desvanecia, até desaparecer por completo.

Decidiram então, voar para leste, cruzando o Aeródromo de São José, rumo a um segundo objeto aparentemente situado ao sul de Taubaté. Abaixo de seu nível de vôo, a cerca de 600 m do solo e se depararam com um objeto bastante alongado, com a aparência de uma lâmpada fluorescente.

Importante dizer que Ozires Silva confirmou esse relato em 1995 ao programa “Balanço Geral” conduzido pelo radialista Gilberto Pereira na rádio Bandeirantes.

Após confirmação ao CINDACTA I de contato visual as informações foram repassadas ao Centro de Operações de Defesa Aeroespacial (CODA) que determinou o acionamento de cinco aeronaves interceptadoras em alerta nas Bases Aéreas de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e de Anápolis, em Goiás.

O mapa da ilustração desse post mostra a área na qual ocorreram os contatos, os sítios radares que acusaram contatos e o posicionamento dos objetos voadores não identificados.

21:23 – O primeiro avião, um F-5E pilotado pelo Aviador Kleber Marinho saiu da Base Aérea de Santa Cruz (RJ) e realizou contato por radar e visual com um objeto não identificado.

22h:45 – Parte da base aérea de Anápolis (GO), o Capitão Armindo de Souza Viriato de Freitas, pilotando um F-103. De acordo com relatos, seu contato com o alvo foi feito através de seu radar de bordo, não tendo havido contato visual. O que mais surpreendeu o piloto foi a incrível velocidade do alvo, e seu repentino desaparecimento.

22:50 – Santa Cruz: um segundo avião foi acionado pilotado pelo Capitão Marcio Brisola Jordão.

23:17 – Anápolis: Decola o Capitão Aviador Rodolfo da Silva e Souza com um Mirage. Durante seu vôo, os contatos foram detectados pelos radares do CINDACTA mas o Capitão não realizou contato visual ou por radar e retornou à base.

23:36 – Anápolis: Um terceiro avião pilotado pelo capitão Julio Cezar Rozenberg, decolou sem realizar contato visual ou por radar, totalizando cinco diferentes tentativas de interceptação.

Portanto, das cinco aeronaves militares, apenas uma obteve contato visual e contato por radar conforme depoimento abaixo.

“Eu efetuei a curva, estabilizei a aeronave na proa que ele havia recomendado e, como pedido, comecei a fazer uma varredura visual. Foi neste momento que eu avistei uma luz muito forte que se realçava em relação a todas as luzes no litoral. Estava um pouco mais baixa do que eu. A impressão nítida que eu tive, naquele momento, era de que ela se deslocava da direita para a esquerda. Olhei para aquela luz. O seu movimento era muito evidente para mim. Perguntei à Defesa Aérea se existia algum tráfego naquele setor no momento, devido à proximidade com a rota da ponte-aérea, na época. Fui informado que não. Não existia aeronave alguma no local naquela hora. Informei então ao controlador que eu realmente estava vendo a luz se deslocando na minha rota de interceptação, às 2 horas (à minha direita), um pouco mais baixo do que a posição da minha aeronave. Foi naquele momento que eu pude ter uma noção da altura do contato, algo em torno de 17 mil pés. Imediatamente recebi a instrução de aproar aquele alvo e prosseguir com a aproximação e sua possível identificação. A cerca de 8 a 12 milhas, um alvo apareceu na tela, confirmando a presença de algo sólido na minha frente. Isto coincidia com a direção da luz que eu havia avistado. Nos radares que equipavam os caças da época, o tamanho do plote varia de acordo com o tamanho do contato. O radar indicava um objeto de cerca de 1 cm, o que significa algo na envergadura de um Jumbo (Boeing 747). Cheguei perto do alvo, posicionando-me a cerca de seis milhas de distância dele, o que ainda é longe para que possa haver uma verificação precisa, ainda mais à noite. O alvo parou de se deslocar na minha direção e começou a subir. Eu não perdi o contato radar inicial e passei a subir junto com ele. Continuei seguindo o contato até cerca de 30 mil pés, quando perdi o contato radar e fiquei apenas com o visual”.

Finalmente, as 3:00 da manhã quando, aparentemente, os céus brasileiros não eram mais freqüentados por nada fora do normal, um vôo cargueiro da Varig em avião Boeing 707, decolado de Guarulhos para o Galeão, no Rio de Janeiro, também teve participação nos acontecimentos com testemunho do comandante Geraldo Souza Pinto.

“Quando cruzávamos cerca de 12 mil pés, o CINDACTA nos chamou no rádio e pediu para que confirmássemos se víamos algum tráfego na posição de 11 horas. Perguntamos se o contato estava no radar deles, e a resposta foi positiva. Foi nesta hora que eu o vi. Uma luz muito forte brilhou, como um farol branco. A emoção que eu tenho até hoje se confunde com a certeza de que ele estava acompanhando a nossa fonia. No mesmo momento em que nos perguntaram se estávamos avistando o tráfego e eu respondi que não, ele piscou, como quem díz: ‘Estou aqui!. Nós não tínhamos noção da altura do tráfego, pois os radares dos aviões comerciais são meteorológicos e, diferente dos caças, têm muita dificuldade de captar outra aeronave. Eles não são feitos para isso. O controlador também não podia saber a altura do objeto já que, sem transponder, tudo o que ele vê é a dimensão única do radar, sem diferença de altitude. O objeto estava próximo de Santa Cruz e a nossa distância era em tomo das 90 milhas. O que eu posso dizer é que ele estava, visualmente, a uns 20 graus mais alto do que nós. Atingimos nossa altitude de cruzeiro de 23 mil pés, e durante todo o vôo o controlador foi nos informando sobre a aproximação. Passou para 60 milhas, depois 50, o tempo todo na nossa proa. O controlador nos avisou, então, que o alvo havia se deslocado em alta velocidade para a nossa direita, atingindo, em fração de segundos, uma velocidade incrível, algo acima de Mach 5. Um ser humano não agüentaria uma aceleração dessas. Ele morreria com tal deslocamento!.”

Vejamos as palavras do Ministro da Aeronáutica na época, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Octávio Júlio Moreira Lima que, após informar o Presidente da República José Sarney sobre o ocorrido, comunicou a Nação o que havia acontecido na noite de 19 de maio.

Há muitas hipóteses. Pode ter sido um fenômeno eletromagnético, uma interferência qualquer… Mas a situação continua indefinida. Só acho importante lembrar que ilusão de ótica o radar não registra”. Quando alguém se depara com um contato, informa ao tráfego aéreo, que vai reportar aos centros integrados, situados em Curitiba (PR), em Brasília, em Recife (PE), e na Amazônia… Estes centros estão em permanente comunicação, é tudo automatizado. Fui informado logo de imediato. Quando ocorre uma situação dessas, o Comando Geral do Ar logo dá ciência ao Ministro. E a partir dai que os procedimentos de interceptação são disparados. E foi assim que ocorreu. Os caças levantaram vôo apenas com ordem de verificação. Em nenhum momento foi mantida uma postura agressiva. Como poderíamos atirar em algo que desconhecíamos? As luzes foram plotadas no radar e tínhamos que tentar identificá-las. Não existe aquela preocupação de decolar com mísseis, como nos filmes. Os aviões de permanência geralmente estão armados. Eles ficam 24 horas com os pilotos do lado, prontos para serem acionados em minutos, mas, a principio, sem ordem de disparo. Eu disse que faria uma entrevista coletiva e fiz. Relatei o que eu sabia, o que foi de fato o ocorrido, e que até hoje não podemos explicar”.

Quinta Conclusão

Achei interessante a evidência pelo simples motivo de que envolveu diretamente dezenas de pessoas, foi confirmado por diversos órgãos oficiais, envolveu o depoimento de altas patentes militares e altos cargos civis e políticos e foi divulgado amplamente pela imprensa nacional. Talvez esse episódio seja o mais bem documentado do mundo sobre UFO´s e, infelizmente, faltaram filmagens e registros eletrônicos, que na minha opinião são de pouca validade, uma vez que sua interpretação visual é muito difícil, bem como atestar sua originalidade.

Considero que o depoimento simultâneo de pessoas de alto nível técnico aeronáutico é forte o suficiente para demonstrar a simples existência do fenômeno UFO, seja qual for a sua causa.

Arquivo Nacional – Informações Confidenciais Liberadas

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Na cidade de Alto Paraíso a 230 km de Brasília, extraterrestre enfeita a piscina de um hotel. Foto: Roberval Ferreira (http://delas.ig.com.br/comportamento/2012-10-26/fim-do-mundo.html)

Baseados na estimativa positiva da equação de Drake, existem muitos cientistas e pesquisadores que se empenham em procurar evidências no nosso sistema solar, nos meteoros que caem sobre a terra e também no espaço distante procurando planetas que têm condições de desenvolver a vida, conhecidos como “exoplanetas”, há também um ramo da biologia que estuda a possibilidade de haver vida extraterrestre, conhecido como “exobiologia”. Uma outra técnica que está sendo utilizada para entender a formação da vida no universo é o estudo dos chamados organismos “extremófilos”, micróbios que vivem em condições extremas em nosso planeta como caldeiras vulcânicas, fontes hidrotermais e lagos com alta concentração de arsênio.

Além disso existem esforços organizados pelas mais respeitáveis instituições americanas, entre outras, para tentar realizar uma comunicação com os extraterrestres. Citamos como exemplo que em 1974 a NASA enviou ao espaço através do radiotelescópio de Arecibo uma mensagem binária contendo informações diversas, entre elas sobre o DNA humano e a descrição de nosso sistema solar transmitida a 2380 MHz e com potência de 1000 kW em direção à região M13 há 25.000 anos-luz, uma das regiões mais densas do espaço. Desde 1966 a NASA possui um programa de astrobiologia e já encontraram só em 2012 54 planetas fora de nosso sistema solar que tem condições de suportar a vida.

Uma dessas iniciativas sérias é a formação de uma rede de radiotelescópios e computadores para receber e analisar frequências vindas do espaço e verificar se elas formam algum código de comunicação ou resultado que pode ser considerado como manifestação de vida inteligente.

O SETI Institute (Busca de Vida Extra Terrestre Inteligente; vide ref. 2) foi fundado em 1984 e é uma respeitada instituição privada suportada por empresas particulares e do governo americano como a HP, Sun Microsystems e a NASA entre muitas. Foi criada para explorar, entender e explicar a origem, natureza e prevalência da vida no universo.

O principal radiotelescópio utilizado pelo SETI é o de Arecibo, em Porto Rico. Além de detectar a existência de inteligência no universo, busca também se comunicar com esses sinais e formas de vida utilizando sinais de rádio. Além dele existem outros projetos como o Allen Telescope Array (ATA) que é uma “grande rede de pequenos pratos” (Large Number of Small Dishes – LNSD) projetada para suportar eficazmente os projetos de radioastronomia e pesquisar explosões de raios gama e fontes de rádio em nossa e de outras galáxias e realizar também a busca por inteligência.

Há também o projeto SETI@home (vide ref. 3), que disponibiliza através da internet, a possibilidade de qualquer pessoa, voluntariamente, colaborar no processamento da análise desses sinais a partir de seu computador pessoal. O Brasil está entre os trinta países que mais coletam analisam os dados, com quase 70.000 colaboradores. Se quiser participar basta acessar gratuitamente o site no link acima, fazer o download do programa e disponibilizar seu computador no mínimo 2 horas por semana para juntar-se à rede mundial de análise de dados.

Até o momento, após 3 décadas de observações pelo programa SETI, nenhuma comunicação formal foi recebida através de um sinal incomum, codificado ou que apresente sinais de inteligência embora 37 sinais promissores tenham sido encontrados, como por exemplo o chamado “Sinal Wow!”, em agosto de 1977, coletado pelo radiotelescópio “The Big Ear”.

O computador registrou o sinal como uma sequência de seis letras e números que durou 72 segundos. Ao lado do sinal Jerry Ehman escreveu “Wow!”,que assim ficou conhecido. Foi descoberto que era proveniente da constelação de sagitário com uma frequência de 1420 MHz. A estrela mais próxima que existe naquela região está a pelo menos 220 anos-luz de distância.

O radiotelescópio Australian Square Kilometre Array Pathfinder (Askap), o maior e mais avançado do planeta, foi inaugurado em outubro deste ano (2012) em uma região desértica da Austrália em uma área de 126 km2 e conta com um observatório e 36 antenas de 12 metros cada, com o objetivo de investigar a origem das estrelas, quasares e pulsares, e fazer um censo de todas as galáxias. Fornecerá imagens detalhadas sobre o Universo em suas origens estudando a formação da Via Láctea, adentrando com velocidade e precisão em muitas áreas do espaço que ainda são desconhecidas para os astrônomos como, por exemplo, informações sobre o gás que formam as estrelas e corpos exóticos como os quasares e os pulsares, que estão nos limites do conhecimento sobre as leis físicas no universo. Um dos projetos previstos se centrará nos buracos negros do Universo e, como objetivo secundário, a existência da vida extraterrestre.

Quarta Conclusão

Se os UFOS são seres extraterrestres, o que estarão fazendo aqui e porque não formalizam um contato nestes últimos 30 anos dado que já estamos dispostos e preparados para isto?

Pelos motivos apresentados nos 4 posts anteriores, relatos de contatos de grau superior e abduções são suspeitos e pouco prováveis de serem verdadeiros, tendo em vista que não há sentido em que extra-terrestres queiram se manifestar individualmente e ao mesmo tempo não queiram um contato formal com nossa sociedade que os procura ansiosamente.

fotografia da galáxia M81, similar à Via Láctea, a 11,8 milhões de anos-luz, na constelação de Ursa Maior

Existe uma fórmula matemática, conhecida como “equação de Drake” (Frank Drake – 1961) que incorpora sete condições indispensáveis para que um planeta abrigue seres inteligentes e com comunicação avançada.

Uma possível solução entre muitas seria:

N = 7 x 0,5 x 2 x 0,33 x 0,01 x 0,01 x 10.000 = 2,31 ou cerca de 2 civilizações inteligentes por galáxia.

O conhecido astrônomo (já falecido) Carl Sagan da série de televisão Cosmos, sugeriu em 1966 um N igual a 1 milhão (!!!). Cientistas mais pessimistas, porém, encontraram um número menor do que 1. Isto mostra que a equação é muito imprecisa mas que pode ser entendida, conforme afirmado pelo próprio Drake, como uma primeira tentativa de pensar sobre o assunto.

Observe que a variável menos conhecida é o percentual de planetas com vida nos quais a inteligência evoluiu (Fi). Para termos uma ideia, o nosso planeta possui cerca de 100.000 espécies sendo que em somente uma a inteligência evoluiu significativamente.

Se assumirmos que Fi = 1/100.000, um valor muito baixo, que significa que a cada 100.000 planetas com vida em apenas um haverá evolução de vida inteligente (assumindo que precisaríamos de 100.000 planetas com vida para formar 100.000 espécies e dentre elas somente uma com inteligência). Nesse caso, refazendo novamente a conta acima, o valor de N seria igual a 0,2% (uma civilização inteligente para cada 500 galáxias).

Sendo porém que uma galáxia possui cerca de 100 bilhões de estrelas e considerando que existem mais de 100 bilhões de galáxias em nosso Universo visível (ele é muito maior do que conseguimos ver!) não precisamos mais fazer contas sobre a possibilidade de existir vida inteligente além de nós, ela é muito alta, mesmo considerando que N seja muito menor do que 1!. Para uma comparação, a Via Láctea possui 300 bilhões e Andrômeda, a vizinha mais próxima a 2,6 milhões de anos-luz possui 1 trilhão de estrelas!

Apesar de não haver como determinar corretamente os valores de cada variável para fazer uma boa estimativa é possível observar pela equação de Drake que existe uma grande probabilidade de não estamos sozinhos no Universo !. A equação mostra também que é possível haver alguma civilização dentro de nossa própria galáxia. A questão a saber, é se em função da elevada distância e da aparente impossibilidade de viajar-se acima da velocidade da luz, elas podem estabelecer contato conosco ou virem até aqui.

Sendo que até o momento ainda não foi obtida uma informação consistente e uma prova incontestável sobre a existência de vida extraterrestre, surge então o chamado “Paradoxo de Fermi” que estabelece que pelo tamanho e idade do universo muitas civilizações tecnológicas extraterrestres devem existir, entretanto, essa hipótese parece inconsistente com a falta de evidências observacionais, levando a crer que pode existir algum fator limitante para o número N que não estamos levando em consideração, como por exemplo a elevada distância entre as civilizações.

Outro fator que passa despercebido pela maioria das pessoas é que as galáxias estão se afastando uma das outras a uma velocidade impressionante dificultando cada vez mais sua visualização, a comunicação entre as civilizações e as viagens intergalácticas.

Nós somos os únicos seres inteligentes do universo?

Provavelmente não. Do ponto de vista lógico, é mais coerente aceitarmos que é possível existir vida inteligente em nossa galáxia e possivelmente mais de 100 bilhões de planetas com vida inteligente em todo o Universo… (>100.000.000.000 !).

Temos então três possibilidades lógicas mais prováveis para explicar o Paradoxo de Fermi: Ou as mais próximas civilizações estão muito longe de nós e não conseguem fazer contato (ex: Galáxia M81 há 12 milhões de anos luz!) ou elas tem um nível tecnológico insuficiente para vencer a distância envolvida ou, por algum motivo, não querem faze-lo.

Surge então uma nova pergunta: Qual a provável diferença de idade entre nós e outras civilizações? Somos os primeiros e mais desenvolvidos ou os últimos e menos desenvolvidos?

Não é difícil supor que a evolução de cada civilização obedeça à uma distribuição, como em uma curva de Gauss por exemplo, onde existe uma maioria que representa uma média, existem civilizações na fase preliminar de sua existência e existe uma minoria de civilizações extremamente avançadas e poderosas. Nesse caso, onde nós estaríamos posicionados?

Considerando o início do universo no “Big-Bang” há cerca de 13,7 bilhões de anos atrás supõem-se que a vida ocorreu por aqui a apenas 1 bilhão de anos após a formação da Terra no período Arqueano através de células procariontes (células simples, de bactérias por exemplo), enquanto as células eucariontes (mais complexas) foram estimadas em ter ocorrido após 3 bilhões de anos e os organismos multicelulares depois de 4,0 bilhões de anos.

O ser humano tem no máximo 1 milhão de anos de existência dos quais chegou ao Homo Sapiens há apenas 200.000 anos mas se desenvolveu significativamente a partir da invenção da escrita somente há 4 mil anos atrás. Vemos que este tempo é desprezível relativamente ao tempo de existência da Terra. Desse modo, podemos dizer que nosso planeta levou cerca de 4,6 bilhões de anos para nos produzir do modo que somos hoje.

Assim, certamente, não estamos no começo da vida no Universo, que iniciou 9,2 bilhões de anos antes que a Terra fosse formada. Estamos no último terço do tempo decorrido até agora…..

Sabemos que as primeiras galáxias foram formadas apenas 1 bilhão de anos após o início do Big-Bang, mas vamos fazer uma conta simples e conservativa considerando que não ocorreu vida inteligente no primeiro terço após o Big-Bang (nos primeiros 4,6 bilhões de anos) e que, a exemplo da Terra, depois disso, a existência de vida inteligente ocorreu após mais 4,6 bilhões de anos.

Então: 13,7 bilhões (nós) – 9,2 (eles) = 4,5 bilhões de anos a nossa frente!

Existirão assim muitas civilizações com muito tempo há nossa frente, mas fica uma pergunta: quanto tempo elas levam para se extinguir? Uma civilização, por melhor que seja consegue ficar em um mesmo planeta sem se dizimada por vulcões e mudanças climáticas por mais de 1 milhão de anos? Se estamos enxergando ao telescópio civilizações com mais de 1 milhão de anos luz de distância e estamos vendo sua imagem no passado elas estarão vivas hoje?

O Paradoxo de Fermi pode ser assim enunciado:

Quanto mais longe realizarmos uma varredura mais provável é que encontremos civilizações, maior é a probabilidade de terem alta tecnologia em relação à nossa e menor é a probabilidade de contato por possíveis limites físicos e técnicos devido à distância”. Ou ainda: “Quanto mais perto realizarmos uma varredura menos provável é que encontremos civilizações, menor é a probabilidade de terem uma alta tecnologia em relação à nossa e a probabilidade de contato não aumenta além de um certo limite, considerando que as distâncias continuam ainda muito grandes frente à expectativa de vida de nossa espécie e de nossa sociedade”.

Com esse enunciado, estatisticamente eu posso afirmar (sem fazer conta nenhuma) o seguinte:

De todas as prováveis civilizações existentes no universo, haverão diversas que poderão ter contato mútuo porque os fatores de Drake lhes são favoráveis (elevado tempo de duração de sua civilização por exemplo) e devido às menores proximidades envolvidas enquanto haverão outras que estarão para sempre sozinhas.

Em qual situação estaremos? Das três hipóteses levantadas para explicar o Paradoxo de Fermi, eu poderia dizer que as três são possíveis e qualquer uma delas pode explicar individualmente ou em conjunto o porquê não há contato até o momento.

Vejamos:

– Se as distâncias são muito grandes pode não haver interesse da outra parte, inclusive econômico (ex: o custo da viagem não compensa) ou simplesmente que a duração da civilização seja pequena em comparação à distância. Por exemplo: Uma civilização está a “apenas” 100 mil anos luz de nós, isto significa que quando vemos a sua imagem ou recebemos de lá alguma transmissão de rádio este evento terá ocorrido há 100 mil anos atrás e vice versa. Se a civilização durou apenas 50.000 anos, então qualquer sonda que saísse de lá para explorar nosso planeta teria voltado para uma civilização inexistente. Este exemplo mostra como a barreira da velocidade da luz (pela teoria da relatividade nada pode ser mais rápido do que a luz) impõem sérios problemas à comunicação extraterrestre e sua associação ao fenômeno UFO.

– Se o nível tecnológico é insuficiente para cobrir as distâncias entre os planetas então não haverá contato entre eles. Observar um ponto importante: por mais avançada que seja uma civilização isso não significa que a velocidade de um objeto possa ser maior do que a da luz! Isso não muda a ciência, se de fato ela estiver correta. Não importa o quanto tempo uma civilização está a nossa frente se existir uma barreira real que impeça diminuir o tempo de viagem então a probabilidade de contato será muito baixa, isto é, Fc é muito mais baixo do que se imagina, explicando o paradoxo.

– Mesmo que haja proximidade suficiente e nível tecnológico para isso porque motivo haveria interesse em se comunicar conosco? Que vantagem uma civilização mais avançada teria com isso? Quanto maior a diferença menor a motivação e quanto menor a diferença menor a probabilidade de possuir tecnologia para vencer a distância.

Veremos posteriormente com mais profundidade porque a motivação para haver esta comunicação é muito baixa.

Da análise que fizemos podemos deduzir que existe grande possibilidade de haver diversas civilizações no universo com avanço tecnológico muito maior do que o nosso e alguma possibilidade destas civilizações estarem em nossa galáxia.

Até o momento a física mostra que não é possível fazer contato entre civilizações distantes, e isto vale inclusive para nossa própria galáxia, a Via Láctea, que tem um comprimento de cerca de 100.000 anos luz(!). Isto porque mesmo valores pequenos como 100 anos luz (quase nada em uma escala astronômica) é muita coisa em relação ao nosso próprio tempo de vida. Resumindo: Se N=2 (nós e mais uma civilização) e a distância que nos separa na Galáxia é 50.000 anos luz, será que há viabilidade em nos visitarmos mutuamente?

Caso seja descoberta futuramente uma forma de faze-lo (velocidades superiores à da luz? curvas acentuadas no espaço-tempo?) então a melhor explicação para o Paradoxo de Fermi será que eles não querem fazer contato formal até o momento.

Haverá motivo para que não queiram fazer contato? Em um próximo post demostraremos que sim, existem muitos.

Terceira conclusão de nossa viagem

Após esta análise, verificamos que o fenômeno UFO, se existir, pode não ter causa extra-terrestre de modo que não poderemos descartar essa possibilidade. Inclusive, se levarmos em conta que não temos qualquer indício científico concreto hoje que explique como vencer a barreira da distância, o melhor seria “esquecer o assunto” e dá-lo por encerrado até que a ciência “abra uma janela de possibilidade” para voltar a falar sobre o tema.

Mas porque isso não está acontecendo? Porque cada vez mais se discute vida extraterrestre e se gastam enormes recursos com essas pesquisas, construção de radiotelescópios, etc? A resposta é intrigante: Por causa das fortes evidências de existência do fenômeno UFO, o qual nós iremos apresentar em um post dessa série uma delas…

Uma vez que não podemos demonstrar a impossibilidade em percorrer distâncias astronômicas rapidamente então também não podemos descartar sua relação entre vida extraterrestre com o fenômeno UFO e igualmente, como não conseguimos explicar o fenômeno UFO até o momento então as duas questões estão no momento caminhando juntas, apesar de que ninguém provou até agora que estão relacionadas.

As primeiras Galáxias formadas